Guarani coloca Abuda sob suspeita

A briga do Guarani para provar a utilização de "gatos" por parte do Corinthians nas suas equipes de base pode extrapolar e causar sérios prejuízos para o clube e, talvez, até para a seleção brasileira. Embora tenha apresentado queixa sobre apenas um jogador, inclusive com a apresentação de documentos, o técnico Donizete de Lima, jura que outros jogadores estão irregulares e no auge de sua disposição de provar a verdade diz acreditar que Abuda, grande revelação do Parque São Jorge, "dificilmente tem 17 anos". O treinador juvenil declarou na Rádio Bandeirantes de Campinas, nesta quinta-feira na hora do almoço, acreditar que "Abuda tem uns 23 anos". O caso poderia ganhar desdobramentos maiores, porque Abuda representou o Brasil na conquista do tricampeonato mundial da categoria Sub-17. Ele também marcou três gols no primeiro jogo pelo título estadual paulista, vencido pelo Corinthians sobre o Guarani, em Campinas. No segundo jogo, no Parque São Jorge, o Guarani venceu por 5 a 2, mas perdeu o título na prorrogação, por 2 a 0. E o técnico garante ainda que outros cinco ou seis jogadores foram inscritos irregularmente no Campeonato Paulista. "Trabalho nesse ramo há 20 anos e conheço bem o perfil destes jogadores", afirma Donizete. Ele jura que só resolveu denunciar os fatos por que este artifício se tornou regra do Corinthians. "Nós perdemos ano passado para o Corinthians nas mesmas condições. Eles usam o mesmo time juvenil há três anos, nunca vi isso...", ironizou. Outro fato citado é que dos 18 jogadores inscritos, 13 são do Norte-Nordeste e apenas dois da capital. "Isso é anormal, porque milhares de meninos da cidade de São Paulo querem jogar no Corinthians". O Guarani recorreu ao Tribunal de Justiça Desportiva da Federação e também denunciou o caso à promotoria pública, uma vez que se for provado falsificação de documento o caso passará a ser crime. A acusação, por enquanto, recai sobre o jogador Nilmar Costa de Oliveira, que teria nome falso e 19 anos, não os 16 que mostram seus documentos. Em nome da moralização do futebol, o Guarani promete levar adiante sua cruzada adiante. Mesmo que caminhe sozinho.

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