Guarani completa 97 anos com venda do Brinco decretada

Sócios aprovam possível venda do estádio para cobrir gastos e para a construção da 'Arena Brinco de Ouro'

Redação,

01 de abril de 2008 | 17h38

O Guarani completa, nesta quarta-feira, dia 2 de abril, 97 anos de fundação. E nas vésperas de seu aniversário, os associados deram carta branca à diretoria executiva para negociar a venda do Estádio Brinco de Ouro, construído em 1953, considerado o maior patrimônio do clube, um dos mais tradicionais do interior brasileiro. A decisão gera muita polêmica na cidade, entre torcedores e mesmo na imprensa.Mas os poucos associados que restam no clube deram apoio à diretoria, na segunda-feira à noite, em reunião da Assembléia Geral de Sócios, que tem poder geral, segundo o estatuto. Dos quase mil sócios que tinham direito a voto, 273 compareceram à reunião e somente seis foram contrários à transação.A alegação da diretoria é de que não existe alternativa para o clube a não ser dar cabo à crise financeira. Os débitos seriam em torno de R$ 90 milhões, sendo R$ 55 milhões em ações trabalhistas e o restante com justiça cível ou fornecedores. Além disso, tanto uma área à margem da Rodovia dos Bandeirantes, onde seria construído um centro de treinamento, e o próprio Brinco de Ouro, estão com penhoras.A diretoria nega que tenha uma proposta concreta, mas admite que existem muitos contatos em andamento e que a exigência de todos interessados era de que os sócios dessem o aval para o negócio. Para suprir a venda do estádio, bem como todo o parque poliesportivo, num total de 82 mil metros quadrados numa área nobre da cidade, o clube teria as suas vantagens. A diretoria apresentou um projeto para a construção do que seria a Arena Brinco de Ouro, com capacidade para abrigar 32 mil torcedores, um novo centro de treinamento, alojamento para 200 atletas e um novo poliesportivo. O clube ainda receberia R$ 30 milhões, além de ter zerado todos seus débitos. O valor do imóvel - estádio e poliesportivo - giraria em torno de R$ 220 milhões.Os críticos alegam a falta de transparência no negócio. Até mesmo alguns sócios que votaram a favor, preferiam que o clube realizasse outra Assembléia Geral para avaliar as eventuais propostas recebidas. "Cumprimos o que reza o estatuto e vamos fazer o melhor para o clube", garante o presidente Leonel Martins de Oliveira.Os dirigentes já teriam em mãos cinco propostas diferentes. E não descartam até a possibilidade de arrecadar um bom dinheiro com a venda do imóvel para embarcar num projeto da Prefeitura Municipal, que prevê a construção de uma ampla e moderna arena multiuso. Denominado de Polo Anhangüera, este projeto teria o apoio do governo federal e seria uma opção para a Copa do Mundo de 2014.PAULISTÃODeixando a venda do estádio de lado, o time luta, domingo, contra mais um rebaixamento no Campeonato Paulista, mas fato relegado à segundo plano. O Guarani vai precisar vencer o Rio Preto, dentro do Brinco de Ouro, e torcer para que o Juventus não vença o São Paulo. Diante de tantas dúvidas, existe uma certeza: a venda do Brinco de Ouro, agora, é irreversível. Tudo é apenas uma questão de tempo.

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