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Guarani e parceiro fazem proposta por estádio leiloado

Oferta para Justiça do Trabalho de Campinas é de R$ 81 milhões

Lucas Sampaio, Especial para o Estado de S. Paulo

09 de abril de 2015 | 07h00

O Guarani não desistiu de lutar pelo Brinco de Ouro da Princesa, arrematado em leilão por R$ 105 milhões pela Maxion Empreendimentos Imobiliários, e junto com seu novo parceiro fez uma nova oferta à Justiça para reaver seu estádio, cujo gramado viu nascer jogadores como Careca, Zenon, Neto, Luizão e Amorosa.

O presidente do clube, Horley Senna, e o empresário Roberto Graziano, da Magnum, apresentaram nesta terça-feira uma proposta de R$ 81 milhões à Justiça do Trabalho de Campinas, R$ 24 milhões a menos do montante arrematado no leilão. Um nova reunião foi marcada para esta quinta, com a participação de representantes da Maxion, empresa do Grupo Zaffari.

"Nossa posição é ouvir. É o mínimo que podemos fazer", diz a juíza Ana Claudia Torres Vianna, titular da 6ª Vara do Trabalho e responsável pelo processo que resultou no leilão do Brinco. "Tenho de ter todo o cuidado para ver se aparece alguma solução para o Guarani, por isso vamos ouvir todos os lados."

O presidente do Guarani e o empresário Roberto Graziano não foram encontrados para comentar a oferta e o que planejaram para o encontro desta quinta. Por meio da assessoria de imprensa do Grupo Zaffari, a Maxion informou que participará da reunião, mas só irá se pronunciar oficialmente após o fim do processo. O advogado representante da empresa no leilão do último dia 30, Dárcio Vieira Marques, também não retornou às ligações da reportagem.

Marques já declarou ao Estado que a empresa tem a intenção de negociar com o Guarani, mas a manutenção do Brinco de Ouro não é uma possibilidade. "Evidentemente que não adquirimos o estádio para não aproveitar o terreno", afirmou o advogado. "O clube vai ter de entender que não podemos comprar o terreno e deixar o estádio nele. Mas vamos nos sentar e dialogar."

DÍVIDAS TRABALHISTAS

O estádio onde o Guarani conquistou o Campeonato Brasileiro de 1978 e perdeu o de 1986 foi a leilão porque o clube possui cerca de R$ 70 milhões em dívidas trabalhistas em fase de execução (quando não cabe mais recurso). Entre os principais credores estão os ex-jogadores Toninho Cerezo e Gustavo Nery. A dívida total do clube, incluindo ações trabalhistas em curso e débitos tributários e fiscais, é de aproximadamente R$ 250 milhões - o Brinco de Ouro, segundo a diretoria, vale quase R$ 400 milhões.

ALTERNATIVAS

Para não perder seu maior patrimônio, o Guarani (ou algum parceiro) precisa pagar as dívidas trabalhistas em execução - com a remição, o leilão perderia efeito -, chegar a um acordo com Maxion ou anular o processo, através de um embargo à arrematação, segundo a juíza responsável pelo caso. Vianna confirma que a proposta do Guarani e da Magnum é inferior à da Maxion e não cobre todas as dívidas do processo trabalhista (o que obrigaria o clube e seu parceiro a negociar a dívida diretamente com os credores). Mas a juíza diz buscar uma "saída negociada" para o impasse.

Ela desconsiderou uma oferta de R$ 220 milhões recebida após o leilão, devido às muitas condicionantes que praticamente inviabilizavam a proposta, e criticou o desenrolar do processo. "Depois que o jogo acabou, todo mundo quer jogar. O leilão já estava encerrado e recebi essa nova proposta. Houve uma proposta do Roberto Graziano, mas ela é realmente inferior (à do leilão). O Guarani tem o desejo de pagar, mas não tem dinheiro", diz Vianna. "É um movimento estranho, depois que o leilão acabou várias pessoas querem resolver, cada um à sua forma."

POLÍCIA FEDERAL

Devido ao processo, a juíza e outros magistrados passaram a sofrer ameaças pela internet.  Em resposta, a Polícia Federal em Campinas abriu inquérito para apurar as ameaças e a Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 15.ª Região (Amatra XV) e os juízes do Fórum Trabalhista de Campinas divulgaram nota defendendo os colegas e prometendo rastrear e processar os responsáveis pelas "manifestações de intolerância".

Um dos alvos passou a ser o juiz Carlos Eduardo Oliveira Dias, titular da 1ª Vara do Trabalho de Campinas. Uma foto em que o magistrado está vestido com uma camisa da Ponte Preta e abraça seus filhos na arquibancada do Moisés Lucarelli, estádio do maior rival do Guarani, foi amplamente divulgada nas redes sociais.

"Tenho 20 e poucos anos de magistratura e nunca passei por isso, por xingamentos em redes sociais, por ameaças de torcida de futebol", diz a magistrada. "Para nós, o dia do leilão foi como um velório. Não foi uma coisa feliz. Vamos ver se ainda é possível achar uma saída negociada." 

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