Guarani já tinha assimilado o golpe

O "dia seguinte" do Guarani, um dos quatro clubes rebaixados no Campeonato Brasileiro para a Série B em 2005, foi bastante tranqüilo. Na realidade, a humilhação do descenso já vinha sendo digerida nas últimas 15 rodadas e o golpe final aconteceu na penúltima rodada, quando o time perdeu para o Paysandu, por 4 a 2, em Belém. Até o presidente José Luiz Lourencetti reapareceu em grande estilo, esquecendo o passado e fazendo grandes planos para o futuro. "Nunca pensei em deixar o meu cargo. Vou cumprir meu mandato até 2007 e já estamos trabalhando para a próxima temporada. Sei que erramos no futebol, mas estamos prontos para mudar. Tenho certeza de que vamos dar a volta por cima", discursou, otimista, só reconhecendo a tristeza pela queda do time, considerado seu pior momento em quase seis anos de administração. Lourencetti é taxado de incompetente pela torcida, que domingo demonstrou seu desprezo ao time com apenas 481 pagantes indo ao Brinco de Ouro. A esperança, em princípio, está na permanência do técnico Jair Picerni. Ele ficará no clube e só deixará o cargo por uma proposta do exterior, garantiu o próprio presidente. Uma nova reunião aconteceu no final da tarde com a comissão técnica, traçando planos para o Paulistão. Além de pedir as renovações de meia dúzia de jogadores ? o goleiro Jean, o zagueiro Tiago, os volantes Marcos Paulo e Careca além dos meias Harison e Sandro Hiroshi, o técnico quer mais cinco reforços de peso: um lateral, dois meias e dois atacantes. O resto do plantel seria completado por pratas da casa e reforços de menor expressão. Já existe até uma lista com nomes do meia Anaílson (Náutico), do atacante Somália (Goiás), do meio campo Adãozinho (Palmeiras) e do atacante Wágner (Atlético-MG). Mas Picerni também faz uma série de exigências na estrutura do clube, como o reaparelhamento dos departamentos médico e de preparação física, que estão sucateados; a ampliação do gramado do Centro de Treinamento do lado do Brinco de Ouro e a exclusividade somente para os treinos do time profissional; reestruturação completa no departamento amador e o mais importante: salários em dia. A primeira mudança oficial foi anunciada nesta segunda-feira com a apresentação da empresa italiana Lotto como fornecedora de materiais esportivos do clube no lugar da Umbro. O departamento de marketing, agora, vai buscar novos patrocinadores, uma vez que perdeu todos antes mesmo de ser rebaixado para a Série B. O Brinco de Ouro ficou quase vazio nesta segunda-feira. Os jogadores estão de férias e não sabem ao certo quando voltarão devido a briga judicial com o Sindicato dos Atletas do Estado de São Paulo. Enquanto isso, novas reuniões entre os dirigentes vão determinar o futuro do clube que parece ter dois caminhos a seguir: o exemplo positivo do Palmeiras, que caiu em 2002 e subiu em 2003, ou o modelo negativo da Portuguesa de Desportos, que há dois anos disputa a Série B sem perspectiva de retorno à elite nacional.

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