Guarani: tristeza e lamentações

Os torcedores do Guarani tiveram uma segunda-feira das mais tristes de sua história. Após o rebaixamento para a Série B decretado no último sábado com a derrota para o Paysandu por 4 a 2, pela penúltima rodada do Campeonato Brasileiro, a cidade de Campinas amanheceu menos verde. Reflexo dessa decepção se via estampado no rosto e no bar de um dos torcedores-símbolo do clube na cidade, Pedro Possante. Aos 63 anos, 53 devotos ao Guarani, o fervoroso bugrino representa bem o sentimento dos torce dores, que para ele podem ser definidos em duas palavras: tristeza e incompetência. "A tristeza é inevitável. A gente dorme duas horas e acorda pensando nisso. Mas não podemos esquecer da incompetência de uma diretoria que caiu com o time três vezes em cinco anos, sendo que na história foram quatro rebaixamentos ao todo", explicou, referindo-se às quedas no Campeonato Paulista (2001) e Torneio Rio-São Paulo (2002). Em 1989, o time experimentou pela primeira vez a queda para a Série B, mas com outra diretoria. "Amo o Guarani tanto quanto minha família". Esta definição não deixa dúvidas de seu amor pelo clube. Perto do time de coração, Possante teve somente uma outra paixão na vida, os bares. Aos 14 anos ele começou a trabalhar como cumim. Depois, foi garçom, chopeiro, lancheiro de vários outros bares, entre eles o Gioavanetti, tradicional rede da cidade, onde trabalhou por 16 anos e se tornou notável. Hoje, é proprietário do Bar Possante, localizado no Bairro Taquaral, zona de classe alta da cidade, fundado em 1998. Além de torcedor, Possante também já teve participação mais ativa no clube. Durante 48 anos foi sócio e por 34 primaveras teve cadeira no Conselho Deliberativo. Mas a insatisfação com a atual situação é tanta que há oito meses não paga nem a mensalidade. Segundo ele, a idade e as decepções vão desgastando esta relação apaixonante. Em 1982, quando o Guarani era um dos melhores times do país e Possante era dono do Bar Azul, outro tradicional bar para reuniões futebolísticas de Campinas, ele revelou que abrigava os jogadores do Guarani da época, como Careca e Jorge Mendonça, em locais escondidos do público para que eles pudessem "se divertir" em paz. Apesar do clima de tristeza, o futuro é de esperança para o tradicional torcedor. Para ele, o rebaixamento pode ser bom se servir para que a atual diretoria deixe o clube e o time suba mais forte no futuro. "O Guarani é grande, vai voltar com força, não tenham dúvidas. Mas não fugindo à velha rivalidade com o outro time da cidade, a Ponte Preta, Pedro Possante não perdeu a chance de alfinetar a rival: "Tem gente que fica falando muito, mas ano que vem eles (ponte-pretanos) terão problema. A verdade é que nesta temporada, eles tiveram sorte", deu o recado.

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