Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Guardadas em depósito, taças do Palmeiras poderão ganhar memorial de troféus

Clube Alviverde e WTorre retomam conversas para construção do espaço no Allianz Parque

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

11 Fevereiro 2019 | 04h30

Uma longa expectativa do torcedor do Palmeiras vive a fase final da espera. A diretoria e os gestores do Allianz Parque intensificaram, desde o começo do ano, as conversas sobre o novo memorial de troféus do time – parte do acervo está guardada em um depósito na zona norte da cidade. O espaço original foi desativado em agosto de 2010 para dar lugar à construção da arena e desde então não há uma exposição fixa aberta ao público das cerca de 6 mil taças e outras lembranças das inúmeras conquistas dos 104 anos do clube. O objetivo do atual presidente alviverde, Mauricio Galiotte, é terminar a obra até o fim do atual mandato, em 2021.

O projeto é tratado com sigilo pelas duas partes. Mas a ideia do memorial é um interesse em comum. Segundo pessoas envolvidas nas negociações, há bastante diálogo e otimismo em transformar tudo em realidade.

O impasse se arrasta por quase nove anos principalmente por não ter existido no primeiro momento consenso sobre quem seria o responsável por construir o novo espaço. Durante os últimos anos a relação entre o Palmeiras e o Allianz Parque viveu alguns desentendimentos e até discussões em câmaras de arbitragem da cidade. Pelo menos no que diz respeito ao salão de troféus do clube, os atritos agora estão amenizados.

A meta é erguer o novo memorial dentro do Allianz. Já há, inclusive, alguns rascunhos de possíveis locais a passarem por reformas. O plano é fazer o salão das conquistas integrado à uma nova loja, ao clube social e também ao tour do estádio. Os passeios pela arena reúnem em média 50 mil pessoas por ano e registraram em janeiro o recorde mensal de 7 mil visitantes.

O potencial impacto positivo da novidade e a expectativa dos palmeirenses em ter contato com taças e itens históricos do clube recomeçou a mobilizar os dirigentes ainda em 2017. O Palmeiras montou uma comissão para organizar o projeto e se reunir com os gestores da arena. As reuniões marcadas para o começo deste ano servem para traçar um cronograma para a implantação.

A pressão para se ter o novo memorial é grande entre conselheiros do Palmeiras e também pela própria torcida, que aguarda a oportunidade de ter mais contato com a história alviverde. Desde quando o clube iniciou a reforma do antigo Palestra Itália para dar lugar ao Allianz Parque, a reconstrução de local nobre para os troféus está na fila de espera. Faz tempo.

ARMAZENAMENTO

Durante os últimos anos uma pequena parte das taças e itens históricos de conquistas do Palmeiras foram expostas ao público em ocasiões esporádicas, como no aniversário do clube e em eventos. Os principais troféus estão guardados dentro da sede administrativa, próximos à sala da presidência, enquanto outros estão na Academia de Futebol.

Outra parte do acervo de taças, de vários campeonatos do passado e de outros esportes, está guardada em outro local, por não ter mais espaço disponível na sede. O Estado apurou que o Palmeiras decidiu acomodar esses itens em um depósito na zona norte de São Paulo. O clube paga mensalmente um aluguel para guardar os itens em ambiente seguro e discreto.

Anteriormente, o depósito escolhido para receber os troféus rendeu bastante polêmica nos bastidores do clube. As taças foram acomodadas inicialmente em um imóvel em Pinheiros cujo dono era o ex-diretor de futebol Salvador Hugo Palaia.

Em 2011, o Conselho de Orientação Fiscal (COF) do clube chegou a questionar um possível gasto por mês de R$ 3 mil para manter um cachorro como guardião do espaço. A informação foi negada na época pelo então presidente Arnaldo Tirone.

O memorial também guarda episódios tristes da história do clube. Em 1990, o local no antigo Palestra Itália foi invadido por um grupo de torcedores depois de o time não ter conseguido vencer a já eliminada Ferroviária no Pacaembu. 

O empate sem gols fez a equipe não passar para a final do Campeonato Paulista e deu a chance para o Novorizontino avançar. Revoltados com o empate sem gols, um grupo de palmeirenses foi ao memorial e quebrou algumas das taças.

 

 

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