Arnd Wiegmann/Reuters
Arnd Wiegmann/Reuters

Guerra entre Michel Platini e Joseph Blatter está lançada

Atual presidente consegue estender seu mandato por sete meses

Jamil Chade, correspondente na Suíça, O Estado de S. Paulo

21 de julho de 2015 | 07h00

Está oficialmente aberta a guerra entre Michel Platini e Joseph Blatter. Nesta segunda-feira, a Fifa definiu a data de suas eleições. Mas o suíço conseguiu se agarrar no poder por mais tempo, apoiado em seus aliados, e promete fazer de tudo para impedir a vitória do ex-jogador francês. A data de 26 de fevereiro de 2016 foi estabelecida depois de uma reunião na sede da entidade em que os europeus exigiam uma eleição ainda neste ano. Mas o adeus ao cartola suíço promete ser mais longo do que se previa, abrindo espaço para que ele costure alianças para escolher um sucessor que não o ameace.

Blatter, atolado em uma crise de corrupção sem precedentes, venceu as eleições no dia 29 de maio. Mas, quatro dias depois, foi obrigado a anunciar que convocaria nova eleição depois das prisões de sete dirigentes esportivos em Zurique, entre eles o ex-presidente da CBF, José Maria Marin. 

O Estado apurou que o suíço usou de todos os artifícios para ficar mais tempo no poder. Ele argumentou que a eleição não poderia ocorrer em dezembro por causa do Mundial de Clubes, e que não poderia ser em janeiro e fevereiro para não se chocar com um torneio africano, em Ruanda. Issa Hayatou, seu aliado, acusou a Uefa de "racismo" ao tentar realizar a votação em plena competição. Blatter, assim, conseguiu o que queria: tempo para reconstruir sua base e impedir a vitória de seu inimigo: Platini.

Os candidatos terão até dia 26 de outubro para se apresentar. Zico já lançou sua campanha, além de um dirigente liberiano, Musa Bility. Nomes como o de Diego Maradona são mencionados de forma extra-oficial, além de cartolas sul-coreanos. Mas, em Zurique, o grande articulador foi Michel Platini, que levou até o hotel Baur au Lac os demais dirigentes para consultas. Seus assessores garantem que o presidente da Uefa já tem mais de 110 votos de apoio, dos 209 credenciados, entre eles parte da Conmebol. Ele lança seu nome oficialmente em duas semanas.

Na tentativa de mostrar que é um candidato "solicitado" pelas demais federações, aliados de Platini declararam que foram alguns dos maiores dirigentes do mundo que "pediram" que ele lançasse sua candidatura. "Ele é o homem certo", declarou David Gill, vice-presidente da Fifa. Sem declarar ainda que é candidato, Platini deixou claro seu interesse no cargo. "Precisamos de uma nova liderança que possa trazer novas ideias e novas soluções", disse. "Esse é um momento excitante para a Fifa e podemos, juntos, trabalhar por uma nova estrutura."

Blatter promete fazer de tudo para impedir a vitória de Platini. "Eu ainda estou vivo. Parece que, depois do tsunami que chegou em Zurique, a onda iria me levar. Nada disso. A onda do tsunami não me levou", disse Blatter. Uma de suas manobras é a de colocar o francês em uma situação incômoda, acusando-o de não querer divulgar seu salário ou ter um limite para mandatos. Outra proposta é de que o Comitê Executivo seja expandido e, assim, a presença europeia seria diluída. Platini, portanto, assumiria eventualmente uma Fifa com a oposição dentro de seu governo.

FORA

Blatter acabou com um suspense e insistiu que não será candidato. "No dia 27 de fevereiro, a Fifa terá um novo presidente", disse. Segundo ele, sua meta é depois trabalhar em uma rádio. "Vou voltar a meu hobby, como jornalista". "Não serei candidato", insistiu. Mas vai usar o tempo extra que obteve para eleger alguém de sua confiança. Blatter ainda explicou o motivo pelo qual decidiu abandonar seu mandato. "A pressão que veio sobre mim foi política e da imprensa", disse. "Eu joguei a bola para fora do campo para parar isso tudo. Eu tinha de fazer algo pela Fifa. Não por mim."

Mas também alertou que não iria renunciar. "Eu ainda sou o presidente eleito. Nunca vou renunciar. Se eu fizesse isso, meu pai viria a me chutar."

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