Guerrero comenta renovação: 'São eles que têm de tomar a decisão'

Guerrero comenta renovação: 'São eles que têm de tomar a decisão'

Atacante revela que o Corinthians já negou uma oferta do futebol inglês e aguarda a diretoria renovar seu contrato

Entrevista com

Paolo Guerrero

Vítor Marques, O Estado de S. Paulo

04 de dezembro de 2014 | 07h00

"Estou tranquilo, esperando a decisão do Corinthians. São eles que têm de tomar a decisão. Minha intenção ainda é ficar aqui." Paolo Guerrero, 30 anos, negocia mais um contrato milionário para permanecer por mais três anos no clube onde é ídolo. Em entrevista exclusiva ao Estado, o atacante peruano reafirmou o desejo de continuar no País. Mas disse que o clube já teve uma boa oferta para negociá-lo com o futebol inglês. "O Corinthians iria ganhar mais dinheiro (se eu fosse negociado)", afirmou o peruano.

Você é o artilheiro e principal jogador do Corinthians e negocia uma renovação de contrato. Você continua no clube em 2015 ou existe chance de sair?

O campeonato está acabando, falta uma rodada, e eu estou tranquilo, esperando a decisão do Corinthians. São eles que têm de tomar a decisão. Minha intenção ainda é ficar aqui. Se o Corinthians não puder me segurar aqui, ficarei agradecido ao torcedor, aos funcionários, ao corpo técnico e a todos meus companheiros de time.

O Corinthians fará um esforço financeiro para continuar com você. Vale a pena investir R$ 30 milhões para que continue por mais três temporadas?

São cifras que vocês (imprensa) estão especulando. Está longe da realidade. Não são essas cifras, esses valores... O que eu estou pedindo está dentro da possibilidade do Corinthians.


Com seu novo contrato, você passaria a ganhar mais aqui do que se fosse jogar na Europa?

Não, acho que não. Inclusive eu tive uma oportunidade de sair para a Inglaterra. Faz três, quatro meses, durante a janela de transferência. Chegou uma oferta de um time da Inglaterra, o West Ham, mas o Corinthians não quis me vender. O Corinthians iria ganhar mais dinheiro (se eu fosse negociado).

Por que o Corinthians não o vendeu? O clube não considerou a oferta boa?

Acho que seria por mais do que me compraram, mas não sei se era boa ou não (N.R - o Corinthians comprou Guerrero por R$ 7,5 milhões, do Hamburgo, em 2012).

E você queria ir embora e ter nova chance no futebol europeu?

A decisão era deles. Falei que estou feliz morando aqui em São Paulo e defendendo um clube como o Corinthians.

Você marcou o gol do título mundial e agora o clube prepara um plano de marketing para pagá-lo, algo semelhante ao que aconteceu com o Ronaldo, outro ídolo. Esse é o caminho?

Não tenho muito conhecimento disso. Estou focado em jogar e ser campeão. Infelizmente não tivemos regularidade no Campeonato Brasileiro, mas estamos felizes por classificar o time à Libertadores. Esperamos ganhar esse campeonato que todo mundo quer.

Você realmente fica dividido em todas as convocações do Peru? Quer defender sua seleção ou clube?

Fico dividido. Minha vontade de jogar pela seleção é grande. Defender a camisa do meu país é uma responsabilidade grande. É gostoso, meus pais se sentem orgulhosos quando eu estou com a camisa do meu país, quando eu faço gols e ajudo a seleção a ganhar. Estou feliz por defender minha seleção, mas, como você disse, tínhamos uma fase de jogos amistosos (pela seleção) e aqui tínhamos jogos decisivos. Eram sentimentos divididos. Futebol é assim, às vezes você tem de se adaptar à situação.

O que achou do fato de o Peru cair no mesmo grupo do Brasil na Copa América, que será disputada no Chile no ano que vem?

É mais gostoso (enfrentar o Brasil). Ficamos mais motivados nos jogos grandes. Para nós, é melhor que o Brasil veja o Peru como um time pequeno. Isso nos motiva.

O Brasil ainda vê o Peru como uma seleção menor?

Acho que o Brasil é um favorito para ganhar a Copa América. Argentina e Brasil sempre serão favoritos para vencer a Copa América. Na última (Copa América), o Brasil não ficou entre os quatro primeiros. Nós perdemos a semifinal para o Uruguai, que foi campeão. Acho que é gostoso jogar contra times grandes.

Como um jogador estrangeiro que atua no Brasil viu a derrota da seleção brasileira por 7 a 1 para a Alemanha na Copa do Mundo?

Foi dura, eu queria que o Brasil ganhasse. Morei tanto tempo na Alemanha que eu entendo e conheço a cabeça dos alemães. Eles se veem muito por cima de todos, e eu queria que o Brasil parasse esse conceito que os alemães têm. Mas a Alemanha mostrou que tem um time forte, um time que, para mim, não joga como o Brasil, mas eles correm, marcam e lutam os 90 minutos.

Você jogou dez anos na Alemanha. O que viu nesse processo de transformação do futebol alemão?

Fiz a base com Schweinsteiger e com Philipp Lahm no Bayern de Munique, subimos para o primeiro time quase ao mesmo tempo. Sei bem como eles começaram, como a Alemanha surgiu e como foi melhorando todo esse tempo.

O que chamou mais sua atenção nessa época?

A preparação é forte, são muito profissionais, muito dedicados e focados no trabalho. Na Alemanha, eles são robôs, só pensam em trabalho e trabalho. É assim que funciona a cabeça deles.

Sentiu problemas de adaptação ou preconceito?

Sim, você vive isso diariamente. Mais ainda se você está sendo melhor que eles. Os alemães não querem que você seja melhor. Eles lutam para superar você, toda hora. Eles lutam para conseguir isso.

Por que só em 2014 você passou a ser mais decisivo e a fazer mais gols?

Acho que o professor Tite me queria na área; o Mano me deixa mais livre. São dois sistemas, dois conceitos diferentes, e tenho de me adaptar. Tive uma preparação boa e todo mundo aqui pode falar. Tento estar bem para todos jogos até para o último, antes de sair de férias.

O Mano também reclamou que você jogava aberto. Qual é a sua preferência?

Acho que ultimamente os tempos mudaram. Já não existe isso de jogar como centroavante, todo mundo já sabia a tática do Corinthians. Todo mundo jogava e cruzava as bolas para mim. Por outro lado, os zagueiros me marcavam forte, isso desgasta o centroavante. Todos podem mudar.

Acabou a era do atacante fixo?

Um jogador tem de ser versátil para fazer seu jogo. Eu tento fazer meu jogo, do meu jeito, posso ajudar o time a fazer o gol ou posso abrir a marcação. Você viu a Alemanha ganhar do Brasil, e foram os meias que fizeram os gols. A Alemanha não jogou com centroavante. O Klose só entrou no final.

O Mano Menezes deveria continuar como técnico do Corinthians em 2015?

Estou feliz com o Mano, mas a decisão é da diretoria. Se Mano ficar, será bom. Se não, a diretoria tem escolher um técnico com a cara do Corinthians.

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