Rafael Ribeiro/CBF
Troféu do Campeonato Brasileiro Rafael Ribeiro/CBF

Troféu do Campeonato Brasileiro Rafael Ribeiro/CBF

Guia do Brasileirão 2020: Com atraso por causa da covid-19, Brasileirão começa sem torcida

Principal competição nacional começa neste sábado com preocupações e um calendário bem diferentes

Vinicius Saponara , O Estado de S.Paulo

Atualizado

Troféu do Campeonato Brasileiro Rafael Ribeiro/CBF

Com mais de três meses de atraso, o Campeonato Brasileiro começa neste sábado com 19 clubes buscando tirar o título que está nas mãos do Flamengo, mais uma vez o grande favorito. A competição deste ano será bem diferente da edição de 2019, já que o calendário sofreu alterações em razão da pandemia do novo coronavírus, que fará com que as partidas, por tempo indeterminado, sejam realizadas sem a presença de torcedores nos estádios.

O Brasileirão iria começar em 2 de maio, mas em razão do surto da covid-19, que paralisou as competições no Brasil por cerca de três meses, a data foi alterada pela CBF para este sábado. O término, previsto inicialmente para o começo de dezembro, passou para 24 de fevereiro de 2021, como jogos invadindo os festejos de Natal e Ano Novo.

Mesmo com tantas mudanças, a CBF manteve o regulamento dos últimos anos. São 20 clubes, que se enfrentam em turno e returno e o time que mais pontuar será declarado o campeão. Os seis primeiros colocados vão para a Copa Libertadores de 2021 e os seis seguintes para a Copa Sul-Americana (lembrando que o número de classificados pode alterar se alguma equipe ficar na zona de classificação para um torneio continental e ser campeão da Libertadores, Copa do Brasil ou Sul-Americana).

Além das partidas serem realizadas sem torcida, a pandemia fez com que a CBF estabelecesse uma diretriz detalhada de cuidados com o novo coronavírus e fixasse uma rotina diferente da habitual. Jogadores, técnicos e árbitros terão testes regulares e vão encarar mudanças até no cerimonial pré-jogo. Execução de hinos e cumprimentos entre os atletas estão vetados.

Três dias antes de cada partida os 23 atletas de cada time, os dois técnicos e os quatro árbitros passarão por testes do tipo RT-PCR, que serão bancados pela entidade e realizados no hospital Albert Einstein, em São Paulo, para se ter amostras mais uniformes. Ou seja, serão 52 exames por jogo. O material será enviado para análise e em até 24 horas os resultados precisam estar prontos.

Para Entender

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Times no Brasileirão 2020

Em campo, os clubes terão novidades para apresentar às suas torcidas em comparação com a edição anterior. Favorito ao título, o Flamengo defenderá a conquista de 2019 sem o técnico português Jorge Jesus, que recentemente acertou a sua volta ao Benfica. A diretoria foi então à Europa atrás de um novo estrangeiro e trouxe o espanhol Domènec Torrent, que foi auxiliar de Pep Guardiola no Barcelona, no Bayern de Munique e no Manchester City.

Na caça ao Flamengo estão clubes como Palmeiras, Atlético-MG e a dupla gaúcha formada por Grêmio e Internacional. O time paulista tem como técnico o experiente Vanderlei Luxemburgo, que busca voltar às glórias do passado - foi campeão brasileiro pelo clube alviverde na década de 1990 -, mas perdeu o atacante Dudu, um de seus destaques, para o futebol árabe.

No Atlético-MG, a esperança está depositada no trabalho do técnico argentino Jorge Sampaoli. Com ele, o Santos ficou com o vice-campeonato em 2019 e ameaçou por um tempo o domínio do Flamengo. Já do Sul do País, Grêmio e Internacional também começam o Brasileirão sonhando alto com o título. O time tricolor conta com a estrela de seu treinador Renato Gaúcho, mas pode perder o atacante Everton Cebolinha para o exterior, e o colorado tem o argentino Eduardo Coudet no comando e o peruano Paolo Guerrero no ataque como as principais armas.

Por falar em estrangeiros, eles estão aos montes neste Brasileirão. São inúmeros sul-americanos entre atletas e membros de comissões técnicas, o espanhol Torrent no Flamengo - o português Jesualdo Ferreira caiu antes da estreia do Santos - e até um jogador asiático e um africano. Esses dois estão no Botafogo: o meia japonês Keisuke Honda e o atacante marfinense Salomon Kalou.

Transmissão dos jogos

Até o ano passado, Grupo Globo (TV Globo, SporTV e Premiere) e Turner (TNT) dividiam as transmissões. Quando o jogo era entre equipes que tinham acordo com emissoras diferentes, ninguém passava. Mas em junho deste ano, a Medida Provisória 984, assinada pelo presidente Jair Bolsonaro, determinou que os direitos de transmissão passam a ser apenas do time mandante. E deu-se início a uma grande confusão que já pôde ser vista durante o Campeonato Carioca.

Alguns advogados e clubes defendem a ideia de que a MP só vale para novos contratos. Ou seja, o Brasileirão não sofreria alteração até 2024, quando encerra o atual contrato. Mas há uma outra leitura de que a MP já vale neste momento. Então, uma emissora poderia passar a partida de um time com quem tenha parceria, mesmo que o adversário tenha fechado com a concorrência. Por enquanto, seguem os direitos do ano passado. O Red Bull Bragantino é o único time que não tem acordo com qualquer emissora.

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Clubes adotam posturas distintas para chegarem bem na competição

Há equipes que apostam no entrosamento, outras em grandes nomes, algumas contam com técnico como diferencial e ainda tem aquelas que tentam surpreender

Felipe Rosa Mendes, Leandro Silveira, Vinicius Saponara e Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2020 | 05h00

Nas últimas cinco edições do Campeonato Brasileiro, apenas a última foi vencida por um time fora do Estado de São Paulo. O Flamengo, de Jorge Jesus, foi o campeão, deixando Santos e Palmeiras para trás e quebrando a sequência de paulistas - Corinthians e Palmeiras venceram duas vezes cada. 

Além dos cinco clubes do Estado que lutam pelo título neste caso - Corinthians, Palmeiras, Red Bull Bragantino, Santos e São Paulo, outros 15 estão na briga pela taça da principal competição nacional do Brasil. O Estadão dá um panorama geral de cada uma dessas equipes. 

ATHLETICO

O Athletico-PR tenta provar que pode ser competitivo mesmo após sofrer baixas no elenco e até na comissão, com a saída de Tiago Nunes ao fim da temporada passada. O, hoje, técnico do Corinthians marcou história no clube rubro-negro no clube e é Dorival Júnior quem tem a missão de comandar a equipe. 

“Nós estamos ainda em formação, depois do clube perder vários jogadores importantes. Mas a resposta tem sido muito positiva, com o grupo entendendo bem a nossa filosofia de trabalho. Mas é preciso um pouco de paciência, porque o time novo requer tempo para chegar ao seu melhor rendimento", afirmou o treinador Dorival Júnior, logo após a conquista do tricampeonato paranaense.

O problema é que, além de Tiago Nunes, o elenco também perdeu jogadores que fizeram nome no clube como o zagueiro Léo Pereira, o lateral Renan Lodi, o volante Bruno Guimarães, e os atacantes Marco Rubén, Marcelo Cirino e Rony e Robson.

  • TIME-BASE - Santos; Adriano, Thiago Heleno, Lucas Halter e Abner; Wellington, Léo Cittadini e Marquinhos Gabriel; Nikão, Carlos Eduardo e Bissoli. Técnico: Dorival Júnior.

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é preciso um pouco de paciência, porque o time novo requer tempo para chegar ao seu melhor rendimento
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Dorival Júnior, técnico

ATLÉTICO GOIANIENSE

O Atlético-GO quer apagar a má impressão deixada em 2017, quando havia jogado pela última vez na elite do Campeonato Brasileiro. Naquela ocasião, o time acabou sendo rebaixado para a Série B com a pior campanha e apenas nove vitórias em 38 jogos. "Quero muito permanecer na Série A com o menor orçamento do futebol brasileiro, com muito trabalho, disposição e motivação para superar a adversidade financeira", ressaltou o presidente Adson Batista. A folha salarial para o Brasileirão gira em torno de R$ 1,4 milhão.

Foram realizadas muitas mudanças em relação ao elenco que conquistou o acesso no ano passado com a quarta melhor campanha da Série B. Entre as principais contratações estão o goleiro Jean (ex-São Paulo) e o o meia Everton Felipe (ex-São Paulo e Cruzeiro). No início de julho, a diretoria anunciou a contratação do técnico Vágner Mancini.

  • TIME-BASE - Jean; Dudu, Éder, Gilvan e Nicolas; Edson, Marlon Freitas, Jorginho; Everton Felipe, Renato Kayzer e Gustavo Ferrareis. Técnico: Vágner Mancini.

ATLÉTICO MINEIRO

Após eliminações precoces na Copa do Brasil e na Sul-Americana, o Atlético-MG decidiu investir alto para a disputa do Campeonato Brasileiro. O clube inicia torneio apostando no trabalho do técnico Jorge Sampaoli e na chegada de jovens reforços para retomar o protagonismo na competição.

Junto ao treinador argentino, também chegaram elevados investimentos, até para atender as suas exigências. Desde a pandemia, o clube fechou com sete reforços para a disputa do Brasileirão: Léo Sena, Marrony, Bueno, Junior Alonso, Alan Franco, Keno e Mariano. E a maioria deles será titular no Brasileirão.

  • TIME-BASE - Rafael; Mariano, Alonso, Rever e Guilherme Arana; Allan, Alan Franco e Nathan; Savarino, Marrony e Keno. Técnico: Jorge Sampaoli.

BAHIA

Apontado como o time nordestino com mais chances de surpreender na temporada 2020, o Bahia teve um primeiro semestre abaixo do esperado para dirigentes e torcedores. O clube foi eliminado logo na primeira fase da Copa do Brasil, após ser derrotado pelo River-PI, por 1 a 0. Na Copa do Nordeste, perdeu na decisão para o Ceará por 4 a 1 no placar agregado dos dois jogos. Assim, time e Roger Machado chegam pressionados ao Campeonato Brasileiro.

A diretoria investiu pesado e contratou jogadores de renome, como os meias Rodriguinho e Clayson, ex-Corinthians, e o atacante Rossi, ex-Vasco. Além disso, segurou peças importantes como os atacantes Gilberto e Fernandão, além do goleiro Douglas, que perdeu a titularidade recentemente para Anderson.

"Eu acho que todos os jogos para a gente serão um desafio. O campeonato inteiro vai ser um desafio para a gente. Vai ser um campeonato aguerrido, forte e agora com essa não presença do público, a gente, que tem uma torcida muito forte, tem que fazer valer nosso mando de campo dentro do nosso jogo, impondo respeito. Acho muito importante a gente saber disso e colocar em prática quando estiver jogando", disse Gilberto.

  • TIME-BASE: Anderson; João Pedro, Lucas Fonseca, Juninho e Juninho Capixaba; Gregore e Flávio; Élber, Rodriguinho e Clayson; Gilberto. Técnico: Roger Machado.

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Eu acho que todos os jogos para a gente serão um desafio. O campeonato inteiro vai ser um desafio para a gente
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Gilberto, atacante do Bahia

BOTAFOGO

O técnico Paulo Autuori foi o comandante do time do Botafogo campeão brasileiro em 1995. Passado um quarto de século, o treinador sabe que não tem nas mãos, por enquanto, um elenco tão talentoso como aquele que conquistou o título diante do Santos. Por isso, ele aposta na versatilidade de seus jogadores.

"A minha intenção não é ter só um time. Preciso de outros jogadores, não só os que vão jogar. Sabemos que o Botafogo não tem condições de agir como gostaria, mas estou satisfeito com as contratações e estamos trabalhando bem. A tendência é positiva", disse o treinador, que não conseguiu levar a equipe para a conquista do título estadual, mas aprovou o desempenho nos dois amistosos feitos diante do Fluminense no pós-quarentena, na preparação para o Brasileirão.

O elenco de Autuori tem a média de 26 anos, mas possui três nomes de peso no futebol internacional, que poderão, com sua experiência, buscar resultados importantes na temporada. É o caso do goleiro paraguaio Gatito Fernandez, do meia japonês Honda e do atacante Kalou. O trio poderá ser importante para dar suporte a talentos como Bruno Nazário e Luis Henrique, candidatos a serem as revelações do Brasileirão.

  • TIME-BASE: Gatito Fernandés; Barrandeguy (Marcinho), Marcelo Benevenuto, Kanu (Forster) e Victor Luis; Caio Alexandre, Bruno Nazário e Honda; Kalou, Pedro Raul e Luis Henrique. Técnico: Paulo Autuori.

Para Entender

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CEARÁ

O Ceará entra no Campeonato Brasileiro respaldado com a sua recente conquista da Copa do Nordeste. O clube alvinegro apostou em medalhões, a exemplo do atacante Rafael Sóbis, ex-Inter, e do goleiro Fernando Prass ex-Palmeiras, para superar a sua melhor campanha na competição nacional, o sétimo lugar em 1982.

No Brasileirão, o "sarrafo" aumenta e o técnico Guto Ferreira terá de provar se o Ceará está pronto para buscar uma vaga na Copa Libertadores. Dois jogadores chamam atenção no elenco do clube alvinegro. São eles: o meia Vinícius, eleito o craque da Copa do Nordeste, e o atacante Cléber, ex-Barbalha, que roubou a vaga de Rafael Sóbis para se transformar em herói do título.

"Temos condições de fazer um bom campeonato. A gente sabe a dificuldade que é um Campeonato Brasileiro. Uma competição muito longa, agora ainda com o calendário apertado, com grandes equipes com nível técnico muito alto e muito equilibrado. E que às vezes o líder perde para o lanterna, coisa que não acontece em muitos campeonatos", falou Fernando Prass.

  • TIME-BASE - Fernando Prass; Samuel Xavier, Klaus , Luiz Otávio e Bruno Pacheco; William Oliveira, Fabinho, Vinícius e Fernando Sobral; Cléber e Leandro Carvalho. Técnico: Guto Ferreira.

CORITIBA

O Coritiba está de volta à Série A do Campeonato Brasileiro após dois anos seguidos na segunda divisão. A missão, em primeiro lugar, é se manter entre os melhores clubes do futebol nacional. 

Para isso, o time paranaense aposta em uma fórmula diferente: sangue novo no banco de reservas e experiência em campo. Eduardo Barroca, que subiu com o Atlético-GO no ano passado, será o responsável por comandar o time paranaense. Em campo, nomes conhecidos como Alex Muralha, Rafinha, Sassá e Neilton.

Se quiser se desafiar um pouco mais, Barroca buscará a melhor classificação do Coritiba nos pontos corridos. Até aqui, foi o quinto lugar em 2003. Na galeria do clube, está o troféu de campeão brasileiro de 1988.

  • TIME BASE - Alex Muralha; Patrick Vieira, Rhodolfo, Sabino e William Matheus; Nathan Silva, Matheus Galdezani e Gabriel; Robson, Rafinha e Igor Jesus. Técnico: Eduardo Barroca.

FLAMENGO

Apostando mais uma vez em um técnico estrangeiro, o Flamengo tentará repetir a partir deste fim de semana o belo futebol exibido em 2019 e o título do Brasileirão. Para buscar o bicampeonato, o que não conquista desde as campanhas vitoriosas de 1982 e 1983, o time carioca tem a seu favor a manutenção de praticamente todos os titulares que levantaram o troféu do ano passado. A incógnita recai sobre o trabalho do espanhol Domènec Torrent.

Discípulo de Pep Guardiola, Torrent desembarcou no Ninho do Urubu com status de aposta. O espanhol ainda não brilhou sozinho em um mercado de peso do futebol mundial. Até agora sua única conquista como técnico foi o título da quarta divisão da Espanha, com o Girona.

Se há interrogação no comando, não há dúvidas no elenco. Dos titulares campeões de 2019, apenas um foi embora: o zagueiro Pablo Marí foi negociado com o Arsenal. Para o seu lugar, a diretoria trouxe Léo Pereira, novo titular, ao lado de Rodrigo Caio. As demais peças foram mantidas e o banco reforçado com Pedro, Michael, Pedro Rocha, Gustavo Henrique e Thiago Maia. 

  • TIME-BASE - Diego Alves; Rafinha, Rodrigo Caio, Léo Pereira e Filipe Luís; Willian Arão, Everton Ribeiro, Gerson, Arrascaeta; Bruno Henrique e Gabriel. Técnico: Domènec Torrent.

FLUMINENSE

O Fluminense inicia o Brasileirão com diversas preocupações no elenco. Uma série de lesões e a chance de perder jogadores para o mercado internacional vão permear a trajetória da equipe carioca neste começo de campeonato, em que a torcida espera sofrer menos do que no ano passado, quando o time correu risco de rebaixamento.

Principal aposta do time para a temporada, o atacante Fred se recuperou de cirurgia no olho esquerdo, que o deixou de fora da reta final do Estadual e espera liderar o time na competição. O que preocupa a torcida é o assédio aos jovens que vem ganhando espaço na equipe, caso dos atacantes Marcos Paulo, de 19 anos, e Miguel, de apenas 17 anos. 

Por outro lado, o Flu fez contratações modestas no começo do ano, caso de Felippe Cardoso, Yago Felipe, Caio Paulista e Egídio. A aposta no ataque é o jovem Evanilson, de 20 anos. Cria de Xerém, mas com os direitos ligados ao Tombense-MG.

  • TIME-BASE - Muriel; Gilberto, Nino, Digão e Egídio; Yuri, Dodi e Michel Araújo; Nenê, Marcos Paulo e Evanilson (Wellington Silva). Técnico: Odair Hellmann

GRÊMIO

O Grêmio costumeiramente tem figurado como candidato ao título do Campeonato Brasileiro, mas acaba deixando o torneio em segundo plano. Para a edição de 2020, a estratégia a ser adotada é a de focar mais no Brasileirão. Muitas rodadas serão disputadas ainda sem a concorrência com a Libertadores ou a Copa do Brasil. Assim, o técnico Renato Gaúcho não precisará poupar tantos jogadores.

O elenco perdeu recentemente uma importante peça: o atacante Everton acertou sua transferência para o Benfica. O experiente Diego Souza pode fazer a diferença no ataque, mas quem parece que pode surpreender é o jovem atacante Elias, destaque na última Copa São Paulo.

  • TIME-BASE - Vanderlei; Victor Ferraz, Pedro Geromel, Kannemann e Guilherme Guedes; Maicon, Matheus Henrique, Alisson, Jean Pyerre e Pepê (Everton); Diego Souza. Técnico: Renato Gaúcho.

FORTALEZA

Uma das maiores surpresas da última temporada, o Fortaleza, comandado por Rogério Ceni, quer seguir se destacando no Campeonato Brasileiro para se estabelecer como um time que briga na parte de cima da tabela. A boa fase se manteve na temporada atual e a equipe chegou à decisão do Campeonato Cearense contra o Ceará com a melhor campanha. Porém, caiu para o rival nas semifinais da Copa do Nordeste.

Para o Campeonato Brasileiro, o time de Rogério Ceni tenta superar a boa campanha de 2019, quando terminou na nona colocação. Para isso, a diretoria manteve peças importantes no elenco como os zagueiros Quintero e Paulão, os laterais Tinga e Carlinhos, o volante Juninho e os atacantes Romarinho, Osvaldo e o experiente Wellington Paulista. Chegaram ainda alguns reforços pontuais, como o centroavante Edson Cariús e o meia argentino Mariano Vázquez.

  • TIME-BASE - Felipe Alves; Tinga, Quintero, Paulão e Carlinhos; Juninho, Felipe e Romarinho; David, Wellington Paulista e Osvaldo. Técnico: Rogério Ceni.

GOIÁS

Décimo colocado no último Campeonato Brasileiro, o Goiás não terá vida fácil para repetir a boa campanha em 2020. A equipe do técnico Ney Franco perdeu nomes importantes no elenco, em especial o volante Léo Sena, que foi para o Atlético-MG, e o atacante Michael, que está no Flamengo. O time busca uma mescla de juventude com experiência e confia em jogadores experientes, como o goleiro Tadeu, o zagueiro Rafael Vaz, o centroavante Rafael Moura e o volante Sandro, principal contratação para a temporada. Aos 31 anos, o ex-volante do Tottenham e da seleção brasileira retornou ao futebol nacional após dez temporadas na Europa.

Apesar de contar com um elenco experiente, o Goiás chega descansado para o Campeonato Brasileiro. O time de Ney Franco disputou apenas dez partidas oficiais em 2020 pelo Campeonato Goiano até a paralisação da temporada e ocupava a terceira posição no Estadual com cinco vitórias, quatro empates e duas derrotas. Como o torneio só vai retornar em 2021, a estreia no Brasileirão marca o retorno do Goiás aos gramados após cinco meses, o que pode ser uma desvantagem no início contra equipes com mais ritmo de competição.

  • TIME BASE - Tadeu; Juan Pintado, Fábio Sanches, Rafael Vaz e Jefferson; Sandro, Ratinho e Daniel Bessa; Keko, Rafael Moura e Victor Andrade. Técnico: Ney Franco.

INTER

O Internacional será diferente para a edição 2020 do Campeonato Brasileiro. Com novas ideias, novos jogadores e uma nova forma de jogar, o clube gaúcho aposta no técnico argentino Eduardo Coudet para evitar os altos e baixos de 2019 que tanto atrapalharam o time. E a expectativa é pelo maior aproveitamento dos atletas formados nas categorias de base.

Atrás de um título que não fatura desde a campanha invicta de 1979, a repaginação vem em boa hora para o Inter, que já deu algumas amostras do que pode ser capaz de fazer dentro de campo. No ataque, um ponto crucial para o sucesso é chegar com o maior número possível de jogadores na área, não dependendo exclusivamente do centroavante peruano Paolo Guerrero para definir os lances. Na defesa, a regularidade do zagueiro Victor Cuesta, junto com o garoto Bruno Fuchs, um dos jovens de maior potencial da equipe, é a esperança de muitos jogos sem sofrer gols.

  • TIME-BASE - Marcelo Lomba; Rodinei, Bruno Fuchs, Víctor Cuesta e Moisés; Musto, Edenilson, Boschilia e Marcos Guilherme; Thiago Galhardo e Paolo Guerrero. Técnico: Eduardo Coudet.

SPORT

Assíduo participante do Brasileirão na década de 2010, o Sport caiu em 2018, mas já retornou após ser vice-campeão da última edição da Série B. De qualquer forma, o objetivo na Ilha do Retiro deve ser mesmo a luta para se manter na elite. Dois motivos principais escancaram essa missão. Um deles é a notória dificuldade financeira enfrentada nas últimas temporadas, que pode ser agravada em meio ao cenário da pandemia de covid-19. Outra questão é tentar superar as fracas campanhas na primeira parte do ano, inclusive após a retomada do futebol nacional.

Os recifenses não conseguiram ficar sequer entre os seis primeiros colocados da primeira fase do Campeonato Pernambucano e precisaram disputar o quadrangular contra o rebaixamento. Na Copa do Nordeste, o Sport caiu com derrota para o Fortaleza, nos pênaltis, por 4 a 1, após empate sem gols no tempo normal na partida única das quartas de final. Além disso, foi eliminado ainda na primeira fase da Copa do Brasil, pelo Brusque, atual campeão brasileiro da Série D

Este fato, aliás, foi essencial para a demissão de Guto Ferreira e a contratação de Daniel Paulista. “Vamos entrar numa competição muito forte e com um calendário apertado. É necessário termos um elenco grande e equilibrado, porque cada jogo é uma decisão”, alertou Daniel Paulista.

Os principais destaques do time são Hernane Brocador e Marquinhos. Durante a paralisação, chegaram nomes como o lateral-direito Patric, que já vestira as cores rubro-negras e estava no Atlético-MG, e o atacante Ronaldo, um dos principais destaques do Santo André no Paulistão.

  • TIME-BASE - Mailson; Patric, Iago Maidana, Adryelson e Sander; Wilian Farias, Betinho e Lucas Mugni; Marquinhos, Hernane Brocador e Leandro Barcia. Técnico: Daniel Paulista.

VASCO

O último título brasileiro do Vasco foi há 20 anos. De lá para cá, a equipe de São Januário, repleta de problemas de administração, entrou em uma gangorra, que o colocou três vezes na segunda divisão (2008, 2013 e 2015). 

"A ideia é ter um time aguerrido quando perde a bola e com prazer de jogar futebol com a bola. A cada jogo, temos coisas para corrigir, conversamos muito nos treinamentos, filmamos e batemos papo no dia seguinte. Há a maior preocupação de ver tudo. O trabalho é pelo crescimento e pela evolução de uma equipe. Todos estão entendendo bem o que tem sido pedido e o que estamos treinando", disse o treinador Ramon Menezes. 

Dentro de campo, na hora do jogo, o Vasco ainda apresenta algumas falhas, principalmente para recompor o sistema defensivo, após perder a bola. Isso faz com que o adversário encontre espaços para armar jogadas.  

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A ideia é ter um time aguerrido quando perde a bola e com prazer de jogar futebol com a bola
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Ramon Menezes, técnico do Vasco

O ponto forte da equipe está no setor ofensivo, com destaque para o argentino Germán Cano, autor de nove dos 12 gols do time na temporada. Ele tem o apoio do talentoso Talles Magno e ganhou a companhia de Parede, recentemente contratado.

"Trabalhei duro durante o período de pandemia, perdi peso, que era o que queria. Trabalhei muito na massa muscular para ficar um pouco mais magro. Aí está o resultado, se o trabalho é bom, positivo, tudo é possível. O objetivo era perder um pouco mais de peso, ficar mais fino. Creio que estou um pouco mais magro", disse Cano, três quilos mais magro.

  • TIME-BASE - Fernando MIguel; Yago Pikachu, Ricardo Graça, Leandro Castán e Henrique; Andrey, Vinícius, Fellipe Bastos ou Raul e Benítez ou Parede; Talles Magno e Germán Cano. Técnico: Ramon Menezes.

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Equipes paulistas tentam retomar o título

Campeões em quatro das últimas cinco edições, times de São Paulo prometem mostrar muita força para trazer a taça novamente para o Estado

Ciro Campos, Guilherme Amaro e Leandro Augusto Silveira, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2020 | 05h00

Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos e Red Bull Bragantino são os cinco clubes que representam o Estado de São Paulo no Campeonato Brasileiro. As equipes representam o estado com mais títulos da competição. No total, são 37 títulos para equipes do futebol paulista. 

Dos cinco clubes que mais ganharam títulos, quatro são de São Paulo: Palmeiras (10), Santos (8), Corinthians (7) e São Paulo (6). O Flamengo (6) é a outra equipe. O Estadão destaca como os times paulistas chegam no Brasileirão deste ano. 

CORINTHIANS

Em busca do oitavo título do Brasileirão, o Corinthians inicia o campeonato deste ano embalado pela boa campanha após a parada do futebol provocada pela pandemia do novo coronavírus. O técnico Tiago Nunes conseguiu ajustar a equipe, que tinha chances remotas de classificação para o mata-mata do Paulistão e acabou avançando até a final.

A principal novidade é a volta de Jô, contratado durante a paralisação. O centroavante foi um dos heróis do último título brasileiro conquistado pelo Corinthians, em 2017. Ele também faturou o campeonato nacional em 2005 e vai em busca do seu terceiro título brasileiro pelo clube.

No setor defensivo, o jovem Carlos Augusto continuou como titular. O jovem de 21 anos assumiu a posição e recebeu sondagens de clubes europeus. Danilo Avelar passou a ser zagueiro da equipe ao lado de Gil. A defesa, inclusive, tornou-se mais uma vez o ponto forte do time alvinegro e permanece com os eficientes Cássio e Fagner.

A carência para Tiago Nunes no elenco é um atacante rápido pelos lados do campo. Sem ter opções com essa característica, o treinador aposta em uma equipe com boa troca de passes, com Luan flutuando entre o meio de campo e o ataque.

Já no meio de campo, Tiago Nunes conta com várias opções. Contratado neste ano, o volante Ederson foi fundamental para o Corinthians avançar no Paulistão. Na cabeça de área, Gabriel cumpre seu papel pelo seu quarto ano seguido no clube, mas pode perder o lugar caso o treinador opte por uma escalação mais ofensiva.

  • TIME-BASE - Cássio, Fagner, Gil, Danilo Avelar e Carlos; Gabriel, Éderson (Cantillo) e Luan; Ramiro, Mateus Vital e Jô. Técnico: Tiago Nunes

Para Entender

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PALMEIRAS

Dois grandes vencedores do Campeonato Brasileiro, o Palmeiras e o técnico Vanderlei Luxemburgo vão ter uma competição para mostrarem o quanto sabem administrar e se planejar com o elenco. Ambos serão testados a mostrar acertos no planejamento e na escolha estratégica das escalações para conseguir rodar o elenco sem desgastar peças ou perder qualidade ao longo das 38 rodadas.

Nas duas últimas conquistas recentes, em 2016 e 2018, o Palmeiras conseguiu levar a taça justamente por ter um elenco numeroso e capaz de trocar peças sem perder a qualidade. Agora em 2020 a estratégia é ainda mais necessária. O calendário apertado vai forçar o treinador a descobrir o potencial dos reservas. 

O grande desfalque é a saída do atacante Dudu para o futebol do Catar. É claro que as opções podem aparecer ao longo dos próximos mesese, mas pelo menos no começo deste Brasileirão, o Palmeiras ainda se vê atrás de alguns rivais em termos de elenco. A chegada de vários jogadores das categorias de base serviu para aumentar opções, porém ainda é cedo imaginar que alguns desses jovens já possam assumir o posto de titular.

  • TIME-BASE - Weverton; Marcos Rocha, Felipe Melo, Gómez e Viña; Patrick de Paula, Gabriel Menino e Ramires; Rony, Willian e Luiz Adriano. Técnico: Vanderlei Luxemburgo. 

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RED BULL BRAGANTINO

Na sua volta à elite do Campeonato Brasileiro depois de 21 anos, o Red Bull Bragantino não quer apenas se contentar em escapar do rebaixamento, objetivo da maioria dos clubes provenientes da Série B. O time de Bragança Paulista (SP) tem planos ousados.

A última participação na elite foi em 1998, quando se chamava apenas Bragantino. Em abril do ano passado, porém, foi fechada uma parceria com a multinacional de bebidas energéticas Red Bull. E rapidamente ela rendeu bons frutos ao clube, que se sagrou campeão da Série B do Brasileiro ainda como Bragantino.

Para surpreender, a diretoria apostou na manutenção do elenco que conquistou a Série B, entre eles o zagueiro Leo Ortiz, o meia Claudinho e os atacantes Morato e Ytalo, mas também foi ao mercado e contratou jogadores que podem render bons frutos no futuro.

Graças ao suporte da multinacional, o Red Bull Bragantino colocou a mão no bolso para contratar o goleiro Cleiton (ex-Atlético-MG e da seleção pré-olímpica) e o atacante Artur (ex-Palmeiras e Bahia). Outras contratações importantes foram o volante Matheus Jesus, o meia Thonny Anderson e o atacante Alerrandro. O clube gastou perto de R$ 50 milhões e vai ter uma folha mensal em torno de R$ 2,5 milhões.

A principal baixa em relação ao grupo do ano passado foi no comando técnico, pois Antônio Carlos Zago acabou se transferindo para Kashiwa Antlers-JAP. A solução encontrada pela diretoria foi buscar Felipe Conceição, que vinha realizando bom trabalho no América-MG.

  • TIME BASE - Cleiton; Aderlan, Léo Ortiz, Fabrício Bruno e Edimar; Ryller, Matheus Jesus e Claudinho; Morato, Ytalo e Artur. Técnico: Felipe Conceição.

SANTOS

Surpresa positiva do Campeonato Brasileiro de 2019, quando chegou a liderar o torneio e foi vice-campeão, o Santos dificilmente poderia começar a edição seguinte do torneio em situação pior. No período que separa a disputa dos Nacionais, o time enfraqueceu seu elenco, fracassou na mudança de técnico e enfrenta problemas na Justiça. Vai, agora, apostar em Cuca, para recuperar o rumo.

As dificuldades no Santos começaram dias depois da despedida do Brasileirão. Sem acordo, Jorge Sampaoli saiu da Vila Belmiro de modo litigioso. E, aos poucos, também foi deixando de ser visto em campo o time intenso e ofensivo do treinador argentino, que tanto encanta o torcedor do clube. 

O seu sucessor também já não está mais na Vila Belmiro. Com atuações ruins e menos de 50% de aproveitamento no Campeonato Paulista, o português Jesualdo Ferreira foi demitido depois da eliminação nas quartas de final do Campeonato Paulista. 

O elenco também se enfraqueceu. O time ficou sem os laterais titulares de 2019, Victor Ferraz e Jorge, e ainda perdeu Gustavo Henrique, que se transferiu gratuitamente ao Flamengo. Nas últimas semanas, ainda viu Everson e Eduardo Sasha acionarem a Justiça, com a intenção de se desligarem do time.

O cenário de caos deixa distante qualquer perspectiva de protagonismo do Santos, que não fica fora do grupo dos dez primeiros colocados do Brasileirão desde 2009. A aposta para se reerguer é o técnico Cuca. 

O treinador chegou ao clube na última sexta-feira, para a sua terceira passagem - as outras foram em 2008 e 2018, quando saiu para tratar de problema no coração. Aos 57 anos, deve adotar uma formação ofensiva. Para isso, contará com estrangeiros que se destacaram no ano passado, como o meio-campista uruguaio Carlos Sánchez e o atacante venezuelano Soteldo. Na outra ponta, Marinho também é esperança de ofensividade e recuperação da histórica identidade da equipe.

  • TIME-BASE - Vladimir; Pará, Lucas Veríssimo, Luan Peres e Felipe Jonatan; Alison, Diego Pituca e Carlos Sánchez; Marinho, Kaio Jorge e Soteldo. Técnico: a definir. 

SÃO PAULO

O elenco do São Paulo e Fernando Diniz terão de se provar novamente para que o time faça uma boa campanha no Campeonato Brasileiro. Embora conte com boas opções à disposição do treinador, a equipe inicia o torneio sob desconfiança após cair nas quartas de final do Campeonato Paulista.

Sem conquistar um título de expressão desde 2012, quando faturou a Copa Sul-Americana, o São Paulo foi surpreendido pelo Mirassol, no Paulistão, e trouxe à tona um cenário conhecido: o de crise. O grupo de jogadores e Diniz foram alvo de protestos de torcedores, assim como a diretoria, que optou por bancar a permanência do técnico. Mas o clima de insegurança e pressão podem atrapalhar.

Dominante no futebol brasileiro na década passada, o São Paulo parece ter perdido o caminho em anos recentes. Com Diniz, foi sexto colocado no Brasileirão do ano passado, mas ainda não é suficiente. Para dar tranquilidade e recuperar a aura vencedora, o São Paulo aposta em Daniel Alves, que vem se destacando no meio-campo.

Além disso, formava uma interessante dupla de volantes com Tchê Tchê. São eles que dão apoio ao quarteto ofensivo composto por Igor Gomes, Vitor Bueno. Alexandre Pato e agora Pablo, o substituto de Antony, que se transferiu ao futebol holandês.

  • TIME-BASE - Tiago Volpi; Juanfran, Bruno Alves, Arboleda e Reinaldo; Tchê Tchê, Daniel Alves e Igor Gomes; Vitor Bueno, Alexandre Pato e Pablo. Técnico: Fernando Diniz.

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Pela 1ª vez na Série B, Cruzeiro vai ter dificuldades para buscar o acesso

Equipe mineira é a principal atração do torneio, mas seus concorrentes deverão dar muito trabalho

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2020 | 05h00

O grande destaque do Campeonato Brasileiro da Série B, que começa neste final de semana, é o Cruzeiro. Pela primeira vez fora da elite nacional, deveria ser apontado como favorito a uma das quatro vagas de acesso. Mas há quem veja muitas dificuldades no caminho do time mineiro, mergulhado em dívidas e com um elenco deficiente.

Até o ano passado parecia impensável que o Cruzeiro pudesse ser rebaixado. Na sua sala de troféus, entre outros, estão quatro títulos nacionais (1966, 2003, 2013 e 2014) e seis da Copa do Brasil (1993, 1996, 2000, 2003, 2017 e 2018). Mas o ano não começou bem, com o time dirigido por Enderson Moreira não chegando nem às semifinais do Campeonato Mineiro. Antes 38 vezes campeão estadual, não ficava fora da disputa desde o longínquo 1957. Esta é a realidade atual do clube.

O caixa está vazio pelo descontrole de seus ex-dirigentes e uma dívida calculada em R$ 800 milhões. Deste montante, perto de R$ 30 milhões são a curto prazo só para quitar os débitos junto à Fifa e que podem gerar mais sanções. A primeira resultou na perda de seis pontos por causa de uma dívida com o Al Wahda pelo empréstimo de seis meses do volante Denilson. Um total em torno de R$ 5 milhões.

Enderson Moreira acha que o clube está no caminho certo, mesclando jovens com alguns veteranos como o goleiro Fábio e o atacante Marcelo Moreno. Mas sabe que a missão de buscar o acesso não será fácil. “Temos um time novo, que ainda jogou muito pouco junto. É preciso tempo para chegarmos no ponto ideal. Será necessário muita paciência por parte da torcida e da imprensa, enfim, de todos”, avisou.

A verdade é que o time parece imaturo para disputar uma competição que tem suas características próprias, de muita força e pegada. E terá muitas dificuldades nos seus 38 jogos para seguir o caminho de volta seguido por outros grandes clubes que já sentiram o dissabor de cair como o próprio rival Atlético-MG, rebaixado em 2005 e que se sagrou campeão na temporada seguinte. Fez o tradicional bate-volta como aconteceu com outras forças nacionais como Palmeiras, São Paulo, Vasco, Botafogo e até os gaúchos Grêmio e Internacional.

Outras forças

Bem perto de casa, o Cruzeiro vai ter um forte concorrente na luta pelo acesso: o América-MG, que no ano passado terminou em quinto lugar. O clube ficou conhecido como "time iô-iô" na última década, quando subiu e desceu três vezes. Foi assim em 2010-2011, 2015-2016 e 2017-2018. Sob o comando de Lisca, tem um elenco equilibrado e que passou a fase de classificação do Campeonato Mineiro como único invicto. Caiu nas semifinais diante do Atlético-MG.

São quatro clubes paulistas, entre eles a dupla de Campinas motivada pela rivalidade entre Guarani, campeão brasileiro em 1978, e a Ponte Preta, que frequentou a elite por vários anos nas duas primeiras décadas do século 21. Pela tradição, eles podem brigar pelas primeiras posições. Menos cotados aparecem ainda o Botafogo, de Ribeirão Preto, e o Oeste, rebaixado no Campeonato Paulista para a Série A2.

Os clubes catarinenses também prometem dar trabalho. A Chapecoense, rebaixada no ano passado, parece ter conseguido se equilibrar ao chegar na final do Campeonato Catarinense. O Avaí, rebaixado em 2019, aposta em uma velha fórmula para subir: o experiente técnico Geninho, de 72 anos. Com ele, o time conquistou dois acessos, em 2014 e 2018. O Figueirense aparece bem atrás, ainda tentando se organizar financeiramente. No ano passado chegou a dar W.O. por greve de seus jogadores e quase acabou na Série C.

Há outros clubes com bom retrospecto na Série B e que podem brigar para chegar à elite como Paraná e Operário, pelo Paraná, CRB e CSA, de Alagoas, e o Cuiabá. Sem contar a briga para não cair à Série C. Todos vão brigar ponto a ponto em uma competição longa e cansativa com 38 rodadas, com jogos de ida e volta, até o final de janeiro de 2021.

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Confira a lista de campeões do Campeonato Brasileiro

Flamengo foi o campeão em 2019, mas torneio conta com o Palmeiras como o maior vencedor após a unificação dos títulos

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2020 | 16h58
Atualizado 27 de agosto de 2020 | 10h12

O Campeonato Brasileiro é o principal torneio nacional entre clubes no Brasil. A competição passou a ter esse nome a partir de 1971, mas é disputada desde 1959. A unificação dos títulos aconteceu em 2010 e atualmente o Palmeiras é o maior vencedor da competição, com dez conquistas. O último campeão foi o Flamengo

A CBF decidiu unificar os títulos brasileiros em 2010. A entidade reconheceu que a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa tinham peso equivalente ao Brasileirão. Vale lembrar que a Copa União de 1987 causou polêmica entre Flamengo e Sport, mas o STF (Superior Tribunal de Justiça) determinou que o clube pernambucano foi o campeão naquele ano.

LISTA DE CAMPEÕES BRASILEIROS

  • Palmeiras : 10 (1960, 1967, 1967, 1969, 1972, 1973, 1993, 1994, 2016 e 2018)
  • Santos: 8 (1961, 1962, 1963, 1964, 1965, 1968, 2002 e 2004)
  • Corinthians: 7 (1990, 1998, 1999, 2005, 2011, 2015 e 2017)
  • São Paulo: 6 (1977, 1986, 1991, 2006, 2007 e 2008)
  • Flamengo: 6 (1980, 1982, 1983, 1992, 2009 e 2019)
  • Cruzeiro: 4 (1966, 2003, 2013 e 2014)
  • Fluminense: 4 (1970, 1984, 2010 e 2012)
  • Vasco: 4 (1974, 1989, 1997 e 2000)
  • Inter: 3 (1975, 1976 e 1979)
  • Bahia: 2 (1959 e 1988)
  • Botafogo: 2 (1968 e 1995)
  • Grêmio: 2 (1981 e 1996 )
  • Atlético-MG: 1 (1971)
  • Guarani: 1 (1978)
  • Coritiba: 1 (1985)
  • Sport: 1 (1987)
  • Athletico-PR: 1 (2001)

Para Entender

Brasileirão 2020: onde assistir, premiação, times, calendário e muito mais

Campeonato será finalizado apenas em fevereiro de 2021, em razão do atraso no início da competição, por causa do novo coronavírus

 

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Brasileirão 2020: onde assistir, premiação, times, calendário e muito mais

Campeonato será finalizado apenas em fevereiro de 2021, em razão do atraso no início da competição, por causa do novo coronavírus

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2020 | 10h55
Atualizado 06 de agosto de 2020 | 12h49

Com quase três meses de atraso, o Campeonato Brasileiro de 2020 começa no dia 8 de agosto e 19 clubes buscam tirar o título que está nas mãos do Flamengo, atual campeão. A competição deste ano será bem diferente do que foi em 2019, já que o calendário sofreu alterações, em razão do novo coronavírus, e também podemos ver uma grande disputa pelos direitos de transmissão da competição. 

O Flamengo sem Jorge Jesus, o Palmeiras sem Dudu, o Corinthians com a volta de Jô e o Atlético-MG com Jorge Sampaoli são algumas das novidades que teremos no Nacional. Para tentar facilitar a vida do torcedor, o Estadão explica algumas questões que podem criar dúvidas. Confira a tabela completa do Brasileirão aqui.

Onde assistir o Brasileirão 2020?

Até o ano passado, Rede Globo (TV Globo, SporTV e Premiere) e Turner (TNT e Space) dividiam as transmissão. Quando o jogo era entre equipes que tinham acordo com emissoras diferentes, ninguém passava. Mas em junho deste ano, a Medida Provisória 984, assinada pelo presidente Jair Bolsonaro determinou que os direitos de transmissão passam a ser apenas do time mandante. E deu-se início a uma grande confusão que já pôde ser vista durante o Campeonato Carioca. 

Alguns advogados e clubes defendem a ideia de que a MP só vale para novos contratos. Ou seja, o Brasileirão não sofreria alteração até 2024, quando encerra o atual contrato. Mas há uma outra leitura de que a MP já vale neste momento, então uma emissora poderia passar a partida de um time com quem tenha parceria, mesmo que o adversário tenha fechado com a concorrência. Por enquanto, seguem os direitos do ano passado.O Red Bull Bragantino é o único time que não tem acordo com nenhuma emissora. 

Quando começa

A edição 2020 iria começar no dia 2 de maio, mas em razão da pandemia de novo coronavírus, a data foi alterada para o dia 8 de agosto. E o torneio se encerra no dia 24 de fevereiro de 2021.

Regulamento do Brasileirão

A Série A mantém o regulamento dos últimos anos. São 20 clubes, que se enfrentam em turno e returno e o time que mais pontuar, será declarado o campeão. Os seis primeiros colocados vão para a Copa Libertadores de 2021 e os seis seguintes vão para a Copa Sul-Americana (lembrando que o número de classificados podem alterar, se algum time ficar na zona de classificação para um torneio continental e ser campeão da Libertadores, Copa do Brasil ou Sul-Americana).

Tem VAR no Brasileirão?

Sim, todos os jogos contarão com VAR, o árbitro de vídeo. 

Premiação do Brasileirão 2020

Ao contrário do que aconteceu no ano passado, todos os times irão receber algum valor da CBF pela participação no campeonato. Até o ano passado, os quatro rebaixados não ganhavam nada. O valor irá variar de acordo com a posição da equipe na classificação fical e o campeão ficará com R$ 31,74 milhões (no ano passado, o Flamengo arrecadou R$ 33 milhões).

Confira os valores por posição

  1. R$ 31.746.000
  2. R$ 30.096.000
  3. R$ 28.446.000
  4. R$ 26.796.000
  5. R$ 25.146.000
  6. R$ 23.496.000
  7. R$ 21.846.000
  8. R$ 20.196.000
  9. R$ 18.546.000
  10. R$ 16.896.000
  11. R$ 12.936.000
  12. R$ 11.946.000
  13. R$ 10.956.000
  14. R$ 10.626.000
  15. R$ 10.296.000
  16. R$ 9.966.000
  17. R$ 5.544.000
  18. R$ 5.115.000
  19. R$ 4.785.000
  20. R$ 4.620.000

Times da Série A

  • Athletico Paranaense
  • Atlético Goianiense
  • Atlético Mineiro
  • Botafogo
  • Ceará
  • Corinthians
  • Coritiba
  • Flamengo
  • Fluminense
  • Fortaleza
  • Goiás
  • Grêmio
  • Internacional
  • Palmeiras
  • Red Bull Bragantino
  • Santos
  • São Paulo
  • Sport 
  • Vasco

Lista de campeões

  • Palmeiras : 10 (1960, 1967, 1967, 1969, 1972, 1973, 1993, 1994, 2016 e 2018)
  • Santos: 8 (1961, 1962, 1963, 1964, 1965, 1968, 2002 e 2004)
  • Corinthians: 7 (1990, 1998, 1999, 2005, 2011, 2015 e 2017)
  • São Paulo: 6 (1977, 1986, 1991, 2006, 2007 e 2008)
  • Flamengo: 6 (1980, 1982, 1983, 1992, 2009 e 2019)
  • Cruzeiro: 4 (1966, 2003, 2013 e 2014)
  • Fluminense: 4 (1970, 1984, 2010 e 2012)
  • Vasco: 4 (1974, 1989, 1997 e 2000)
  • Inter: 3 (1975, 1976 e 1979)
  • Bahia: 2 (1959 e 1988)
  • Botafogo: 2 (1968 e 1995)
  • Grêmio: 2 (1981 e 1996 )
  • Atlético-MG: 1 (1971)
  • Guarani: 1 (1978)
  • Coritiba: 1 (1985)
  • Sport: 1 (1987)
  • Athletico-PR: 1 (2001)

 

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