Há 20 anos o Palmeiras acabava com um jejum de 17 anos sem títulos

Ao derrotar o Corinthians na final do Paulista de 1993 o clube retomou o caminho das conquistas

Ciro Campos e Daniel Batista, O Estado de S. Paulo

12 de junho de 2013 | 07h30

SÃO PAULO - Há exatos 20 anos, o torcedor palmeirense voltava a sorrir, vestir a camisa e soltar o grito preso na garganta por 17 anos: “É campeão!”. A cidade de São Paulo parou como poucas vezes aconteceu em um título de futebol e o verde tomou conta das ruas. Campeão paulista, o Palmeiras volta a figurar entre os grandes e começava a escrever um dos períodos mais vitoriosos do futebol nacional.

Não faltou nada naquele 12 de junho de 1993. Gols, provocação, emoção e público. No total, 104.401 torcedores – público inimaginável nos dias de hoje – se espremiam para conseguir ver o jogo. A vitória do Corinthians no primeiro jogo, por 1 a 0 e a comemoração de Viola imitando um porco, serviram para esquentar ainda mais a decisão.

Aquele era o primeiro título que a equipe montada pela Parmalat conquistava e até então, a expectativa por bons resultados era enorme. Para fugir da pressão da torcida e da imprensa, o Palmeiras se refugiou em Atibaia, em clima total de concentração.

Nessa espécie de "retiro", o técnico Vanderlei Luxemburgo usou muito a parte psicológica e levou a campo um time com brio e vontade para vencer qualquer adversário. Antes do jogo, um vídeo com cenas dos familiares e a polêmica comemoração de Viola inflou ainda mais o ânimo dos palmeirenses.

E o Palmeiras entrou em campo voando. Aos 36 minutos, Zinho abriu o placar. Apesar da inúmera vontade demonstrada em campo, não era apenas isso que aquele time tinha. A técnica era abundante e jogadores como Roberto Carlos, Mazinho, Zinho e Edmundo ajudaram a construir um placar elástico. No tempo normal o time ainda marcou com Evair, aos 29 e Edilson, aos 38, ambos do segundo tempo. E o jogo foi para a prorrogação. Era necessário ganhar no tempo extra também

A tensão era gigante. Um erro e o sonho de sair da fila morreria. Até que aos 10 minutos, Edmundo fez jogada individual e foi derrubado por Ricardo dentro da área. Evair, com a categoria que lhe era peculiar, bateu muito bem e com extrema tranquilidade no canto direito.

Mas o lance que deu o título quase ganhou outro fim. Edmundo pediu, através de César Sampaio, para bater o pênalti, mas Evair não deixou. Acabou vindo dele o chute certeiro que colocou um ponto final no jejum e iniciou a transição para a retomada de uma era vitoriosa. O Palmeiras resgatou naquela tarde a confiança e o prazer de ser campeão e se acostumou a ganhar taças. No mesmo ano ainda viriam as conquistas do torneio Rio-São Paulo e do Campeonato Brasileiro.

LIVRO

O aniversário de 20 anos ganha também uma comemoração diferente nesta quarta-feira, com o lançamento do livro “Sociedade Esportiva Palmeiras 1993 – Fim do jejum, início da lenda” na loja oficial do clube, na Rua Augusta. A obra é de autoria de Mauro Beting e Fernando Galuppo.

FICHA TÉCNICA

Finalíssima - Campeonato Paulista de 1993

CORINTHIANS: Ronaldo, Leandro Silva, Marcelo, Henrique e Ricardo; Marcelinho Paulista, Ezequiel, Neto e Paulo Sérgio; Viola e Adil (Tupãzinho e depois Wilson). Técnico: Nelsinho Baptista.

PALMEIRAS: Sérgio, Mazinho, Antônio Carlos, Tonhão e Roberto Carlos; César Sampaio, Daniel Frasson, Edílson (Jean Carlo) e Zinho; Edmundo e Evair (Alexandre Rosa). Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Estádio: Morumbi

Árbitro: José Aparecido de Oliveira

Público: 104.401 pessoas

Gols: Zinho 36/1ºT; Evair 29 e Edílson 39/2ºT; Evair (pênalti) 9/1ºT da prorrogação.

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