Há 25 anos, Ricardo Teixeira assumia o comando da CBF

Até a renúncia, em março de 2012, dirigente foi reeleito cinco vezes, totalizando 23 anos e 56 dias no cargo

Diego Salgado, O Estado de S. Paulo

16 de janeiro de 2014 | 05h00

SÃO PAULO -  A era Ricardo Teixeira, a maior da história da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), teve início há exatos 25 anos. No dia 16 de janeiro de 1989, o dirigente assumiu o comando da entidade ao ser eleito por aclamação na sede do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Até a renúncia, anunciada 23 anos e 56 dias depois, em 12 de março de 2012, Teixeira foi reeleito cinco vezes.

O dirigente ascendeu ao cargo sob a tutela do sogro e então presidente da Fifa, João Havelange. Contou, à época, com a retirada da candidatura de Octávio Pinto Guimarães, que, inicialmente, pretendia ser reeleito após três anos no comando da CBF (de 1986 a 1989). Sem opção, as 26 federações votaram em Ricardo Teixeira. Depois do pleito, Guimarães "ganhou" a indicação para um cargo na entidade, o de presidente do Conselho Fiscal.

O primeiro ato de Teixeira à frente da CBF foi polêmico. Como havia prometido durante a campanha, o dirigente anunciou uma lista de 39 jogadores da nova seleção brasileira de Sebastião Lazaroni. O técnico, que iria comandar a equipe na Copa de 1990, estava na Arábia Saudita havia cinco meses. Coube ao diretor de futebol da entidade, Eurico Miranda, anunciar os nomes dos atletas.

Com Teixeira à frente da CBF, a seleção brasileira voltou a coqnuista a Copa América após 40 anos ao vencer o Uruguai por 1 a 0 no Maracanã, no dia 16 de julho de 1989. O time de Lazaroni, entretanto, fracassou 11 meses depois na tentantiva de colocar ponto final ao jejum de 20 anos sem títulos mundiais. No calendário nacional, a principal mudança foi a criação da Copa do Brasil, já em 1989.

REELEIÇÃO

A primeira manobra de Ricardo Teixeira a fim de continuar na presidência da CBF foi a antecipação da eleição, que ocorreria em janeiro de 1992. A eleição deu-se em julho de 1991 e, novamente, teve apenas Teixeira como candidato. Escolhido por unanimidade, o dirigente teria mais quatro anos à frente da entidade. Em 1995 e 1999, também no mês de julho, Teixeira foi reeleito sob o mesmo roteiro.

Após mais uma vitória em 2003, ocorreu uma mudança no estatuto da CBF para o pleito seguinte, em julho de 2007. Vitorioso pela sexta vez, o dirigente ficaria no cargo até janeiro de 2012. Caso o Brasil conquistasse o direito de organizar a Copa 2014, o mandato iria até 2015. Acusado de corrupção e com a saúde debilitada, Teixeira renunciou ao cargo de presidente da CBF e do Comitê Organizador Local (COL) da Copa. Além disso, o cartola deixou o Comitê Executivo da Fifa.

DENÚNCIAS

Ricardo Teixeira é acusado de receber, ao lado de João Havelange, mais de R$ 40 milhões da ISL, empresa de marketing, que faliu em 2001. Os pagamentos teriam sido feitos entre 1992 e 2000. O trâmite garantia exclusividade em transmissões e patrocínios para a Copa do Mundo. Os dirigentes, então, pagaram uma multa de US$ 2,45 milhões, como forma de encerrar o caso com a Fifa. Em outubro de 2011, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, afirmou que o caso seria reaberto.

A renúncia de Ricardo Teixeira impediu que ele tentasse repetir o caminho de João Havelange, que comandou a CBD entre 1958 e 1974. Depois, o dirigente assumiu a presidência da Fifa. Havelange esteve à frente da entidade máxima do futebol até 1998, ano em que Blatter passou ao comando. Desde a renúncia, Teixeira vive em Miami, no estado da Flórida, nos Estados Unidos. 

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