Reprodução/JT - 22/01/1984
Reprodução/JT - 22/01/1984

Há 30 anos, sonho virou realidade para poucos jogadores

Da decisão entre Santos e Corinthians da Copa São Paulo de 1984, nove conseguiram atuar nos times profissionais

Diego Salgado, O Estado de S. Paulo

24 Janeiro 2014 | 05h00

SÃO PAULO - Conhecida por revelar jogadores, a Copa São Paulo de Futebol Júnior traça destinos diferentes aos atletas que sonham com gols e títulos no time profissional. Neste ano não será diferente. Corinthians e Santos disputam neste sábado a final da 45.ª edição da Copinha, como ocorreu há 30 anos.

Em 1984, os times chegaram à final da competição com  jogadores promissores no elenco. Pelo lado corintiano, a maior aposta era o zagueiro Marcelo Djian. No santista, o atacante Gérson e o volante César Sampaio, que viu a vitória do Santos por 2 a 1 do banco de reservas. Nos anos seguintes, os três responderam às expectativas e se destacaram nos principais times do País.

Mas havia também os jogadores distantes dos holofotes, que, no futuro, precisaram trilhar novos caminhos.Exemplos não faltam. No Corinthians, apenas quatro jogadores que pisaram no gramado do Canindé naquele domingo à tarde tiveram a oportunidade de jogar no profissional do time. Além de Marcelo, o zagueiro Pinella, o meia Edmundo e o ponta-direita Aguinaldo. O restante da equipe teve vida curta no clube. O meia Careca, por exemplo, deixou o Corinthians rumo ao Equador. O volante Moisés, por sua vez, jogou no Japão. Já Alexandre, goleiro corintiano, optou por deixar o futebol para estudar engenharia.

O ponta Aguinaldo jogou apenas cinco jogos no time principal. Sem sucesso, encerrou a carreira aos 30 anos, após passar por Sport e Paysandu. "A carreira não decolou. Cansei de rodar pelos times e ficar sem receber", afirmou o ex-jogador, que estudou Educação Física. Pinella pendurou as chuteiras aos 28 anos. O jogador chegou a defender o time alvinegro até 1989. Após a saída do Corinthians, jogou em sete clubes. Dores no joelho e problemas com os salários, contudo, abreviaram a carreira. "Larguei para ter alguma chance. Fiz administração", disse. Hoje, 20 anos depois, Pinella é vice-presidente financeiro do Sindicato de Atletas de São Paulo.

No Santos, poucos vingaram. Foi o caso do goleiro Nílton, dos zagueiros Pedro Paulo e Flávio, além do ponta Paulo Leme, que, suspenso, não disputou a final. “Depois joguei no Paulista de 1986, quando vencemos o primeiro turno”, lembra. Paulo também esteve no Náutico e no Palestra de São Bernardo.

O JOGO

Corinthians e Santos decidiram a Copinha de 1984 no dia 22 de janeiro, com mais de 20 mil torcedores nas arquibancadas do Canindé. Para chegar à final, o time santista eliminou o Cruzeiro, a Ponte Preta e o Nacional. Já a equipe corintiana venceu Botafogo, Flamengo e São Paulo. Na equipe são-paulina, jogavam Müller e Silas. No Flamengo, o goleiro Zé Carlos e o zagueiro Aldair.

O Corinthians da final jogou no 4-3-3. Sob o comando de Écio Pasca, treinador da Portuguesa de Dener no título da Copinha de 1991, o time sofreu o primeiro gol aos 18 minutos do primeiro tempo. Gérson, que depois defendeu Atlético-MG e Internacional - falecido em 1994, completou para o gol após falta batida pela direita. O corintiano Rogério, na entrada da área, empatou 14 minutos depois. 

De acordo com Écio Pasca, o time alvinegro, que buscava o terceiro título do torneio, acabou prejudicado pelo árbitro José de Assis Aragão no último lance do jogo, quando o Santos conseguiu desempatar a partida."O jogo ia para a prorrogação. A bola bateu no Gérson e saiu pela linha de fundo, mas o Aragão marcou escanteio", disse.

Após a cobrança, Flávio subiu e fez 2 a 1 para o Santos, que conquistou a Copa São Paulo pela primeira vez. "Eu estava marcando o outro zagueiro, o Pedro Paulo. O Flávio cabeceou forte e o Alexandre não conseguiu defender", lembra Pinella.

Ao término da partida, coube a Aguinaldo voltar ao campo e buscar o troféu do vice-campeonato do Corinthians. "Todo mundo foi embora chorando e esqueceu da taça", disse.

Pouco mais de dez meses depois, o Santos voltou a vencer o Corinthians, dessa vez no Campeonato Paulista profissional. Serginho marcou o gol do título santista e evitou o tricampeonato corintiano.

ESCALAÇÕES

O Santos do técnico Ernesto Rodrigues sagrou-se campeão da Copa São Paulo de 1984 com Nílton; Amauri, Pedro Paulo, Flávio e Mário; Mazinho, Enéias e Édson; Mauro, Gérson e Guinho. Écio Pasca escalou o Corinthians com Alexandre; Éder, Marcelo, Pinella e Brandão; Moisés, Careca e Edmundo; Aguinaldo, Carioca e Rogério.

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