Há 32 anos, Colômbia disse não à Fifa e desistiu da Copa de 1986

País, que enfrentava dificuldades econômicas em 1982, preferiu não atender 'às extravagâncias' da entidade

Diego Salgado, O Estado de S. Paulo

17 de fevereiro de 2014 | 19h56

SÃO PAULO - Curitiba corre sério risco de ser excluída da Copa do Mundo nesta terça-feira. A 115 dias da abertura da competição, as obras da Arena da Baixada estão longe de serem concluídas. Além disso, o Atlético-PR precisa de mais R$ 65 milhões para finalizar a reforma da arena, incluindo todas as exigências da Fifa. Situação parecida vivia a Colômbia, em outubro de 1982. O país, no entanto, disse não à Copa de 1986 e à entidade máxima do futebol.

Escolhida sede do Mundial no dia 9 de setembro de 1974, a Colômbia enfrentava dificuldades econômicas no começo da década de 1980. O cenário levou o presidente Belisario Betancur, empossado no cargo em 7 de agosto de 1982, a tomar a decisão. Segundo o político, a realização do megaevento em solo colombiano não estava de acordo com a realidade do país.

"Aqui não se cumpriu com a regra de ouro em que a Copa deve servir à Colômbia e não a Colômbia à multinacional Fifa. Por essa razão, a Copa de 1986 não ocorrerá no nosso país. Não há tempo para atender às extravagâncias da Fifa e seus sócios", disse Betancur no dia 25 de outubro de 1982.


A Fifa, por sua vez, rebateu as críticas do presidente colombiano. Segundo a entidade, a culpa era do país, que não soube se organizar. "A Fifa não tem culpa se a Colômbia, apesar de ter tido 12 anos para se preparar, diz que não consegue organizar uma Copa do Mundo. Acredito que Betancur deveria ficar triste com a situação e assumir a responsabilidade, em vez de fazer críticas à Fifa. Tenho certeza que vários países vão querer organizar a Copa”, declarou à época.

As exigência da entidade estavam, sobretudo, ligadas às capacidades dos 12 estádios necessários para a Copa do Mundo de 1986. As arenas que seriam utilizadas na primeira fase deveriam ter mais de 40 mil lugares. Nas fases seguintes, os locais teriam que comportar até 60 mil torcedores. O estádio da final, por sua vez, precisaria ter capacidade para receber 80 mil pessoas.

ATRASOS

Em 1979, a preparação colombiana para o Mundial já dava sinal de atrasos. Na ocasião, apenas um estádio estava pronto: o Olímpico Pascual Guerrero, em Cali, qua havia sido utilizado no Pan-Americano de 1971. Somente mais um estava em obras, o Metropolitano Roberto Meléndez, em Barranquilla.

Em abril de 1982, antes da posse de Betancur, uma reunião do governo local com um grande grupo econômico local, o Grancolombiano, já previa que seria complicado erguer tantos estádios para a competição. A Colômbia ainda ampliaria o estádio usado por Nacional e Independiente de Medellin. A capacidade passaria de 32 mil para 60 mil lugares. Bogotá, Ibagué, Bucaramanga também seriam as sedes da Copa de 1986.

PLANO B

Após a desistência, a Fifa marcou uma reunião do Comitê Executivo da entidade, que seria realizado no dia 18 de dezembro daquele ano, em Zurique.  No encontro, seriam abertas as inscrições para os novos candidatos. Segundo a Fifa, os 23 países da Concacaf e mais nove da Conmebol poderiam se tornar sede da Copa. Faltavam apenas 43 meses para a abertura do Mundial.

O Brasil logo se candidatou. Giulite Coutinho, então presidente da CBF, confirmou o interesse. Mas os problemas econômicos do País também impediram a organização do evento. Canadá, Estados Unidos e México também eram apontadas como possíveis sedes. Em junho de 1983, em Estocolmo, a Fifa decidiu conceder aos mexicanos a organização do Mundial.

O país realizou a preparação para a competição mesmo com o terremoto ocorrido dia 19 de setembro de 1985, que atingiu 8,1 graus na escala Richter. Os 52 jogos foram disputados em 12 estádios – assim como a Fifa exigiu aos colombianos. Seis deles, porém, tinham menos de 40 mil lugares. Cinco já haviam sido usados na Copa de 1970.

 

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