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Última partida do Paulistão de 1974 foi disputada no Morumbi Arquivo/Estadão

HÁ 40 ANOS, PALMEIRAS PROLONGAVA JEJUM DE TÍTULOS CORINTIANO

No dia 22 de dezembro de 1974, a equipe alviverde bate o rival por 1 a 0, gol de Ronaldo, diante de 120 mil torcedores no Morumbi, na final do Paulistão

Diego Salgado e Wilson Baldini Jr., O Estado de S. Paulo

22 de dezembro de 2014 | 07h00

Um sonho desfeito em cinco segundos, tempo suficiente para um cruzamento bem executado, uma assistência perfeita e uma conclusão certeira. A  sequência, responsável pelo gol da vitória do Palmeiras sobre o Corinthians na decisão do Campeonato Paulista de 1974, completa exatos 40 anos nesta segunda-feira.

A partida disputada no dia 22 de dezembro daquele ano, no Morumbi, representava muito aos arquirrivais. O Corinthians tinha a chance de, enfim, pôr fim à fila de 20 anos sem títulos. O Palmeiras, de prolongar o sofrimento alvinegro e, de quebra, erguer a quarta taça em três brilhantes temporadas.

A derrota corintiana, além de dar sequência ao jejum, foi decisiva para a saída do maior ídolo do clube. Rivellino, depois de 471 jogos e 141 gols pela equipe alvinegra, acabou  vendido ao Fluminense após ser apontado como um dos culpados pelo fracasso na decisão. No clube carioca, o camisa 10 sagrou-se campeão (em 1975 e  1976, bicampeonato estadual).

 

Em 1974, entretanto, Rivellino quase conseguiu tirar o Corinthians da fila. O campeonato daquele ano foi disputado por 14 times, em dois turnos. Os vencedores fariam a final do torneio - se um time liderasse as duas fases, seria campeão com antecedência. Regular, o time alvinegro conquistou o primeiro turno ao bater o São Paulo por 1 a 0 no Pacaembu, gol do atacante Zé Roberto no começo do segundo tempo, com quase 53 mil torcedores no Pacaembu.

Na sequência do Paulistão, o Palmeiras se recuperou. Sem derrotas, chegou à liderança e garantiu vaga na final. O arquirrival, por sua vez, vez uma campanha apenas regular. Na oitava posição, no entanto, o Corinthians pôde escolher o adversário da final. Na última rodada, o time treinado por Sylvio Pirillo enfrentou o Palmeiras, que tinha uma ponto de vantagem sobre o São Paulo (19 a 18).

O técnico corintiano, então, escalou alguns reservas. O fato ajudou o time palmeirense, que venceu por 4 a 1 e garantiu a vaga na decisão. Na primeira final, disputada no Morumbi, Edu Bala colocou o Palmeiras de Oswaldo Brandão na frente logo no primeiro minuto de jogo. Lance empatou de cabeça em seguida. 

Na última partida, um empate no tempo normal e na  prorrogação levaria a decisão para os pênaltis. O atacante Ronaldo evitou o desgaste ao marcar o gol do título aos 24 minutos da etapa final. A jogada bem executada pelo lateral Jair Gonçalves e pelo ponta de lança Leivinha calou boa parte dos 120.522 torcedores que foram ao Morumbi - estima-se que 100 mil corintianos estavam presentes ao estádio.

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Derrota em 1974 abreviou história de Rivellino no clube

Depois de perder para o Palmeiras na final do Paulistão de 1974, o camisa 10 foi apontado como um dos responsáveis pelo fracasso

Diego Salgado e Wilson Baldini Jr., O Estado de S. Paulo

22 de dezembro de 2014 | 07h00

Rivellino jogou, há 40 anos, a última das suas 471 partidas com a camisa do Corinthians. Depois da derrota para o Palmeiras na final do Paulistão de 1974, o craque foi apontado pela torcida e pelo presidente Vicente Matheus como um dos responsáveis pelo fracasso. No dia 31 de janeiro de 1975, o dirigente corintiano selaria o destino do camisa 10 após uma viagem ao Rio de Janeiro: ele jogaria no Fluminense.

No clube carioca, a estrela corintiana conseguiu, enfim, erguer uma taça. Com direito a gol na primeira partida do triangular final, diante do Vasco, Rivellino conquistou o título do Campeonato Carioca oito meses após deixar o Parque São Jorge. No ano seguinte, sagrou-se bicampeão com o Fluminense. O Corinthians, por sua vez, precisou esperar quase três anos para voltar à rota vencedora - o fato deu-se no dia 13 de outubro de 1977, contra a Ponte Preta, na final do Paulistão.

A derrota para o Palmeiras em 1974 foi responsável por mudanças no elenco. Além de Rivellino, o goleiro Buttice e o zagueiro Brito deixaram o clube. Uma semana após a final, Vicente Matheus já admitia vender alguns jogadores. "Aqueles que forem considerados culpados irão ao clube apenas para receber seus salários, ficando inclusive proibidos de treinar, até o vencimento do seu contrato", disse o dirigente ao Estado.

O presidente do clube reclamou também da apatia de alguns atletas durante a partida. "Será possível que aquela manifestação (dos torcedores) não serviu para incentivar nossos jogadores? Não consigo entender o que se passou com o time, que tinha vários jogadores completamente apáticos. E é pensando nos 100 mil torcedores que foram ao Morumbi que me proponho a tomar providência", afirmou.

O valor recebido pelo passe de Rivelino (3 milhões de cruzeiros) foi usado para pagar dívidas. O Fluminense pagou à vista. O acordo também previa a disputa de dois jogos, um no Rio, outro em São Paulo. No Maracanã, dia 8 de fevereiro, o time carioca fez 4 a 1, com três gols de Rivellino. Um mês depois, no Pacaembu, o ex-corintiano voltou a marcar - o Corinthians, na ocasião, perdeu por 2 a 1.

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'Nós queríamos dar o título para a torcida', admite Zé Maria

Em entrevista ao Estado, ex-lateral-direito lamenta a saída de Rivellino depois de o Corinthians perder a final do Paulistão 1974

Entrevista com

Zé Maria

Diego Salgado e Wilson Baldini Jr. , O Estado de S. Paulo

22 de dezembro de 2014 | 07h00

Um dos maiores símbolos do Corinthians de todos os tempos, Zé Maria viveu situações distintas no Parque São Jorge. Em 1974, conheceu, segundo ele mesmo, a maior decepção da carreira ao perder a final do Campeonato Paulista para o rival Palmeiras. Três anos depois, o ex-lateral-direito foi peça fundamental na campanha vitoriosa no estadual, responsável pelo término do jejum de 23 anos sem títulos.

Em entrevista ao Estado, Zé Maria compara as duas situações e lamenta a saída do craque Rivellino poucos dias depois de o Corinthians perder para o Palmeiras a decisão disputada no Morumbi, fato que completa 40 anos. O corintiano também exaltou a presença de Oswaldo Brandão na campanha vitoriosa de 1977.

O que você lembra da final de 1974?

Se eu pudesse, eu apagaria do meu currículo. Foi uma decisão terrível. A maior decepção da minha vida. Fiz uma das piores partidas no Corinthians. Nem Corinthians e nem Palmeiras. Ninguém jogou bem naquele dia.

Como foi a pressão por causa do jejum?

A torcida sofria muito com gozação e nós queríamos dar o título para ela. A maioria dos jogadores do time, quase todos, eram corintianos mesmo. Na época, fomos fazer a preparação para a decisão em Águas de Lindoia e isso tirou o time do clima da decisão.

O clima era diferente do de 1977?

Em 1977, tínhamos o Oswaldo Brandão, o João Avelino e o José Teixeira, que orientaram muito os jogadores. Davam tranquilidade. O Brandão tinha sido o técnico do Palmeiras em 1974. Vencemos a Ponte e venceríamos de qualquer jeito sempre que precisássemos.

E a saída do Rivellino?

A única derrota do Vicente Matheus em todo o período dele no Corinthians foi a saída do Rivellino. O Corinthians perdeu muito com isso. Lembro que quando a gente fez o amistoso com o Fluminense, em fevereiro de 1975, eu e outros jogadores fomos até o Rivellino pedir desculpas por não ter feito nada para que ele continuasse no clube. O jogo foi no fim do ano e a negociação foi feita nas férias. 

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'O Brandão soube nos preparar', diz Alfredo Mostarda

Ex-zagueiro do Palmeiras relembra, em entrevista ao Estado, o nervosismo dos jogadores do Corinthians após a abertura do placar

Entrevista com

Alfredo Mostarda

Diego Salgado e Wilson Baldini Jr., O Estado de S. Paulo

22 de dezembro de 2014 | 07h00

O ex-zagueiro Alfredo Mostarda fez parte da grande equipe do Palmeiras da década de 1970. Em 1974, ajudou a equipe alviverde a prolongar o sofrimento do arquirrival Corinthians. Em campo, viu Leivinha subir mais do que Brito e servir Ronaldo, autor do gol do título estadual daquele ano.

Alfredo também presenciou o nervosismo dos jogadores alvinegros após a abertura do placar. Depois da histórica partida, sofreu com a atitude de alguns torcedores rivais, insatisfeitos com o resultado. De família corintiana, o ex-zagueiro relembra dos fatos ligados ao título do Paulistão de 1974, conquistado há exatos 40 anos. 

Qual o papel o Oswaldo Brandão na conquista de 1974?

Ele foi essencial, comandava o grupo muito bem. O Brandão soube nos preparar para a partida. Sempre tinha alguma coisa diferente. Durante a semana, o Brandão disse que teríamos de entrar para o jogo mais fortes, por causa da situação do Corinthians. A imprensa falou demais e até nos ajudou de certa forma. Colocaram a gente lá embaixo. O Brandão falou muito sobre isso durante a semana. Ele nos deu força.

E como lidaram como o fato de o Corinthians enfrentar o jejum?

Nós ficamos na bronca com o Corinthians. Eles jogaram com o time reserva na última partida do segundo turno. Isso nos deu força também. Sabíamos que venceríamos ali e depois na decisão. Tínhamos certeza absoluta que seríamos campeões.

Os jogadores do Corinthians sentiram a pressão no jogo final?

Sim, muito. Principalmente quando tomou o gol. Eles perdiam a bola. Isso não acontecia. Antes, eles achavam que iriam decidir a partida a qualquer momento. Mas mudaram depois do gol. Sentíamos que o problema, no caso, era emocional.

Como a torcida se comportou depois?

Alguns amigos meus ficaram na bronca comigo. Eu morava na Penha na época, meu pai era corintiano. Logo depois da partida, fomos para o Parque Antártica. E fui embora para casa em seguida. Minha esposa estava apavorada, pois estavam jogando pedras no telhado. Isso tudo me chateou muito. A torcida do Corinthians ficou muito brava.

O gol foi marcado na reta final do segundo tempo. O que você lembra da jogada?

O Leivinha subiu muito na jogada. O Jair Gonçalves cruzou da direita, o Leivinha cabeceou e o Ronaldo pegou de sem-pulo. Foi sensacional. A gente sentia que jamais perderia o título.

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