Claudine Petroli/Estadão
Claudine Petroli/Estadão

Há 45 anos, Pelé se despedia do Santos 'com volta olímpica e tímida salva de palmas'

Rei do Futebol atuou por 21 minutos na partida contra a Ponte Preta quando o jogo foi interrompido para homenagens ao Rei

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2019 | 09h37

Ajoelhado no centro do campo, numa imagem que já entrou para a história, os braços abertos e chorando. Foi assim que Pelé, o maior jogador de futebol de todos os tempos, encerrou sua carreira, aos 21 minutos do jogo contra a Ponte Preta, na Vila Belmiro. O estádio não estava lotado, como se esperava, e a sua volta olímpica foi acompanhada por uma tímida salva de palmas. Com a camisa na mão, Pelé correu para os vestiários e minutos depois aparecia na parte dos funtos do estádio, onde um carro da Polícia Militar estava à sua espera.

Foi assim que há 45 anos o Estado de S. Paulo noticiou a despedida de Pelé do Santos. Depois de 18 anos defendendo as cores alvinegras, o Rei do Futebol deu adeus aos torcedores na Vila Belmiro, numa vitória por 2 a 0 sobre a Ponte Preta, de Campinas. Pelé jogou 21 minutos, não fez gol e, já no vestiário, se emocionou. Na época ainda não estava definido, mas o camisa 10 defenderia o Cosmos, dos Estados Unidos, por mais um período em sua carreira. Na terça-feira, curiosamente, completou 42 anos do adeus dele do time norte-americano. 

O fotógrafo Reginaldo Manente flagrou os momentos solitários de Pelé no vestiário antes de deixar a Vila Belmiro e uma carreira linda que começou aos 15 anos. Na galeria de fotos do acervo do Estado, Pelé aparece sem camisa, trocando de roupa, emocionado. Na porta do armário é possível ver mensagens ao Rei do Futebol.

A reportagem que relata os últimos momentos de Pelé com a camisa do Santos, no entanto, não é a principal da página do jornal. Foi colocada ao lado com o título: De joelhos, braços abertos, tudo acabou. Na verdade, Pelé saía de cena para entrar para a história, se tornaria nas décadas seguintes referência no futebol, idolatrado em vida e menino-propaganda de marcas importantes.

O destaque do dia no jornal foi uma reportagem em tom crítico à diretoria santista, que deu prioridade a políticos em vez de abraçar seu maior astro: "Uma festa tropical, e foi-se o tempo de Pelé", estampava a manchete. 

O texto questionava a presença de uma faixa pedindo votos ao candidato a deputado Athié Jorge Coury. E seguia informando sobre o excessivo destaque dado ao prefeito Manuel de Carvalho no vestiário, enquanto ignorava a despedida do homem que fez o clube faturar US$ 7 milhões em excursões pelo mundo. Pelé fez do Santos um time conhecido mundialmente.

O Santos destacou nesta quarta-feira em suas redes sociais a efeméride do Rei. "Há 45 anos, @Pele interrompia a partida contra a Ponte Preta aos 21 minutos e se ajoelhava no centro do gramado da Vila Belmiro, abrindo os braços para agradecer a todos os presentes naquele momento histórico. Era a última partida oficial do Rei com o #MantoSagrado." Perto de fazer 79 anos, Pelé reduziu sua agenda de viagens e aparições públicas, usa uma cadeira de rodas quando tem de se locomover em ambientes mais demorados, cuida mais da saúde, mas nunca deixou de morar em Santos, apesar de ser um "cidadão do mundo". 

 

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