Acervo Estadão
Acervo Estadão

Há 50 anos, Pacaembu era palco de duelo histórico entre Santos e Corinthians

“Com Pelé, com Edu, quebramos o tabu”, se esgoelavam os torcedores do Corinthians pelas ruas do bairro em 1968

Wilson Baldini Junior, O Estado de S.Paulo

04 Março 2018 | 07h00

O Pacaembu volta a ser palco de um duelo entre Santos e Corinthians, neste domingo, às 17 horas. É jogo importante, mas o clima, com certeza, será muito diferente daquele 6 de março de 1968, uma quarta-feira de Cinzas, em que Pelé e Rivellino desfilavam suas genialidades no Paulo Machado de Carvalho – ícone da cidade.

Santos informa que mais de 34 mil ingressos foram vendidos para o clássico

O time de Parque São Jorge não vencia o rival da Vila Belmiro desde 1957. Eram 22 jogos pelo torneio estadual, à época um dos mais valorizados de São Paulo. O Pacaembu estava “completamente lotado”, como descrevia Fiori Gigliotti, lendário narrador da Rádio Bandeirantes – o público não foi informado.

O Canal 100, histórico programa exibido nos cinemas do País na década, anunciava o clássico como o “Jogo do Ano” no futebol brasileiro. O presidente corintiano Vadih Helou estava confiante. Ele gastara uma fortuna para contratar Buião, Paulo Borges, Flávio e Eduardo. Queria vencer o Santos de Pelé e ganhar um título, que não vinha desde 1954. “Os mais veteranos de clube diziam que muitas vezes o time estava ganhando, mas o “negão” (Pelé) sempre empatava ou virava o jogo para eles”, disse certa vez Paulo Borges em entrevista à TV Cultura, em reportagem de Helvídio Mattos. Borges morreu em 2011. 

A partida começou eletrizante. Rivellino e Eduardo acertaram a trave do goleiro Claudio, enquanto Carlos Alberto Torres fez o mesmo com Diogo. “O Corinthians começou correndo muito, mas nossos defensores estão tranquilos”, comentou Pelé, no intervalo da disputa. 

O Corinthians voltou melhor após o descanso e Flávio perdeu gol incrível. Aos 13, o Pacaembu explodiu. Edson Cegonha tocou para Paulo Borges na meia esquerda, na intermediária santista. “O Sorriso que veio de Bangu” acertou uma bomba de pé esquerdo no ângulo do gol de Claudio, que pulou, mas não defendeu. “Estremece o Pacaembu. Linda manobra do ataque corintiano. É o carnaval corintiano, torcida brasileira”, informou Fiori.

Aos 31, Flávio Minuano, com outra bomba, de direita, fez o segundo do Corinthians. “Estávamos preparados. Foi um exagero ficar 11 anos sem perder. Outros times de menor categoria já venceram o Santos e o Corinthians. Tem de fazer festa mesmo. Foi uma justa vitória”, disse Pelé diante dos corintianos que invadiram.

“Com Pelé, com Edu, quebramos o tabu”, se esgoelavam os torcedores do Corinthians pelas ruas do bairro. “O engraçado é que eles cantavam 1,2, 3, o Santos é freguês”, lembrou Edu.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.