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Há cinco anos, Rússia e Catar viravam sedes das Copas de 2018 e 2022

Países foram escolhidos pela Fifa em 2 de dezembro de 2010

O Estado de S. Paulo

02 de dezembro de 2015 | 07h00

Há exatos 5 anos, Rússia e Catar eram escolhidos como anfitriões das Copas do Mundo de 2018 e 2022, respectivamente, pelos membros do Comitê Executivo da Fifa. Pela primeira vez na história, a entidade elegia duas sedes ao mesmo tempo. No entanto, a eleição dupla ficou manchada por descrédito e denúncias de corrupção.

Para serem eleitos, Rússia e Catar deveriam receber a maioria dos votos (50% mais um) do colegiado da Fifa. Sem dificuldades, os países lideraram o pleito em todas as rodadas até sacramentar a vitória. Os russos derrotaram a Inglaterra logo na primeira chance. Na sequência, obtiveram 13 votos, o suficiente para desbancarem as candidaturas conjuntas de Portugal e Espanha (sete) e de Bélgica e Holanda (dois), ficando com o Mundial de 2018. 

Já os catarianos mostraram domínio completo diante dos adversários. Logo na primeira rodada, receberam 11 dos 22 votos - inclusive o de Ricardo Teixeira, presidente da CBF na época - e quase colocaram fim à votação precocemente. Austrália, Japão, Coreia do Sul e os Estados Unidos foram eliminados e viram o Catar ganhar o direito de receber a Copa do Mundo de 2022 no dia 2 de dezembro de 2010.

Em junho deste ano, o auditor da Fifa, Domenico Scala, indicou ao Estado que poderia ocorrer a revisão das sedes de 2018 e 2022 se ficasse provado que houve suborno e compra de votos no processo de escolha. O presidente suspenso da Fifa, Joseph Blatter, é um dos principais defensores do Mundial da Rússia e ganhou o presidente Valdimir Putin como aliado.

COPA 2018

Em 2012, a Rússia divulgou o orçamento para a Copa de 2018 e prometeu desembolsar 664 bilhões de rublos (valor correspondente a US$ 20,5 bilhões). Diante da desvalorização da moeda russa, o investimento sofreu uma redução de 10% neste ano (cerca de US$ 10 bilhões ou R$ 38,6 milhões) e mudou o panorama estrutural da competição. Parte da quantia está sendo destinada à infraestrutura e um terço à construção de estádios e outras instalações esportivas. Devido ao novo cenário econômico, dois dos 12 estádios tiveram a capacidade reduzida de 45 para 35 mil lugares.

A Copa do Mundo da Rússia terá início em 14 de junho de 2018 e terminará em 15 de julho, a abertura e a final serão disputadas no Estádio Luzhniki, em Moscou. A Fifa também confirmou uma semifinal no Estádio Luzhniki, em 11 de julho, e a outra em São Petersburgo, um dia antes.

Além disso, o país vai reunir oito seleções na Copa das Confederações de 2017, entre 17 de junho e 2 de julho. O Brasil, último anfitrião da competição, terá de ganhar em campo o direito de participar do evento. O time de Dunga já disputa as Eliminatórias Sul-Americanas, que darão quatro vagas aos primeiros colocados e mais a chance de repescagem ao quinto. 

COPA 2022

Pela primeira vez na história, a Copa do Mundo será disputada fora de seu período tradicional, entre os meses de junho e julho. Após muita pressão devido ao clima árido do Catar, a Fifa anunciou que o Mundial será no inverno do Hemisfério Norte, entre 21 de novembro e 18 de dezembro de 2022. As novas datas exigiram uma competição mais compacta, com 28 ao invés de 32 dias ao todo.

Durante o verão no país árabe, a sensação térmica pode ultrapassar os 50ºC. O Catar lutou em vão para manter a data original com ambiciosos projetos tecnólogicos, alegando que os estádios e os centros de treinamento terão um moderno e avançado sistema de refrigeração. A mudança de data também foi criticada pelos clubes europeus, que serão obrigados a interromper as competições nacionais durante a Copa. Ainda assim, a Fifa estabeleceu a Copa no inverno.

O Catar prevê a construção ou reforma de até 12 estádios e 64 campos de treinamento e estima-se que o custo de cada arena fique em torno de US$ 500 milhões (R$ 1,9 bilhão na cotação atual). Os técnicos alegam que o custo adicional no sistema de refrigeração não é significativo no valor total do projeto. O país tem sido alvo de denúncias de trabalho escravo nas obras para a Copa do Mundo. Vale lembrar que a Fifa que escolheu Rússia e Catar cinco anos atrás para sedes das Copas foi desmantelada por investigações lideradas pela Justiça dos Estados Unidos, com a prisão de dirigentes e com o afastamento do presidente Blatter por 90 dias. 

 

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