Há quase um ano sem jogar, Fábio Costa se diz tranquilo e treina no Atlético-MG

Em entrevista exclusiva, goleiro afirma que não guarda mágoa de Dorival Júnior

Paulo Galdieri, estadão.com.br

13 de agosto de 2011 | 21h58

SÃO PAULO - A rotina de Fábio Costa é bem diferente da que ele se acostumou em quase duas décadas como jogador profissional. De segunda a sexta, ele fica em Belo Horizonte, onde treina diariamente no Atlético Mineiro, separado do restante do elenco principal do time. Aos sábados e domingos, em vez da concentração e da partida, ele vai para sua casa no litoral paulista e fica com a família. Mas, ao contrário do explosivo comportamento que tantas vezes mostrou em campo, o goleiro agora repete sempre que pode: "estou tranquilo".

Com contrato por vencer em dezembro no Atlético Mineiro, mas com vínculo com o Santos até o final de 2013, Fábio Costa só espera para ver o que vai acontecer com a sua carreira.

Em entrevista exclusiva ao estadão.com.br - a primeira desde setembro de 2010, quando ele foi afastado do Atlético-MG - ele diz que não guarda mágoa de ninguém, nem de Dorival Júnior, que o tirou do time no Santos e, depois, no Atlético. "Vou cumprir o que me for pedido."

O que você fazia nesse período em que ficou sem treinar?

Eu cuidava normalmente da minha família, curto minha família. Essa situação não era uma coisa agradável ou que eu desejasse, mas temos que conduzir para que a coisa seja diferente. Estou treinando e vou cumprir meu contrato com o Atlético Mineiro. Depois volto para o Santos. Estou tranquilo.

Você ficou magoado com alguém por ter sido afastado do Santos e, depois, do Atlético?

Eu nunca precisei e nem dependi de ninguém para vencer na minha carreira. E talvez seja esse o problema. Tudo que fiz foi pelos meus esforços, nunca tive que pagar ninguém para conseguir as coisas. Não espero nada de ninguém.

Você gostaria de ir para outro time para poder jogar?

Eu tenho contrato com o Atlético e é vigente até 31 de dezembro. Depois tenho mais dois anos com o Santos. Quando voltar para lá vamos sentar e ver o que será feito. Não é questão de ter outro time (para jogar). Outro time é o que menos importa.

Você achou que seria reaproveitado depois que o Cuca foi contratado?

Eu não tenho que achar nada. Quem tem que decidir é o presidente e o treinador. No meu contrato não diz que eu tenho que jogar. Eu tenho que ir lá e treinar e é o que eu estou fazendo.

Você acha que a fama de ter um temperamento forte atrapalhou?

Difícil dizer que atrapalhou. É relativo. Se eu não tivesse a personalidade forte eu não tinha vindo para os times do Sul (Sudeste)e tido sucesso. Não se pode falar que não tenho qualidade. E Se você for ver, tem uma lista de 15, 20 atletas que também têm qualidade e que não estão sendo aproveitados em alguns times.

Você pensa em voltar a jogar pelo Santos ou foi um ciclo que acabou?

Eu não tenho que falar nada do Santos. Tenho que falar do Atlético. Se me for solicitado, vou jogar. Se não, tudo bem. Vou cumprir o que me for pedido.

Qual é a sua relação com o Dorival Júnior?

São coisas profissionais. De repente o perfil de um atleta o treinador não gosta. É uma coisa natural do futebol. Se estou sendo utilizado ou não, não interessa. Se o Dorival tem alguma coisa contra mim eu não sei. Mas o fato é que as pessoas gostam de falar mal, isso dá Ibope. Mas tudo bem.

Como tem sido a sua rotina?

Treino durante a semana em Belo Horizonte e, no fim de semana, venho para São Paulo. Estou estabelecido no litoral (paulista). Tem casa aqui, filho na escola. Não havia sentido em deslocar minha família para ficar fora por uns meses lá.

Você não sente falta da rotina de jogos e concentração nos fins de semana, por exemplo?

Eu sou um cara super adaptável. Não é o que eu gostaria, não é o que a minha mulher gostaria. Ela também gostaria que eu estivesse jogando em vez de só treinar. Mas se é o que tem pra fazer é isso que vou fazer. Se a situação é essa, vou aproveitar da melhor forma possível, vou ficar com a minha família. Quando tiver a oportunidade de voltar a jogar, vou voltar e tentar.

Por que você acha que foi afastado?

Não foi um momento de instabilidade minha, foi da equipe toda que não estava bem, mas sobrou para mim, paciência. Mas é normal. Tenho que cumprir com a minha obrigação e treinar. Estou tranquilo.

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