Divulgação/ São Paulo
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Há seis meses no São Paulo, 'Joia' uruguaia ainda é só promessa

Com pouco tempo de casa e alguns problemas físicos, atacante Gonzalo Carneiro joga pouco e é visto como reforço para 2019

Renan Cacioli, O Estado de S. Paulo

27 Setembro 2018 | 05h00

Prestes a completar um semestre no São Paulo, o atacante uruguaio Gonzalo Carneiro, de 23 anos, chamado de "A Joia" em seu país, ainda não brilhou por aqui. Muito em função de problemas físicos que só lhe permitiram estrear quase quatro meses após ser contratado, no dia 2 de abril. Porém, mesmo no Uruguai, o garoto já não desperta tanta expectativa quando num passado recente.

"Neste momento, ele não está nos planos da seleção", afirma Carlos Bardakian, jornalista da Rádio Oriental, de Montevidéu (URU). Na última convocação feita pelo técnico Óscar Tabárez, para os amistosos contra Japão e Coreia do Sul, nos dias 12 e 16 de outubro, surgiram nomes de outros jovens atacantes promissores em busca de espaço na Celeste: Maxi Gómez, do Celta de Vigo-ESP, e Jonathan Rodríguez, do Santos Laguna-MEX.

Após despontar no Defensor-URU, Carneiro chamou a atenção do atual superintendente de relações institucionais do São Paulo, o compatriota Diego Lugano. Antes, o grandalhão de 1,94 m fazedor de gols (foram 13 em 35 jogos no ano passado) já havia entrado no radar do Grêmio, no início do ano, mas o negócio não prosperou.

O São Paulo resolveu desembolsar 800 mil euros (cerca de R$ 2,6 milhões) por 50% dos direitos econômicos do atleta, ciente de que, antes de mandá-lo a campo, teria de recuperá-lo de uma pubalgia que o tirara de combate desde novembro de 2017. Após meses no Reffis, ele finalmente estreou durante o clássico contra o Corinthians, no dia 21 de julho, pelo primeiro turno do Campeonato Brasileiro.

De lá para cá, problemas físicos secundários de quem ficou tanto tempo parado prejudicaram a caminhada do tímido jogador no Morumbi. Dores musculares o impediram de ser convocado por Diego Aguirre em várias partidas. Até agora, foi relacionado para 14. Entrou em oito, totalizando 141 minutos em campo. Ainda não marcou nenhum gol. Mas conta com a compreensão tanto da comissão técnica quanto da diretoria.

"Ele precisa ter paciência, ritmo de jogo. A gente gosta dele, é um jogador de área, forte. Mas precisa dar tempo ao tempo. Confiamos nele. O Aguirre conhece bem, o Lugano conhece bem. Temos boas informações a respeito", explica Ricardo Rocha, coordenador de futebol do São Paulo.

Carneiro é visto como 'reforço' do São Paulo para 2019

Hoje, é outro gringo do elenco a primeira opção de substituto para o ataque tricolor: o colombiano Tréllez, que já marcou gols importantes na campanha do Brasileirão (foram seis ao todo no ano). 

No caso de Carneiro, que é sobrinho de Zalayeta, ex-atacante da seleção uruguaia e da Juventus-ITA, a aposta do clube é para o ano que vem. "Precisa de uma pré-temporada completa ainda, não iniciamos o ano com ele. Acreditamos nele, é jovem ainda. Veja o caso o Borja, no Palmeiras. Ele explodiu, mesmo, neste ano. É normal esse período de adaptação ao futebol brasileiro", comparou o dirigente tricolor.

Jornalista uruguaio dá sua opinião sobre jovem promessa

"Ele é uma das principais promessas do futebol uruguaio. Na primeira divisão, marcou 13 gols em 39 jogos. Sua ausência devido a uma pubalgia na reta final do último Campeonato Uruguaio conspirou contra as possibilidades do Defensor, que não conseguiu compensar sua falta. Suas condições técnicas o transformaram em um atacante altamente capacitado. Apesar da estatura, é um jogador tecnicamente bem dotado, capaz de deixar vários rivais pelo caminho com sua passada larga e habilidade com a bola no pé. Apesar das condições técnicas, neste momento, ele não está nos planos da seleção. Diminuiu a expectativa. Gonzalo precisa jogar e mostrar que tem nível para estar lá. Creio que possui condições, mas ainda há muito a polir".

Depoimento de Carlos Bardakian, jornalista da Rádio Oriental, de Montevidéu.

 

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