Há um ano como dono, Ronaldo melhora infraestrutura do Valladolid

Fenômeno comprou 51% das ações do clube e não fez loucuras por craques: primeiro, ele quer criar os ‘alicerces’

Renan Fernandes, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2019 | 04h30

Quando Ronaldo Fenômeno comprou 51% das ações do Real Valladolid e se tornou dono da equipe espanhola, em setembro de 2018, muitos esperavam uma mudança imediata de patamar da modesta equipe. 

Mas diferentemente do que acontece quando xeques milionários assumem times de futebol e investem volumosas quantias de dinheiro, o brasileiro não fez loucuras financeiras e começou sua nova empreitada no futebol preocupado em criar um alicerce: os primeiros gastos e esforços foram voltados para melhorar a infraestrutura antes de se pensar na chegada de grandes estrelas.

Para se manter inteirado de tudo que acontece no time enquanto atende seus outros compromissos comerciais, Ronaldo recebe relatórios no escritório recém-criado pelo Valladolid em Madri, onde mora. Estar perto da capital espanhola e, por consequência, dos grandes anunciantes, também é visto no clube como uma oportunidade de mercado. As idas do agora dirigente para Valladolid ocorrem a cada semana ou dez dias. Por lá, ele tenta acompanhar alguns treinamentos e jogos.

“Ele é nosso principal embaixador. Se trata de uma celebridade mundial que transcende os aspectos do futebol e a projeção que traz é enorme. A cada oportunidade, menciona o Real Valladolid e nos ajuda a difundir a imagem do clube a nível mundial”, explica ao Estado o chefe do gabinete da presidência, David Espinar.

Se em campo Ronaldo era conhecido por chamar a responsabilidade, como dirigente o perfil é outro. “Ele gosta de delegar funções”, conta Espinar. O jornalista já havia trabalhado com a imagem do ídolo no Barcelona e Real Madrid e foi contratado para ser seu “braço direito” no projeto. 

Por ter esse relacionamento de longa data, o cartola não se espanta como a chegada do astro elevou rapidamente a projeção do Valladolid na Espanha e por todo o mundo: “A chegada de Ronaldo trouxe um incremento muito significante em todos os aspectos relacionados ao clube. Por exemplo, a venda de camisetas, coincidindo com a mudança do patrocinador esportivo para Adidas, cresceu exponencialmente.”

As arquibancadas no estádio José Zorrilla também nunca estiveram tão cheias. Na temporada passada, houve uma ocupação média de 80%, mais que o dobro do que há dois anos, na segunda divisão. Essa porcentagem crescerá mais nesta temporada, pois o clube já conta com cerca de 21 mil carnês vendidos, um recorde.

No primeiro ano, porém, um susto. A equipe lutou até a penúltima rodada contra o risco de rebaixamento, fato que diminuiria os valores ganhos com direitos de TV. “Grande parte do nosso projeto entende que um rebaixamento de divisão seja um problema, mas não uma tragédia. Isso significaria a desaceleração de algumas decisões, mas não um freio definitivo. A melhor maneira de controlar essas situações é criar forças suficientes dentro da entidade para sairmos reforçados de cada dificuldade. A reação do clube diante das injustificadas acusações recebidas no ‘caso Oikos’ é uma boa amostra de nossa força institucional”, diz.

O ‘caso Oikos’, citado por Espinar, foi uma operação policial que prendeu 11 pessoas em junho por suspeita de um esquema de manipulação de resultados na última rodada do Campeonato Espanhol. Gravações interceptadas acusam sete jogadores do Valladolid de estarem envolvidos em facilitação para a vitória do Valencia, que garantiu o time na Liga dos Campeões. Nada foi comprovado até agora.

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    Categorias de base ganham importância

    Ronaldo apresenta planos para expansão do CT do Real Valladolid como forma de capacitar melhor os jovens jogadores da equipe

    Renan Fernandes, O Estado de S.Paulo

    15 de setembro de 2019 | 04h30

    Em fevereiro, Ronaldo apresentou o plano que servirá para “os próximos 90 anos no clube”. Antes de pensar em contratações ou tentar competir com equipes de maior poder aquisitivo, o objetivo é claro, criar uma boa estrutura para o time principal e para as categorias de base.

    O ambicioso modelo apresentado, avaliado em 10 milhões de euros (R$ 44 milhões reais), prevê a construção de cinco campos anexos ao estádio José Zorrilla e uma melhora no CT Pinar de Jalón, voltado para formação nas categorias de base e que deve se transformar em uma ‘fábrica de talentos’. Além de contar com nove campos, sendo três de grama natural e seis artificiais, também serão construídos no local vestiários, academia, restaurantes, área para recuperação e prevenção de lesões, espaço para os torcedores e sede administrativa.

    “O clube tem vários problemas. Um dos mais importantes é que carece de patrimônio. Não tem estádio próprio, área administrativa, boas instalações de treinamento. Nossa categoria de base tem sido uma das mais importantes da Espanha apesar de todos esses impedimentos, que incluem essa infraestrutura insuficiente para trabalhar os atletas”, afirma David Espinar.

    As obras, previstas para começar em julho, no entanto, ainda não tiveram início. Segundo o jornal Diário de Valladolid, o clube ainda corre atrás de resolver pendências legais e está focado em melhorias de seu estádio.

    O clube já fez duas grandes mudanças no estádio José Zorrilla, inaugurado em 1982, e que é municipal: a retirada do fosso e o rebaixamento do campo, possibilitando um acréscimo de 1.594 assentos no local, que passa a ter capacidade de 28.106 espectadores. “O projeto de reforma apresentado à cidade contempla uma reconstrução do estádio”, diz Espinar. O problema vai ser convencer a prefeitura da cidade a investir os cerca de 40 milhões de euros (R$ 176 milhões) orçados por Ronaldo para concluir a obra.

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