Fabian Bimmer/Reuters
Fabian Bimmer/Reuters

Hamburgo tenta manter 'relógio da primeira divisão' em funcionamento

Tradicional equipe luta para evitar o rebaixamento no Campeonato Alemão pela primeira vez na 'era Bundesliga'

Leandro Silveira, O Estado de S.Paulo

05 Maio 2018 | 05h00

O Hamburgo joga contra o tempo para manter um relógio no seu estádio em funcionamento. Neste sábado, o time visita o Eintracht Frankfurt, às 10h30 (horário de Brasília), pela penúltima rodada do Campeonato Alemão, não podendo tropeçar, sob o risco de ser rebaixado antecipadamente, algo que seria inédito na “era Bundesliga” do torneio nacional e acabaria com o maior orgulho do seu torcedor. 

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Com 28 pontos somados em 32 jogos, o Hamburgo ocupa o 17.º lugar no Alemão e precisa subir uma posição nas duas rodadas finais para disputar uma repescagem pela permanência na elite ou duas para se livrar diretamente do descenso. Wolfsburg, com 30, e Mainz e Freiburg, ambos com 33 pontos, são os times mais próximos na classificação, sendo que o tradicional Colônia já está rebaixado. 

 

Fundada em 1963, a Bundesliga tem um único clube que participou de todas as edições desde então: o Hamburgo. E o orgulho por essa condição é exibida o tempo todo no seu estádio. O Volksparkstadion, que foi um dos palcos das edições de 1974 e 2006 da Copa do Mundo, tem na fachada das suas arquibancadas um relógio que marca o tempo em que o time está na elite do futebol nacional. 

O rebaixamento e a consequente inutilização do relógio do estádio pareciam certos até recentemente, pois o Hamburgo ficou sem vencer entre a 14.ª e a 28.ª rodada do Alemão. Mas com a proximidade do fim do torneio, o Hamburgo parece ter passado a jogar contra o tempo, mas a favor do seu relógio. 

O Hamburgo venceu três dos últimos quatro jogos, um deles contra o vice-líder Schalke 04 e os outros dois contra rivais diretos na luta contra o descenso, casos de Freiburg e Wolfsburg. O time da Volkswagen, aliás, é o principal rival e esperança do Hamburgo na luta contra o descenso, pois venceu apenas um dos últimos 12 jogos. Neste sábado, o Wolfsburg vai visitar o RB Leipzig, que ainda briga por uma vaga na próxima Liga Europa. 

Dono de seis títulos alemães, o Hamburgo também foi campeão europeu em 1983, ano em que perdeu a disputa do Mundial Interclubes para o Grêmio. E neste ano conta com dois campeões olímpicos pelo Brasil em 2016 como titulares – o volante Walace e do lateral-esquerdo Douglas Santos. “Ganhamos confiança e estamos jogando com coragem. Essa é a chave”, disse o meia Lewis Holtby, que marcou gols nos três jogos recentemente vencidos pelo Hamburgo. 

O grande responsável pela improvável reação do time é Christian Titz, terceiro treinador da equipe na temporada e que até agora conquistou dez pontos em 18 possíveis à frente do Hamburgo, com a filosofia de encarar cada compromisso como se fosse uma partida válida por um torneio no formato mata-mata. 

Nos últimos anos, o relógio parece estar esgotando a sua capacidade, tanto que o time só escapou do rebaixamento na repescagem em 2014 e 2015 e evitou a queda na rodada final em 2017. Agora, então, neste sábado voltará a jogar pela declaração de orgulho estampada no contador de anos, dias, horas, minutos e segundos que está na primeira divisão alemã.

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