Havelange e ministro trocam farpas

O presidente de Honra da Fifa, João Havelange, condenou nesta quarta a demora do governo no auxílio aos clubes brasileiros, que estão mergulhados em grave crise financeira. O discurso do dirigente provocou reação áspera do ministro do Esporte e Turismo, Caio Luiz de Carvalho, durante a cerimônia de abertura da sétima edição dos Jogos Sul-Americanos, no Palácio da Cidade, em Botafogo, zona sul do Rio."O governo já deveria estar ajudando há muito tempo", disse Havelange, referindo-se ao pacote de medidas que vão ser adotadas pela administração federal para socorrer os clubes. "A gente não chega ao fundo do poço para poder sair, como acontece aqui no Brasil. Temos que evitar que isso aconteça." Inconformado com as declarações de Havelange, o ministro condenou a má administração realizada pelos dirigentes, que teriam levado os clubes ao "fundo do poço". Carvalho ainda lembrou que a gerência das entidades no Brasil sempre foi feita por amadores. "Não foi o governo brasileiro que se articulou em um grupo no Congresso Nacional para mudar toda a legislação esportiva", frisou o ministro do Esporte e Turismo. "Enquanto procurávamos acertar uma nova legislação para criar condições de os clubes se reerguerem, eles tentaram a todo custo barrar nossos avanços." Ajuda condicionada - O episódio entre Havelange e Carvalho teve por motivação a entrega do Código de Defesa do Torcedor, na terça-feira, ao presidente Fernando Henrique Cardoso. Na ocasião, o secretário-executivo do Ministério do Esporte e Turismo, José Luiz Portella, informou que uma linha de crédito será aberta no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para ajudar os clubes.Apesar do apoio financeiro, Portella explicou que o dinheiro só poderá ser usado para a melhoria das instalações dos clubes, além do investimento na revelação de novos valores para o esporte em suas divisões de base. Ele salientou que os recursos não poderão ser aplicados no pagamento das dívidas das entidades com os órgãos governamentais.O ministério ainda não sabe como os clubes terão acesso à linha de financiamento. Portella garantiu que as entidades precisarão cumprir uma série de etapas antes de o dinheiro ser liberado: aprovação da medida provisória do Futebol, transformarem-se em clube-empresa, adotar o Código de Defesa do Torcedor em seus estatutos, aceitar o calendário de oito meses para a realização do Campeonato Brasileiro (fórmula de turno e returno), além de renegociar suas dívidas com o governo federal.Após a cerimônia, o ministro do Esporte e Turismo explicou que no dia 13 vai ser realizada a primeira reunião do Conselho Nacional de Esportes, em sua gestão. Para o dia 15, ele aguarda a entrega de um dossiê da Liga Rio-São Paulo com sugestões para a melhoria do esporte no País e apoio à aprovação da medida provisória do Futebol, que tem sua votação prevista no Congresso Nacional para o final do mês.

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