Hayatou nega suborno, e disputa por Copas esquenta

O camaronês Issa Hayatou, presidente da Confederação Africana de Futebol, disse na terça-feira estar com a consciência tranquila, um dia depois de ser acusado num programa da BBC de ter recebido subornos. Hayatou é um dos membros do comitê-executivo da Fifa, que na quinta-feira escolherão os países-sede das Copas de 2018 e 22.

KEVIN FYLAN, REUTERS

30 de novembro de 2010 | 20h49

Segundo o programa Panorama, Hayatou, junto com Ricardo Teixeira, presidente da CBF, e Nicolás Leoz, da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), receberam subornos para aprovar um contrato da Fifa com a empresa de marketing ISL, que faliu em 2001.

"Pessoalmente, sei que ninguém pode me influenciar", disse Hayatou à TV Reuters, prometendo votar nas sedes das Copas "com a consciência limpa".

A Fifa também rejeitou as acusações feitas pela BBC, alegando que o caso foi encerrado após uma investigação.

Mas a denúncia pode complicar a candidatura inglesa a ser sede em 2018. O primeiro-ministro David Cameron e o ídolo David Beckham se juntaram para prometer ao presidente da Fifa, Joseph Blatter, que a mídia britânica dará todo o apoio necessário ao torneio.

"O que deixamos claro a ele, e o que ele já sabe, é que se levarmos essa Copa do Mundo para o nosso país em 2018 nossa mídia estará ao nosso lado", disse Beckham a jornalistas.

Jornalistas britânicos já haviam criado mal-estar na Fifa ao denunciar um caso de suborno envolvendo a escolha das sedes - na verdade, tratava-se de uma armadilha feita por repórteres do jornal Sunday Times. Dois dos 24 membros do comitê-executivo foram suspensos por causa disso.

A Inglaterra concorre com a Rússia e com as candidaturas conjuntas de Portugal/Espanha e Holanda/Bélgica.

Para a Copa de 2022, a disputa é entre Austrália, Japão, Catar, Coreia do Sul e Estados Unidos.

A votação, secreta, ocorre na quinta-feira em Zurique, na Suíça, após dois dias de apresentações dos países candidatos, a partir de quarta-feira.

Cameron deve ir pessoalmente à Suíça promover a candidatura inglesa, enquanto os EUA terão o ex-presidente Bill Clinton como garoto-propaganda. Ainda não se sabe se o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, irá comparecer.

Na terça-feira, a candidatura belgo-holandesa fez barulho, levando uma banda típica e dezenas de torcedores a um bar no centro da cidade suíça.

A inédita decisão da Fifa de escolher as sedes de duas Copas simultaneamente causou polêmica, e a entidade chegou a investigar a ocorrência de conchavos entre candidatos a anos diferentes.

A suspeita de armação entre Espanha/Portugal e Catar foi descartada pela Fifa, mas o chefe da candidatura russa, Vitaly Mutko, sugeriu na terça-feira que algumas candidaturas podem estar trabalhando juntas.

"Se alguns países que não fizeram tanto esforço para promover suas candidaturas de repente se tornam favoritos, então a situação não é justa", disse Mutko, acrescentando que a Rússia não se envolveria nesse tipo de armação.

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