Helicóptero tira Markarián do sério

O dia que começou tranqüilo para a Seleção Paraguaia, hoje, em Porto Alegre, terminou tenso especialmente para o técnico Sérgio Markarián. O helicóptero vermelho de uma emissora de teve gaúcha que insistia em sobrevoar o estádio Beira-Rio, ondeos paraguaios faziam um treino secreto, deixou o velho Makarián ainda mais furioso. Nervoso ele já estava antes do treino, aotomar conhecimento de que o zagueiro Gamarra, no Rio de Janeiro, disse que já não sentia problema algum no pubis e quepoderia estar com a sua seleção, treinando para enfrentar o Brasil. Revoltado com as duas situações, Markarián praticamente comandou a entrevista coletiva, respondendo aquilo que maisinteressava, sem levar em consideração as perguntas dos brasileiros. Aliás, a imprensa brasileira só teve acesso ao gramado doBeira-Rio quando o treino secreto já havia terminado. "Estão armando alguma coisa contra o Paraguai E é lamentável que aimprensa brasileira acredite nisso tudo", desabafou o treinador, referindo-se ao caso Gamarra. A entrevista de Gamarra, no Rio, repercutiu mal entre a Comissão Técnica paraguaia. A ponto de o médico da Seleção, AgostinCasacca, e o próprio Markarián terem ligado para o ex-zagueiro flamenguista, no Rio. "Acabei de falar com o Gamarra e ele me disse que ainda sente dores no músculo oblíquo esquerdo, que faz parte do púbissuperior", assegurou o médico. "Ele vai continuar a fisioterapia e poderá voltar a jogar futebol em duas semanas". Agostin admitiu que a Comissão Técnica do Paraguai ficou preocupada com o caso-Gamarra, e por isso mesmo ele e o técnicoMarkarián fizeram questão de conversar com o jogador por telefone. De sua parte, porém, Markarián não quis sequer comentar o problema envolvendo as declarações de Gamarra. Ele estava furiosomesmo com o tal helicóptero vermelho que prejudicou o seu treinamento secreto. Markarián parecia convencido - ou queria fazer com que os jornalistas brasileiros acreditassem nisso - de que foi Luiz FelipeScolari, e não uma rede de tevê gaúcha, que mandou gravar o treino do Paraguai. "Se não foi o Brasil e não foi o Paraguai, quemmandou esse helicóptero para cá? Nã vão me dizer que foi a embaixada dos Estados Unidos?". Quanto ao treino secreto, Markarián também não foi polido. "Esse é um direito que eu tenho. Ou o Brasil não faz a mesmacoisa...." No seu entender, há um trabalho organizado para prejudicar o Paraguai no confronto de quarta-feira contra o Brasil. "Estãomovendo algumas forças", sintetizou Markarián, que encerrou a entrevista. Menos arredios, alguns jogadores paraguaios aceitaram conversar qualquer assunto, menos Gamarra, por não saberemexatamente o que disse o companheiro. Arce, mais acostumado com a imprensa brasileira, entendeu melhor a presença dohelicóptero mas evitou entrar em choque com o seu treinador. "Tudo o que puder ser usado para ganhar a partida não pode serdesprezado, por isso eu entendo essas coisas". Em seguida, o lateral do Palmeiras afirmou que não espera um clima de guerra entre Brasil e Paraguai. "Clima de guerra não há, mas é um jogo decisivo para as duas equipes. Vai ser uma partida nervosa". A dez metros dali, o atacante Cardozo dividia com Arce as atenções da imprensa brasileira. Além de confirmar a intenção deMarkarián, de escalar Roque Santa Cruz para formar a dupla de atacantes paraguaia, Cardozo revelou também que a sua seleçãoestá ainda melhor do que em 98, quando foi eliminada pela França. "Agora somos mais experientes e estamos ainda maisunidos. Não estamos aqui para ser coadjuvantes". Para enfrentar a Seleção Brasileira, quarta, o Paraguai não terá quatro titulares: Ayala e Caniza, suspensos; Gamarra eAlvarenga, machucados. O quinto problema é Carlos Paredes, que joga no Porto e prometeu chegar a Porto Alegre na noite dehoje.

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