Herdeiro de Wladimir vive euforia

O lateral-direito Gabriel, do São Paulo, não participou nem um minuto da partida contra o Sport Recife, sábado, em Maceió, mas comemorou a vitória por 4 a 2 sobre o time pernambucano como se tivesse sido um dos heróis do jogo. Havia, é claro, um motivo especial para tanta euforia. "Foi a primeira vez que fiquei no banco de reservas. É o começo da minha carreira para valer", diz Gabriel, de 20 anos, que tem como respaldo o fato de ser filho de um dos maiores ídolos do Corinthians: o ex-lateral-esquerdo Wladimir.Foi seu pai quem teve a sensibilidade de transformar Gabriel Rodrigues dos Santos em um lateral-direito promissor. "Ele me mudou de posição. Até o ano passado, eu jogava na meia-direita dos juniores do São Paulo. Mas meu pai, percebendo que há escassez de lateral-direito no futebol brasileiro, pôs na minha cabeça que eu deveria mudar de posição", conta Gabriel, que começou a jogar futebol aos 6/8 anos na escolinha do pai, que tem ainda duas filhas: Júlia, de 16 anos, e Ludmila, de 13. Wladimir estava certo, reconhece o filho, pois se continuasse na meia-direita, a ascensão no São Paulo seria mais difícil, porque ele reconhece que há muitos jogadores nesse setor no clube. "Mas acho que no fundo, no fundo mesmo, jogar na lateral estava no meu sangue. É coisa mesmo de pai para filho, porque me adaptei fácil na nova posição."No começo, sua maior dificuldade era a marcação, dar o combate e diminuir o espaço do adversário. "Mas meu pai foi me dando aulas. Me orientou bastante e achei que peguei suas orientações", diz Gabriel que afirma ter facilidade para apoiar o ataque, por causa da experiência na meia-direita. Antes do jogo de sábado, Wladimir telefonou para Gabriel e pediu para que o filho não ficasse nervoso no banco de reservas. Assim, se o técnico Nelsinho Baptista precisasse do seu futebol durante a partida, ele estaria pronto para entrar na equipe.Gabriel joga no São Paulo desde os 15 anos. Embora seu pai tivesse toda a carreira ligada ao Corinthians, ele preferiu tentar a sorte no Morumbi, porque o clube ficava bem perto da sua casa. "Já o Parque São Jorge era muito longe. Não dava para eu sair sozinho até lá todos os dias", diz Gabriel, que espera ter uma chance no time do São Paulo durante a Copa dos Campeões. "Cada dia que passo aqui com o pessoal vou ganhando confiança", afirmou o herdeiro de Wladimir no futebol.

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