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Paulo Zagallo tem 58 anos e é técnico de futebol Divulgação

Herdeiros de Zagallo e Parreira podem se unir

Paulo é filho de Zagallo, e Carlinhos é sobrinho de Parreira

Daniel Batista, O Estado de S. Paulo

26 de março de 2016 | 17h00

É impossível lembrar de Carlos Alberto Parreira sem falar de Mário Jorge Lobo Zagallo e vice-versa. E tudo caminha para que mais uma vez vejamos a dupla em ação, desta vez com novos personagens, mas com a mesma gana para buscar o sucesso. Assim, Paulo, o filho do Zagallo, e Carlinhos, o sobrinho de Parreira, devem se unir para trabalharem juntos e honrarem o nome da família.

Paulo Zagallo tem 58 anos e é técnico de futebol. Carlinhos Parreira, de 35 anos, já foi preparador físico e atualmente é auxiliar técnico. O primeiro está desempregado, após passar um tempo cuidando do pai, doente. O segundo, trabalha como auxiliar de Luis dos Reis no Velo Clube, onde faz boa campanha na Série A-2 do Campeonato Paulista.

A ideia é que com o término do Estadual, os dois consigam aproveitar toda a experiência obtida na carreira e através da convivência de seus parentes para assumir um clube paulista na Série B ou C do Campeonato Brasileiro. Eles não quiseram dar nomes, mas o Estado apurou com pessoas ligadas a ambos, que Guarani e Botafogo, de Ribeirão Preto, chegaram a manter contato recentemente. 

O fato de ter um parente próximo tão respeitado e vitorioso no futebol fez com que eles se sentissem pressionados no início da carreira. Por outro lado, algumas portas se abriram. "Zagallo teve êxito profissional e me sentia cobrado, mas hoje nem tanto. Eu tenho meus pensamentos e é claro que aprendi muito com meu pai. Não seria inteligente não aproveitar isso", disse Paulo.

Carlinhos soube se utilizar dos espaços criados por conta de seu sobrenome, mas não acredita que isso tenha feito ele se manter no futebol. "Estaria sendo hipócrita se falasse que não. É claro que abriu portas. Só que se eu não tivesse mostrado um bom trabalho, não teria deixado boa imagem por onde passei. Ser sobrinho do Parreira me abre portas, mas se manter no lugar depende da minha competência."

Os dois têm perfis bem distintos de seus parentes. Paulo é bem mais calmo do que o pai. Já Carlinhos, como ele mesmo diz, "não chega a ser um Luxemburgo ou Felipão, mas também não é o Parreira." 

Embora tenham planos de trabalhar juntos, isso só deve acontecer depois do fim do Paulista da Série A-2. Carlinhos não pretende abandonar o outro amigo na equipe de Rio Claro. "Trabalhava com o Luis no Rio Claro até o ano passado e viemos para o Velo Clube. O Luis, inclusive, tem ajudado bastante o Paulo e somos todos amigos. Não posso e jamais abandonaria o Luis agora", avisou o sobrinho do técnico tetracampeão mundial.

Criados desde pequeno no meio do futebol, a pergunta que fica é por que ambos ainda não conseguiram emplacar na carreira como esperado. Zagallo responde. "Futebol depende muito de empresário e sempre foi eu mesmo que cuidei dos meus negócios, mas nesses tempos não dá mais para ser assim. Hoje, temos um agente que nos ajuda e acredito que as coisas podem mudar", disse o treinador, que não aceita o apelido de Zagallinho. "Melhor não. Tenho nome e orgulho do meu pai, mas o diminutivo soa como algo pejorativo", explicou.

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