Herói do Flu, Washington colhe os frutos de sua valentia

'Assim como na minha vida pessoal, o clube lidou com tropeços e soube superá-los', diz o atleta

Bruno Lousada, O Estado de S. Paulo

22 de maio de 2008 | 19h22

O atacante Washington, de 33 anos, é tão valente quanto seu coração. Por causa de doença cardíaca em 2002, conseqüência do diabetes, quase teve de abreviar sua carreira. O excesso de esforço físico poderia levá-lo à morte. Parou de jogar bola e passou por intervenção cirúrgica - fez cateterismo. Cercado de cuidados médicos, voltou a exercer sua profissão em 2004 e, nesta quinta-feira, colheu os frutos de sua superação. Viveu um verdadeiro dia de herói. O motivo: foi decisivo na vitória do Fluminense sobre o São Paulo, por 3 a 1, na quarta, no Maracanã. Sem balançar as redes havia oito jogos, marcou dois gols - o último aos 46 minutos do segundo tempo - e garantiu a equipe carioca na semifinal da Copa Libertadores da América. "A minha história e a do Fluminense caminham juntas. Assim como na minha vida pessoal, o clube lidou com tropeços e soube superá-los. Encarou uma pedra no caminho, e soube retirá-la", declarou Washington, chamado de "Coração Valente". Diariamente, por conta do diabetes, o artilheiro usa insulina e pica o dedo com uma agulha especial, chamada lanceta, para monitorar a taxa de glicose. "Ele também ingere várias medicações diárias para cuidar do coração e segue à risca as recomendações nutricionais, pois sua alimentação é mais específica", contou Michael Simoni, coordenador do departamento médico do Fluminense. No mais, Washington faz trabalho físico e esportivo igual aos demais jogadores. "Seus testes cardíacos, respiratórios e sanguíneos são normais. Ele é um atleta exemplar, sério e saudável", comentou Simoni, reforçando que este é um caso raro no futebol profissional. De seis em seis meses, Washington é examinado em Curitiba pelo médico Constantino Constantini, que o assiste desde 2003. "Ele é um atleta normal, como os outros", disse o empresário do artilheiro, Gilmar Rinaldi. Em seu condomínio na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, Washington deu entrevista coletiva. Apontou Boca Juniors e Fluminense como favoritos para conquistar o título da Libertadores e revelou que quebrou o jejum de gols graças ao escapulário que recebeu de Branco, lateral tetracampeão do mundo, com quem assistiu a uma missa no domingo. "Não tiro mais o amuleto do pescoço", disse o atacante, que não marcava havia 59 dias e, nesta quinta, respirou aliviado. Na quarta, saiu do Maracanã consagrado e com a alma lavada. "Sabia que a noite seria minha. Tinha certeza que acabaria com esse incômodo jejum". Washington exerce uma liderança natural no elenco tricolor. Ainda na concentração, no dia do duelo contra o São Paulo, no Maracanã, chamou os colegas de time para assistirem ao filme "Desafiando Gigantes", do diretor americano Alex Kendrick, e todos foram. O longa-metragem conta a história de um time de futebol americano que estava desacreditado, não havia ganho nenhum título e se superou na decisão contra um time apontado como favorito: levantou o troféu com um ponto no último minuto. "Depois da partida de ontem (quarta), o goleiro Diego me chamou e disse que o filme se repetiu no gramado do Maracanã". Só não valeu a taça.

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