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Robson Morelli
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Heróis e vilões

Clássico tem esse poder: construir personagens e destruir reputações

O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2017 | 03h00

Um clássico nunca é um jogo comum, seja em São Paulo ou em qualquer parte do Brasil. Ele tem força para construir personagens e destruir reputações nos seus 90 minutos. Nem precisa de tanto. Por vezes, um lance é capaz de carimbar seus representantes, para o bem ou para o mal. São Paulo e Corinthians produziram neste domingo seus heróis e vilões no empate por 1 a 1, sem olhar para a tabela. Na atualidade, há uma terceira força capaz de mudar os rumos de uma partida, a atuação do árbitro. Ele também passou a fazer parte deste contexto.

Com um Morumbi pulsando em dia de recorde de público (61.142 são-paulinos), o time da casa, então pressionado pelo descenso, entendeu sua posição e necessidade, e foi superior a maior parte do tempo, para não dizer o tempo todo. Aos 44 segundos, Hernanes já havia chutado uma bola ao gol de Cássio.

Começava assim o clássico. Com a bola rolando, foram aparecendo seus personagens. Dois deles me saltaram aos olhos de cara: Petros e Pratto. O primeiro organizava o meio e sempre estava onde tinha de estar. Mostrava técnica e disposição. O segundo não desistia na frente, ajudava a fechar espaços, brigava por todas as bolas, como é do seu feitio. Contagiou os companheiros. Se tivesse de acrescentar mais dois à lista, incluiria Cueva, por sua displicência inteligente e necessária ao São Paulo, e Arboleda, pelo conjunto da obra durante os 90 minutos, se não me engano, com apenas um erro em dividida, marcação e antecipação.

O quarteto, mesmo a despeito do empate em casa, ruim para quem está com a corda no pescoço, terminou o clássico de bem com a torcida, consigo mesmo e com os companheiros.

Mas, como nas histórias em quadrinhos, o cenário de um herói só é construído graças à atuação dos vilões, o São Paulo teve dois em seu estádio. Júnior Tavares, escolhido por Dorival Junior para ocupar o setor esquerdo, foi o maior deles. Bobeou feio na marcação em Rodriguinho. Tentou fazer a cobertura da bola para que ela saísse em tiro de meta sem se dar conta de que havia muito terreno para isso. Vacilou diante de Rodriguinho e depois foi fintado ao tentar o corte totalmente estabanado. Erro duplo, portanto. Na sequência, saiu o gol do empate.

O outro vilão foi Dorival Junior. O técnico mexeu mal no time, enfraqueceu o São Paulo ao tirar Cueva, mesmo cansado, demorou para sacar Lucas Fernandes. Ainda errou na escolha de Denílson para substituí-lo pela direita. Poderia destacar também um “herói-vilão’’ tricolor na manhã de domingo, a torcida, que fez bela festa e lotou o estádio, mas que apedrejou o ônibus do Corinthians numa emboscada na chegada.

O Corinthians correu muito para também fazer seus heróis no Morumbi. Rodriguinho foi um deles, porque nunca se entregou e fez a jogada do gol. Clayson foi maior. Seu gol, o primeiro pelo clube, fez a festa do corintiano em casa, nos bares, nas rodinhas pela cidade, já que eles estiveram impedidos de ver o duelo nas arquibancadas – clássicos paulistas continuam com essa bobagem de torcida única em nome de mais segurança.

Se tivesse de apontar um vilão alvinegro, para não crucificar Cássio, que foi mal no gol de Petros, apontaria Gabriel. Jogou bem, mas se comportou mal ao festejar o gol do Corinthians com gestos obscenos para a torcida são-paulina atrás do banco de reserva. Deselegante e provocador. Ficará marcado para sempre.

ÁRBITRO DE VÍDEO

Apesar da fala grossa da CBF, ele não foi implementado. Era óbvio que não seria. Não há ainda inteligência, competência e expertise para tanto. Tivesse funcionando, talvez o São Paulo teria vencido o clássico com aquele gol de Militão em que o juiz deu, primeiro, falta de Pratto em Cássio. Estou, admito, com dúvidas até agora.

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