JF Diorio/Estadão
JF Diorio/Estadão

Heróis no rival, Cuca deixou a calça da sorte no Palmeiras e Lucas Lima tatuou conquista pelo Santos

Treinador e meio-campista agora estão em lados opostos na decisão deste sábado da Libertadores

João Prata, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2021 | 11h00

Na final da Libertadores entre Palmeiras e Santos há dois grandes exemplos de profissionais que estão marcados na história de um clube e agora defendem o outro. O meia Lucas Lima tem tatuado na panturrilha a cobrança de pênalti decisiva para o título do Paulistão 2015 do Santos contra o Palmeiras. O técnico Cuca deixou a calça cor de vinho, que ele usou na campanha da conquista do Brasileirão de 2016, no memorial do clube alviverde.

A peça, na ocasião, foi considerada uma espécie de amuleto do treinador. O Palmeiras até chegou a estampar a calça em copos comercializados nos jogos realizados no Allianz Parque. Também vendeu a peça nas lojas da rede oficial do Palmeiras, a Academia Store. Até a TNG, marca que Cuca disse que usava, aproveitou a onda e realizou ação promocional na época.

O título em 2016 foi importante pois o clube encerrou uma seca de mais de 20 anos sem a conquista de um Brasileiro. Ao se despedir do Palmeiras no ano seguinte para cinco meses sabáticos, Cuca deixou a calça da sorte de lembrança para alguns funcionários do clube. 

"Eu gosto de repetir uma roupa quando ganhamos o jogo. Aquela calça ficou com o Palmeiras. O Palmeiras é supersticioso, sabia? Por que eles fizeram eu deixar a calça lá. A calça ficou lá, deve estar em alguma prateleira junto com a taça, a calça vinho. Mas é legal, porque eu acho que isso é uma contribuição que a gente dá", disse Cuca em entrevista ao Uol em abril do ano passado.

Cuca considerou que a calça dava sorte quando o time alviverde iniciou uma série invicta. A estreia dela foi na última rodada do primeiro turno, em agosto, diante da Chapecoense. Quando Cuca voltou ao clube alviverde em 2017, ao oficializar a contratação do treinador, o clube publicou nas redes sociais dois emojis para representar o retorno. O primeiro era de uma calça e o outro, de uma taça de vinho. 

'É uma tatuagem que diz o que sou'

Com Lucas Lima foi um pouco diferente. O jogador assinou contrato com o Palmeiras em 2017 depois de um histórico de rivalidade e provocação. Por isso chegou sob desconfiança de parte da torcida. Na época de Santos, Lucas Lima chegou a discutir diversas vezes com palmeirenses pelas redes sociais. E para provar sua gratidão ao clube alvinegro, tatuou na panturrilha a cobrança de pênalti decisiva para o título do Paulistão 2015.

Na coletiva de apresentação no Palmeiras, precisou se explicar. "É uma tatuagem que diz o que sou. Não tem o símbolo de nenhuma equipe, é um momento meu e não está direcionado a nenhum time. É uma particularidade minha", explicou. Lucas Lima contou que neste primeiro dia de trabalho com o novo clube, foi bem recebido pelos colegas e escutou brincadeiras sobre provocações antigas e a rivalidade. Um dos que tocaram no assunto foi o goleiro Fernando Prass.

Questionado na entrevista se usaria as redes sociais para provocar rivais, como fez quando estava pelo Santos, Lucas Lima não descartou a possibilidade. "Eu coloquei no Twitter que meu coração é verde. A verdade é essa. Vejo pelas redes sociais que não vou ter uma relação com a torcida do Santos. Mas não me importa. Vim para o Palmeiras para ser feliz, ganhar títulos", afirmou.

Nesta sábado, Cuca e Lucas Lima podem voltar a fazer história. Depois do jogo, o torcedor poderá questionar se o treinador deixará alguma peça do vestuário no memorial do Santos ou se o meio-campista vai aproveitar a outra perna para eternizar a glória pelo Palmeiras. 

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