Hicks Muse: projeto pode sucumbir

Dentro e fora do campo, a atuação do fundo de investimentos norte-americano Hicks, Muse Tate & Furst (HMTF) no futebol brasileiro tem se mostrado infeliz. O fundo chegou ao País em 1999 com uma ousada estratégia mercadológica: realizar parcerias com diversos clubes, adquirir um canal de televisão por assinatura e organizar um campeonato. Ou seja, transmitir e comercializar uma competição própria. Parcerias com Corinthians e Cruzeiro foram firmadas e o grupo assumiu o comando da PSN (canal fechado especializado em esportes). Tudo ia bem até começarem as especulações sobre os problemas que isso poderia trazer. O mais combatido foi a possibilidade de acordos para definir resultados. Conclusão, a legislação passou a proibir parcerias de grupos com capital estrangeiro com mais de um clube. A decisão praticamente sepultou o projeto dos norte-americanos no Brasil. Sem poder explorar os direitos de transmissão e comerciais de seu torneio e sem os lucros previstos com a compra e venda de jogadores - que trouxe ganhos consideráveis para a Parmalat na época em que estava no Palmeiras -, o HMTF sucumbiu. Sua participação no Cruzeiro está praticamente encerrada. A construção de um estádio para 40 mil pessoas, orçado em US$ 60 milhões, já foi descartada. Como se não bastasse, o colapso da economia argentina projeta grandes perdas. Carca de um terço dos US$ 15 bilhões investidos na América Latina estão naquele país.

Agencia Estado,

07 de janeiro de 2002 | 18h40

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