Higuita diz que só pensará em parar de jogar após os 45 anos

Goleiro fala do sonho em voltar a jogar no Nacional e que se considera um exemplo para os mais novos

Marisol Larrahondo B., EFE

06 Fevereiro 2008 | 12h31

O goleiro colombiano René Higuita, que resiste a deixar o futebol profissional, assinou contrato com o Deportivo Rionegro, da segunda divisão de seu país, e afirmou que espera "algum dia" pendurar as chuteiras defendendo o Nacional de Medellín e disputando outra Copa Libertadores. Com o humor que sempre o caracterizou como pessoa e jogador, Higuita disse em entrevista à Agência Efe que só aos 45 anos começará a pensar em parar de jogar, e que, apesar de seu desejo, não recebeu "nenhuma proposta" da equipe pela qual se sagrou campeão da Copa Libertadores, em 1989. "Na verdade, eu tinha todo o entusiasmo de defender o Nacional na Copa Libertadores, mas não recebi nenhum convite, e não posso fazer nada. Por outro lado, fui procurado pelo Rionegro", comentou entre risos o "Louco", que completará 42 anos em agosto e diz ainda ter futebol para atuar na primeira divisão. "Penso que os sonhos se renovam diariamente. E se em algum momento foi muito difícil para mim ser profissional, foi porque eu era muito jovem. Agora, para um goleiro experiente, também é difícil estar na primeira divisão. Mas, mesmo assim, espero conseguir", disse Higuita. O goleiro insistiu que prefere não falar muito de despedidas: "Algum dia pensarei em parar. Mas enquanto tiver ânimo de me levantar para jogar, de lustrar as chuteiras, de agüentar concentrações, então posso dizer que ainda tenho energia para atuar", destacou. Ao se referir a outros veteranos de fama mundial que continuam em atividade, como o atacante Romário (que recentemente completou 42 anos), René Higuita disse que todos esses casos, assim como ele mesmo, deveriam ser tomados como exemplos pelas gerações mais jovens.  "Eu acho que nós, os veteranos que ainda jogam, deveríamos ser considerados exemplos. Com esta idade, estamos mostrando a muita gente que ainda temos energia", enfatizou. "Não só aos jovens, mas mesmo às pessoas que estagnaram aos 40, como se fossem deficientes, aos que não querem enxergar além, porque é um desafio muito grande e importante", acrescentou Higuita. A carreira do folclórico goleiro é marcada por lances de extrema destreza e também grandes trapalhadas. Higuita ficou mundialmente famoso na Copa do Mundo da Itália, em 1990, quando, após boas atuações na primeira fase (defendeu um pênalti contra a Iugoslávia e aplicou um chapéu no atacante alemão Rudi Voller), o goleiro perdeu a bola ao tentar driblar o atacante camaronês Roger Milla, e levou o gol em seguida, o que acabou provocando a eliminação da seleção colombiana. Um ano antes, Higuita já se destacava na histórica conquista da Copa Libertadores pelo Nacional de Medellín, primeiro título continental do futebol colombiano. O jogador escreveu uma das páginas mais tristes de sua carreira em 1993, quando acabou seis meses preso por estar envolvido no rapto da filha de uma importante figura pública da Colômbia. Dois anos depois, ele deu a volta por cima ao marcar um gol de falta contra o River Plate que levou o Nacional a mais uma final de Libertadores, mas dessa vez a taça acabou nas mãos do Grêmio. Mas talvez o lance mais famoso de Higuita foi a defesa conhecida como "escorpião", realizada em um amistoso contra a Inglaterra em Wembley, em 1995. Em vez de pegar uma bola com as mãos, ele deu uma cambalhota e mandou a bola para longe com os dois pés juntos. Dez anos depois, ele ganhou as manchetes ao passar por uma transformação física depois de se submeter a cinco cirurgias plásticas para um reality show colombiano. Higuita teve o nariz afilado e as pálpebras delineadas. No queixo, foi injetado silicone e ele teve desenhado um novo sorriso. Além disso, gordura foi enxertada nas maçãs do rosto e as manchas na face, assim como um sinal proeminente, desapareceram após um procedimento com laser. A transformação, realizada em uma clínica particular da capital colombiana, Bogotá, contou ainda com o corte e tratamento da famosa cabeleira do jogador. Hoje em dia, sua vontade de seguir no futebol profissional não diminui nem com o fato de defender uma equipe de segunda divisão: "Tenho com o Rionegro as expectativas de sempre: fazer uma boa temporada, tentar o título e o acesso à primeira divisão, que é minha meta pessoal", afirma. "Sei que muitos me apóiam aqui no Rionegro, mas espero um dia voltar ao Nacional, pois meu sonho é conquistar novamente a Copa Libertadores", afirmou Higuita, que em 23 anos de carreira profissional, marcou 37 gols de pênalti e quatro de falta. Nascido em Medellín em 28 de agosto de 1966, Higuita passou por várias equipes colombianas, como do Nacional de Medellín, Independiente Medellín, Millonarios, Real Cartagena e Júnior. No exterior, defendeu Valladolid da Espanha, Veracruz do México, Aucas do Equador e Guaros da Venezuela.

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