Hiroshi tenta ressurgir após dramas

Poucos jogadores de futebol sofreram tanto em tão pouco tempo quanto o são-paulino Sandro Hiroshi. Com apenas 22 anos, viveu duas situações dramáticas, que quase puseram fim à sua carreira. Desde que chegou ao Morumbi - bastante badalado -, em 1999, só teve momentos de tristeza. Primeiro, em 99, foi suspenso por seis meses por adulteração de documento, num dos casos de maior repercussão dos últimos anos. E, depois, em 2001, quando voltava a recuperar a confiança, sofreu séria contusão no joelho esquerdo, que o tirou dos gramados por oito meses. O atacante espera que 2002 marque o reinício de sua vida profissional e apague, de uma vez por todas, as seqüelas que ainda o atormentam. O começo da árdua caminhada rumo ao sucesso pode começar amanhã, diante do Jundiaí, às 16 horas, no Estádio Jaime Cintra, na abertura do Torneio Rio-São Paulo. E a chance, diz Hiroshi, não pode ser desperdiçada, principalmente porque França está voltando para a disputa da competição e o espaço no time vai diminuir. Mais difícil do que reconquistar a confiança da comissão técnica e do torcedor foi passar quase dois anos no ostracismo, longe da bola, sua mais fiel companheira, e muito perto de advogados e médicos. Para esquecer os problemas físicos e com a Justiça, Hiroshi encontrou dois bons amigos, uma vara de pescar e um aparelho de videogame. Grande parte da sua família vive no Maranhão, Estado onde nasceu e passou a infância, o que dificulta o convívio. "Durante esse tempo todo, quando não estava fazendo fisioterapia ou treinando, ia a Americana para pescar", contou. "E também passava o tempo jogando videogame, o que ajudava a me distrair e tirar os problemas da cabeça." Nada, porém, foi suficiente para que conseguisse apagar totalmente os dias de sofrimento. O caso da documentação falsa, o bombardeio de parte da imprensa e a contusão no joelho mexeram demais com sua cabeça. Tanto que Hiroshi tornou-se "cliente preferencial" dos psicólogos que passaram pelo Morumbi. Aos poucos, recuperou-se e, agora, parece estar bem mentalmente para iniciar a temporada como titular da equipe. O companheiro de Hiroshi no ataque será o ex-flamenguista Reinaldo, que estreará nesta tarde em partidas oficiais com a camisa tricolor. Dill deverá ficar no banco, como opção para o segundo tempo, embora o técnico Nelsinho Baptista faça mistério em relação ao setor. Segundo o treinador, a motivação e o bom conjunto do Jundiaí são fatores que devem equilibrar a partida, apesar de o São Paulo ter um elenco mais badalado. "Eles mantiveram a base dos últimos anos e têm bons jogadores." A última vez que a equipe de Jundiaí recebeu um clube grande em jogos oficiais foi há mais de 16 anos. Desde 1986, quando foi rebaixado para a Segunda Divisão do Campeonato Paulista, o time não participa de uma competição que envolve a elite do futebol brasileiro. O São Paulo, atual campeão do torneio, vai ganhar um reforço inesperado. Hoje, ficou acertado que França retorna ao Morumbi para ficar até o fim de junho. Ele se integrará ao elenco do Bayer Leverkusen apenas em 1.º de julho. Amanhã, o presidente Paulo Amaral deve ir à França para tentar convencer o Rennes a liberar Luís Fabiano por mais seis meses. Se obtiver sucesso, a dupla de ataque tricolor voltará a ser a mesma de 2001.

Agencia Estado,

18 de janeiro de 2002 | 19h47

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