História de Domingos da Guia em livro

O jornalista inglês Aidan Hamilton, de 47 anos, é apaixonado pelo futebol brasileiro, mas foi meio por acaso que decidiu escrever a biografia de Domingos da Guia, zagueiro titular da seleção na Copa do Mundo de 1938. O livro Domingos da Guia, o divino mestre (Editora Gryphus, R$ 43) começou a ser elaborado após um encontro de Hamilton com o ex-jogador, no final de 1999. Na verdade, o pesquisador estava interessado em obter informações sobre outro inglês, Harry Welfare, ex-campeão pelo Fuminense e que havia sido o treinador de Domingos no Vasco no início dos anos 30."Naquela entrevista fiquei impressionado com o Domingos. Depois da morte dele, em 2000, pensei em realizar esse trabalho, a fim de lhe prestar uma homenagem", contou Hamilton, ex-editor de Esportes da Rádio oficial de Praga e morador do Rio de Janeiro desde 1999. Por cinco anos, coletou depoimentos de amigos e admiradores de Domingos da Guia pelo Brasil, Uruguai, Argentina e até mesmo na França, sede do Mundial de 1938. "Ele foi fundamental na transição do amadorismo para o profissionalismo e também teve papel muito importante na ascensão do negro no futebol brasileiro." Hamilton quis destacar aspectos da vida pessoal de Domingos, com a intenção de dotar o livro de um "caráter mais um humano". Faz referências ao apego do craque pelas noitadas cariocas. "Ele era um boêmio, gostava de gastar dinheiro em jogos. Sempre admitiu isso e, já no final da vida, disse que foi feliz dessa maneira." Domingos da Guia teve cinco filhos, um deles outro craque, Ademir da Guia, um dos grandes ídolos do Palmeiras.O jornalista esteve várias vezes na zona oeste do Rio, onde Domingos viveu muitos anos, para descobrir detalhes da trajetória do biografado.O zagueiro iniciou a carreira no Bangu. Passou depois pelo Vasco, Nacional, pelo qual conquistou o Campeonato do Uruguai, em 1933, e Boca Juniors, da Argentina, onde também levantou o troféu do Nacional, em 1935. Ficou famoso pelo estilo clássico, avesso aos chutões e às faltas desleais.Teve passagem ainda pelo Flamengo e Corinthians até voltar para o Bangu. Entre os entrevistados por Hamilton, outro ex-craque da seleção brasileira, o meia-atacante Zizinho, definiu com precisão o talento de Domingos da Guia. "Ele saía com a bolas, parava, saía jogando, e quem queria imitá-lo, perdia a jogada. Os caras que erravam queriam fazer uma ?domingada?, queriam fazer aquilo que Domingos da Guia sabia." Para Nilton Santos, cuja história no futebol brasileiro também é muito rica, "domingada" é um drible dentro da área, curto, seco, característico do ex-zagueiro do Mundial de 1938. "A domingada é uma homenagem ao fenômeno chamado Domingos da Guia", afirmou o ex-lateral-esquerdo, em outro depoimento a Aidan Hamilton.

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