História do futebol registra jogadores de linha debaixo das traves

Moti, zagueiro búlgaro, dá vaga na Liga dos Campeões ao seu time ao pegar pênaltis. Pelé também já atuou debaixo das traves

O Estado de S. Paulo

28 de agosto de 2014 | 12h01

Cosmin Moti provavelmente terá uma estátua em sua cidade. O zagueiro foi improvisado no gol após a expulsão do titular, sem mais possibilidade de o treinador fazer alterações, e defendeu duas cobranças de pênaltis na fase de classificação da Liga dos Campeões, dando ao seu time, o Ludogorets, da Bulgária, um lugarzinho na disputa de grupos da competição mais charmosa do mundo. Os jogadores do Steaua Bucareste lamentaram a atuação do zagueiro rival.

Moti resgata a história de alguns jogadores de linha que operaram verdadeiros milagres improvisados no gol. E o maior deles foi Pelé, conforme levantamento feito pela Fifa após a partida de quarta do Ludogorets. A emoção de ajudar seu time em outra posição é imensa, conforme testemunhou o zagueiro búlgaro. "Aconteceu em poucos segundos e fiquei feliz por deixarem eu virar goleiro. Trabalhamos como loucos para isso. Fizemos história", disse Moti.

Pelé gostava de 'brincar' no gol nos rachões do Santos e da seleção. Em 1963, num Santos e Grêmio, ele teve de ser improvisado debaixo das traves quando o titular Gilmar dos Santos Neves teve de sair da partida após receber cartão vermelho. Pelé já tinha feito três gols naquele jogo. E não decepcionou no gol. "O Grêmio deu um trabalho danado. Pelé vestiu uma camiseta preta de mangas compridas, lembro até hoje. Era do Gilmar mesmo. Fez grandes defesas, pelo menos duas ótimas, e garantiu o placar", contou seu companheiro de equipe Pepe, autor de um dos gols do Santos naquela vitória de 4 a 3. "Ele era muito bom, elástico, voava na bola. Tinha uma agilidade impressionante. Nos dois toques, nas brincadeiras, em alguns treinos, ele sempre atuava como goleiro. Gostava", disse Pepe ao Zero Hora.

Pelé não foi o único. Em 1991, Nial Quinn fez o mesmo. O jogador do Manchester City já havia marcado um gol para seu time contra o Derby County. Mas teve de ocupar a vaga do goleiro Tony Coton, que fora expulso. Quinn garantiu a vitória por 2 a 1 ao defender um pênalti, como fez Moti.

Outro brasileiro que deu uma ajuda no gol para seu time foi Felipe Melo, volante muito criticado na Copa do Mundo da África do Sul, após fracasso do Brasil, de Dunga, diante da Holanda. Felipe Melo salvou o Galatasaray em 2012 ao agarrar cobrança de falta diante do Elazigispor. O goleiro Muslera também havia sido expulso, e coube ao brasileiro jogar no gol. A história do futebol vive fazendo seus heróis relâmpagos.

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