Holanda bate a Austrália e, com ajuda espanhola, passa de fase

Classificados às oitavas, holandeses disputam a liderança da chave contra o Chile, e jogam pelo empate, por causa do saldo de gols

Fábio Hecico, O Estado de S. Paulo

18 de junho de 2014 | 15h01

Atualizado às 19h05

Não há melhor competição para exorcizar fantasmas do que uma Copa. A Austrália sempre foi pedra no sapato da Holanda. Em três jogos na história, havia ganho um e empatado outros dois. Nesta quarta-feira, voltou a jogar bem, teve chances para vencer, mas deu bobeira e no fim acabou superada por 3 a 2 no Beira-Rio, em Porto Alegre. O Mundial continua sendo da equipe laranja, que até agora só jogou de uniforme azul. Com seis pontos, os holandeses foram beneficiados pelo tropeço da Espanha diante do Chile e festejaram a conquista da vaga antecipada às oitavas.

Na segunda-feira, na Arena Corinthians, os holandeses disputam a liderança da chave justamente com o Chile e jogam pelo empate, já que têm maior saldo de gols (5 contra 4). Ficar no topo significa escapar de um possível encontro com o Brasil já no primeiro mata-mata.

Mais uma vez a parceria que acabou com a Espanha na rodada passada (5 a 1 em Salvador) se destacou. E foi a responsável pelo primeiro lance de ataque holandês. Robben cobrou a falta para a área e o artilheiro Van Persie desviou de cabeça. A “casquinha” do atacante não levou perigo para o goleiro Ryan, que encaixou fácil a bola.

Mas as estrelas não podem ser deixadas livres. E no primeiro cochilo da marcação australiana, Robben mostrou que não disputa o rótulo de craque da Copa do Mundo por acaso. O camisa 11 recebeu antes do meio-campo, passou como quis por Wilkinson, engatou uma quinta marcha e, em alta velocidade, foi até a área para bater rasteiro, cruzado, e inaugurar o marcador, aos 19 minutos. 

Craque aqui, craque acolá. A resposta australiana veio no lance seguinte, com o melhor jogador da equipe amarela pegando de primeira o cruzamento de McGowan 13 segundos após a saída de bola. Um golaço de Cahill num sem-pulo invejável.

Com camisa amarela e detalhes verdes, semelhante à do Brasil, a Austrália ganhou a simpatia dos gaúchos. O apoio a encorajou para encarar a sensação da Copa ao lado da Alemanha. E, se o meia Bresciano tivesse a calma de Cahill, a história do primeiro tempo seria diferente. O camisa 23 desperdiçou duas boas chances de gol. Uma delas, da marca do pênalti, foi pelo alto.

Mesmo assim, os lances levaram a torcida ao delírio. Brincando de torcer, a turma que estava no Beira-Rio infernizou a vida dos holandeses com vaias para Robben e Sneijder a cada toque na bola e até gritos de olé ainda no primeiro terço de bola rolando em passes meio tortos e sem objetivo australianos.

Ir para o intervalo com empate acabou sendo muito bom para uma Holanda apática e dominada na primeira etapa. Mas o domínio australiano se fez valer no começo da fase final.

Logo aos 7 minutos, Bozanic, em seu primeiro lance, cruzou, a bola bateu no braço de Janmat e o árbitro anotou pênalti. Jedinak virou o marcador.

A reação imediata que a Austrália apresentou ao levar o primeiro gol, desta vez foi mostrada pela Holanda. Aos 12 minutos, Van Persie provou que o faro de gol está apurado. Ele recebeu e soltou a bomba para nova igualdade: 2 a 2, em jogo disputado na mais alta adrenalina.

Eis que o famoso e surrado ditado do “quem não faz, toma”, surgiu. A Austrália roubou a bola na área e o cruzamento foi para Leckie marcar. A torcida toda se levantou para gritar gol, mas o meia, em vez de encher o pé, mandou de peito, na mão de Cillessen. O goleiro saiu rápido e a bola encontrou Depay, livre. O atacante bateu de curva, de muito longe. O goleiro Ryan aceitou: 3 a 2 para quem não merecia vencer.

Faltava mais de meia etapa para o apito final. Tempo suficiente para a busca de um novo empate. Só que a Holanda se acertou em campo e não cedeu mais espaços e boas chances aos australianos. Na verdade, até teve oportunidades para aumentar seu triunfo e, por consequência, o saldo de gols.

A rodada final da chave será às 13h de segunda-feira. E as equipes jogarão desfalcadas. Cahill não atuará diante da Espanha em Curitiba, jogo que vai definir o pior do grupo. Ele levou o segundo amarelo ao entrar duro em Indi. A deslealdade do astro dos cangurus tirou o defensor da partida. E, quis o destino, ocasionou a entrada do herói da vitória, Depay.Van Persie também cumprirá suspensão. Ele recebeu amarelo após uma cotovelada.

FICHA TÉCNICA

AUSTRÁLIA 3 X 2 HOLANDA

Gols: Robben, aos 19 e Cahill, aos 20 minutos do primeiro tempo. Jedinak (pênalti), aos 9, Van Persie, aos 12, Depay, aos 23 do segundo.

AUSTRÁLIA (4-4-2) - Mat Ryan; McGowan, Wilkinson, Spiranovic e Davidson; Jedinak, McKay, Leckie e Bresciano (Bozanic); Oar (Taggart) e Cahill (Halloran). Técnico: Ange Postecoglu.

HOLANDA (4-4-2) - Cillessen; Vlaar, De Vrij, Indi (Depay) e Janmaat; De Guzman (Vijnaldum), De Jong, Sneijder e Blind; Robben e Van Persie (Lens). Técnico: Louis Van Gaal

Juiz: Djamel Halmoudi (ALG)

Cartão amarelo: Cahill, Van Persie, 

Local: Beira-Rio, em Porto Alegre.

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