Acervo/Estadão
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Holanda encanta, mas Alemanha é quem conquista a Copa de 1974

Equipe comandada por Rinus Michels surpreende o mundo com o 'Carrossel Holandês', mas não é páreo para os alemães

Renan Cacioli, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2018 | 03h00

Assim como a edição de 1982 ficaria eternizada pela seleção que não venceu (a brasileira de Telê), a de 1974, apesar de conquistada pela Alemanha Ocidental, entrou para a história graças ao futebol total da Holanda. Foi a Laranja Mecânica dirigida por Rinus Michels, vice-campeã, que acabou deixando sua marca na linha do tempo das Copas.

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Não que Franz Beckenbauer e seus companheiros, donos da casa, não tenham merecido ou fossem zebras dentro da própria casa. Muito pelo contrário. Os campeões de 1954 vinham de um terceiro lugar no México-1970 e um vice na Inglaterra-1966. Mas foi justamente o fator surpresa aliado ao encanto do futebol exibido que transformaram os holandeses na sensação daquele Mundial.

Longe de uma Copa desde 1938, a Holanda chegou à Alemanha tendo no elenco a base do Ajax tricampeão europeu (1971 a 1973) e o conceito desenvolvido por seu treinador: todos marcavam, todos atacavam, sem posições fixas – daí o outro apelido daquele time, Carrossel Holandês. Liderada pelo talentoso Johan Cruijff, a equipe deixou pelo caminho, entre outros, o Brasil campeão mundial, em confronto na segunda fase, quando venceu por 2 a 0.

Sobre os brasileiros, aliás, o campeonato enterrou o sonho de um tetra que se concretizaria somente 20 anos depois. Se não contava mais com Pelé, Gérson, Carlos Alberto e Tostão, a equipe estava longe de ser fraca. Tinha Leão no gol, Luís Pereira na zaga, além de Rivellino e Jairzinho, dois dos principais nomes do tri. Mas o conjunto não deu liga. Fez uma primeira fase sem brilho, com empates em 0 a 0 contra Iugoslávia e Escócia, e um 3 a 0 sobre a fraca seleção do Zaire.

Na segunda fase, o time pareceu embalar depois de bater Alemanha Oriental (1 a 0) e Argentina (2 a 1), mas não foi páreo para os holandeses. Por fim, na disputa do terceiro lugar, acabou se despedindo com nova derrota, por 1 a 0, para outra grata surpresa daquela Copa, a Polônia.

Outra decepção viria com a Itália, vice-campeã em 1970, que não passou da primeira fase em solo alemão. Acabou em terceiro no seu grupo, atrás de Polônia e Argentina. Bateu apenas o Haiti (3 a 1). Empatou com argentinos (1 a 1) e perdeu para os poloneses (2 a 1).

A primeira Copa do Mundo na Alemanha, que não sediara o evento até então muito em função dos desdobramentos negativos do nazismo para o país, também teve forte tensão política. Calejada pela tragédia ocorrida na Olimpíada de Munique, dois anos antes, quando um ataque terrorista contra o alojamento israelenese chocou o planeta e resultou em 11 atletas mortos, a organização reforçou o policiamento em torno das concentrações das 16 seleções participantes: Alemanha Ocidental, Alemanha Oriental, Argentina, Austrália, Brasil, Bulgária, Chile, Escócia, Haiti, Holanda, Itália, Iugoslávia, Polônia, Suécia, Uruguai e Zaire.

Em campo, os anfitriões tiveram dois momentos distintos. Fizeram uma primeira fase vacilante, com direito à inesperada derrota para o vizinho oriental, por 1 a 0, mas deslancharam na segunda fase: bateram Iugoslávia, Suécia e Polônia para garantirem lugar na decisão, quando viraram o jogo para cima da Holanda.

Além de Beckenbauer, a equipe treinada por Helmut Schon possuía várias peças importantes, como o goleiro Sepp Maier e o goleador Gerd Müller. Nomes que valorizaram ainda mais a trajetória dos rivais de camisa laranja. “Se ganhássemos, talvez não tivéssemos deixado tantas lembranças como perdendo”, diria Cruyff, anos mais tarde. Qualquer semelhança com o Estádio Sarriá, palco da eliminação brasileira para os italianos, em 1982, não é mera coincidência.

FICHA TÉCNICA DA FINAL

ALEMANHA OCIDENTAL 2 x 1 HOLANDA

ALEMANHA OCIDENTAL - Sepp Maier; Vogts, Schwarzenbeck, Beckenbauer e Paul Breitner; Overath, Bonhof e Hoeness; Grabowski, Gerd Müller e Hölzenbein. Técnico: Helmut Schön.

HOLANDA - Jan Jongbloed; Suurbier, Arie Haan, Rijsbergen (De Jong) e Ruud Krol; Wim Jansen, Neeskens e Van Hanegem; Rensenbrink (Van de Kerkhof), Cruyff e Johnny Rep. Técnico: Rinus Michels.

GOLS - Neeskens, aos 2, Breitner, aos 25, e Gerd Müller, aos 43 do 1º tempo.

JUIZ - Jack Taylor (ING).

AMARELOS - Vogts, Van Hanegem, Neeskens, Cruyff.

PÚBLICO - 78.200 pessoas.

DATA - 7/7/1974.

LOCAL - Estádio Olímpico, em Munique (ALE).

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