Ricardo Moraes/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters

Holanda precisa de milagre para ir ao Mundial da Rússia em 2018

Terceira colocada na Copa do Brasil, em 2014, após superar o time de Felipão, seleção sofre nas Eliminatórias

Felippe Scozzafave, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2017 | 07h00

O Brasil, de Tite, foi a primeira seleção a se garantir na Copa do Mundo da Rússia. Única pentacampeã, a equipe já protagonizou jogos inesquecíveis na competição, sendo muitos deles contra a Holanda, como as quartas de final em 1994, nos EUA, ou ainda a semifinal em 1998, na França, decidida nos pênaltis graças às defesas de Taffarel. Esse duelo, porém, não deve acontecer na Rússia, já que a eterna ‘laranja mecânica’ corre risco de ficar fora do Mundial-2018.

Ao menos semifinalista das últimas duas edições de Copa, com o vice em 2010 e o terceiro lugar em 2014, depois de superar o time de Felipão, com vitória por 3 a 0, a seleção holandesa vive momento de transição após os grandes resultados do passado e, fora da última Eurocopa, necessita de um milagre para se classificar nas Eliminatórias da Europa, já que, com 7 pontos, está na quarta colocação do Grupo A, atrás de Bulgária, Suécia e da líder França – apenas o primeiro colocado se garante diretamente na Rússia.

Muito dessa instabilidade se dá pelo fato de as estrelas do futebol holandês, Wesley Sneijder, Arjen Robben e Robin van Persie, já não serem mais meninos. Com 32, 33 e 33 anos, respectivamente, eles estão na fase final da carreira. À exceção de Robben, que ainda é peça chave no Bayern de Munique, os outros dois, que outrora brilharam por equipes como Inter de Milão, Real Madrid, Arsenal e Manchester United, já não estão mais em ligas tops do futebol mundial – jogam no Fenerbahçe e Galatasaray (Turquia).

Uma liga nacional pouco competitiva é outro fator que pesa contra a Holanda. PSV, Ajax e Feyenoord, grandes times do país, não têm condições financeiras de disputar atletas com as potências da Europa e, ao contrário do que se viu no passado, não fazem mais investimentos altos. Consequentemente, não montam equipes fortes. 

Jogadores como Memphis Depay e Georginio Wijnaldum, por exemplo, estrelas do PSV campeão holandês em 2015, deixaram o clube para jogar na Inglaterra. O primeiro, depois de bom início no United, perdeu espaço e foi para o francês Lyon. É difícil um jogador holandês obter destaque no cenário internacional. A última vez em que um time do país alcançou ao menos uma semifinal de Liga dos Campeões aconteceu há doze anos, quando o PSV foi eliminado pelo Milan. Hoje, os clubes holandeses dificilmente passam da fase de grupos.

AJAX

Os anos de insucessos parecem ter incomodado o Ajax, que no início de 2017 investiu bom dinheiro para contratar o jovem David Neres, que se destacou no São Paulo. Consequência do investimento ou não, o time garantiu um lugar na semifinal da Liga Europa após eliminar o Schalke 04 nas quartas de final.

Outro problema da seleção holandesa é algo muito comum no futebol brasileiro: a grande rotatividade de técnicos. Desde a Copa de 2014, quando foi dirigida por Louis van Gaal, outros dois treinadores já passaram pela equipe: Guus Hiddink e Danny Blind, que caiu após a derrota para a Bulgária, no fim de março. O responsável por conduzir o time nos últimos cinco jogos das Eliminatórias é o interino Fred Gryn, que terá agora partidas contra Luxemburgo, último colocado do grupo, e França, fora de casa.

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