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Homem fiel

O técnico Mauricio Pochettino vira figura rara no futebol, ao declarar amor por um clube

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

02 de abril de 2017 | 05h00

O Campeonato Paulista enfim entra na fase que interessa, com a disputa das quartas de final – começaram neste sábado, com apresentações de Santos e Corinthians, e prosseguem hoje à tarde, com o Palmeiras e o São Paulo em campo. Assunto importante a ser abordado na crônica dominical.

Antes, um parêntese para registrar atitude simpática, delicada e educada de Mauricio Pochettino, argentino que dirige o Tottenham. O trabalho no time inglês envereda pela quarta temporada consecutiva, com resultados acima da expectativa. A vitrine brilhante do futebol inglês fez com que crescesse o prestígio do ex-zagueiro, 45 anos completados um mês atrás. A ponto de ser citado como forte candidato a substituir Luis Enrique no Barcelona, a partir de julho.

Entrar na mira do clube catalão é deferência para estufar o peito de qualquer profissional, fazê-lo pavonear-se e sentir-se o máximo. Noves fora a brecha para, no mínimo, pedir aumento para o atual empregador. Pelo visto tais reações – de resto, normais e aceitáveis – não valem para Pochettino. 

Sem perder a elegância, e com mais habilidade do que na época em que marcava atacantes, o treinador se livrou das perguntas a respeito da especulação, com frases lapidares. Começou com uma comparação local, para os britânicos entenderem melhor sua postura. Disse que, se recebesse oferta para ir para o Arsenal, não aceitaria, porque admira o Tottenham, com o qual criou laços afetivos. (Tottenham e Arsenal são rivais históricos e incompatíveis da zona norte de Londres.)

Em seguida, veio o mais bacana, pois mostrou por quais razões não poderia aventurar-se a assumir o Barça. “Não só porque treinei o Espanyol, mas porque também joguei lá e sou torcedor.” Na visão de Pochettino, cometeria traição a um time que está no coração se aparecesse no poderosíssimo arqui-inimigo. Ou seja, nesse caso o profissionalismo ficaria em segundo plano.

Não haveria mal algum, se o argentino topasse o desafio. Na prática, apenas estaria a apostar em nova etapa na carreira. Só os mais exaltados viriam infidelidade. No entanto, ele é quem pensa dessa forma e, ao menos por enquanto, não se dispõe a mudar. Numa época em que dinheiro e prestígio são endeusados, não é bonito, até anacrônico, ver alguém colocar a emoção à frente da razão? E sentir-se feliz e em paz ao agir assim? Bravo, Pochettino.

GRANDES EM AÇÃO

Não há como negar o óbvio: Palmeiras e São Paulo são favoritos nos duelos com Novorizontino e Linense, respectivamente. Ainda distantes do ideal, ambos são melhores do que os sparrings do interior. Têm, até, obrigação de seguir adiante, ainda mais com jogos de ida e volta. 

Por singularidades da tabela, aumentaram chances e responsabilidade tricolores. Uma e outra em decorrência do acerto para que as duas partidas contra o Linense sejam realizadas no Morumbi. O clube de Lins alegou que não poderia usar o próprio estádio e optou por vir para a capital. Sem rodeios, para faturar mais, pois ficou combinado que haverá divisão meio a meio com o São Paulo.

Entende-se que, num ambiente de penúria, a turma do Linense queira tirar a barriga da miséria. Mas, do ponto de vista esportivo, ocorrerá distorção constrangedora. No mínimo, para disfarçar, poderia mandar um jogo no Pacaembu. Convém a Rogério Ceni e rapazes aproveitaram a colhe de chá. O São Paulo tem oscilado, e só cai fora se atolar em enorme incapacidade defensiva.

O Palmeiras coloca à prova a força do elenco. Eduardo Baptista avisa que, a partir desta fase do Estadual, optará sempre por titulares, pois entende ter chegado o momento de o time decolar. Eventual título paulista terá o efeito de aumentar a confiança em sucesso na Libertadores. 

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