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Simon Hofmann/Getty Images for Laureus
Simon Hofmann/Getty Images for Laureus

Hope Solo pede luta contra o machismo: 'Não adianta só vestir camisa'

Goleira americana quer usar sua popularidade para defender igualdade para as mulheres no esporte, defender os desfavorecidos e lembra de foto polêmica no Rio

Entrevista com

Hope Solo, goleira americana

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2018 | 06h59

Hope Solo tem uma carreira marcada por títulos, grandes defesas e muitas polêmicas. Com 36 anos de idade, ela quer aproveitar sua popularidade para abrir os olhos da sociedade quanto a outros assuntos que também rendem discussão, como abuso sexual e os direitos das mulheres. Após ser derrotada na eleição para presidente da US Soccer (Federação de Futebol dos Estados Unidos) ela promete lutar pelos desfavorecidos e conseguir apagar a imagem manchada por diversos acontecimentos negativos. Em entrevista ao Estado, durante o prêmio Laureus, em Mônaco, ela falou sobre seus planos, a necessidade da mulher se impor na sociedade, machismo, e relembrou a foto em que aparecia protegida dos mosquitos durante a Olimpíada no Rio. 

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O que te fez querer ser presidente da Federação dos EUA?

Creio que foi importante essa tentativa de ser presidente, porque precisamos ter mais foco e menos negligência. Nós, americanos, precisamos ter uma visão maior, global, do que acontece no mundo e não podemos pensar só em nós. Precisamos usar o esporte para passar uma mensagem de igualdade aos povos e entre os sexos. 

Mas nos EUA, o futebol feminino é mais valorizado que o masculino, não?

Por isso acho que não podemos pensar só em nós. Existem muitos obstáculos, decisões federais e não é fácil conseguir o nosso espaço. A coisa popular agora é o tal 'empoderamento' das mulheres. A gente vê muitas camisas e faixas com "direitos iguais para as mulheres", mas isso não é o suficiente. Temor que fazer mais do que vestir uma camisa. Devemos usar nossas vozes, falar sobre isso, envolver mais gente e educar as pessoas.

Hoje temos a notícia de vários casos de abusos sexuais na ginástica e você já foi vítima disso (ela falou que foi apalpada pelo ex-presidente da Fifa Joseph Blatter). O que pode falar sobre a divulgação desses casos?

Realmente fiquei surpresa com as revelações das ginastas e acho que é preciso ficar claro que existe uma linha em que o homem tem um limite. Acima daquilo não pode e é preciso respeitar o que a gente determina. É um assunto que precisa ser debatido com bastante cuidado e respeito e não podemos deixar isso perder de vista. 

A próxima Copa será em um país em que se tem notícias de vários casos de preconceito. Teme que exista esses problemas durante o Mundial?

Espero que não. É um país que tem esse problema, mas vejo que existem várias políticas de educação em alguns lugares da Rússia para mudar esse pensamento e essa hostilidade. Vamos dar um voto de confiança para eles e ver se isso melhora. 

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Quando aposentar, pretende continuar no futebol?

Eu sou apaixonada por futebol e esportes em geral, mas também por lutar pelos que não tem voz. A classe latina, por exemplo, não é ouvida por ninguém e merece respeito. Vou continuar lutando pelos desfavorecidos e sempre usando o esporte para isso. 

Nas Olimpíadas do Rio, você publicou uma foto em que aparecia toda coberta e dizia que era para se proteger do mosquito da Zika, algo que pareceu desrespeitoso para alguns brasileiros. O que pode falar sobre aquela imagem?

(risos) Achei que ia passar sem falar sobre isso. Eu não queria desagradar os brasileiros. Foi só uma piada e foi uma boa piada, vai? Não quis prejudicar ninguém. Adoro o Brasil, quero voltar para conhecer mais o País, sei que tem muitos brasileiros que são meus fãs e agradeço muito por isso.

 

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