Hora de arrumar a casa

O Palmeiras se reencontrou com a vitória depois de três derrotas consecutivas, mas ainda não foi suficiente para recuperar a confiança dos jogadores. O placar, 4 a 2, mostrou algumas virtudes, mas escancarou os defeitos.

Paulo Calçade, O Estado de S. Paulo

17 de agosto de 2015 | 03h00

Não é difícil perceber quando uma equipe deixa de acreditar nela mesma e passa apenas a responder às ações do adversário. Em casa, o time permitiu que o Flamengo dominasse o confronto. E fez gols até demais com somente 37% de posse de bola.

O gol do zagueiro Jackson, em mais uma falha de marcação da defesa rubro-negra nas bolas paradas, parecia um alívio. Parecia. A vantagem, obtida logo aos 5 minutos, não foi suficiente para recuperar o controle da partida.

O time sentiu a pressão e deixou o resto por conta de Fernando Prass. Recuado e sem o domínio do meio de campo, materializou sua instabilidade, exibindo didaticamente a desconfiança em seu jogo. Perigoso.

Com Éderson na vaga do volante Jonas, o Flamengo voltou do intervalo mais ofensivo, e consciente do que poderia acontecer com sua frágil defesa, ainda mais desprotegida com a substituição. Assim encontrou a virada, mas se deu mal na marcação.

Cenário perfeito para Cleiton Xavier, que substituiu Robinho no segundo tempo, aproximar-se do ataque e conduzir o Palmeiras com Zé Roberto a uma zona ainda inexplorada.

A vitória precisa gerar mudança de comportamento na equipe. Nem sempre haverá pela frente um sistema defensivo tão débil. Marcelo Oliveira deve se dedicar à reconstrução do meio de campo.

A recuperação da confiança vai ocorrer paralelamente ao crescimento do setor criativo. Também cabe ao treinador encontrar uma alternativa ao seu sistema preferido, o 4-2-3-1, que lhe deu o bicampeonato brasileiro.

Sem Gabriel, Marcelo não se sente seguro para escalar Arouca como primeiro volante nem Cleiton Xavier mais adiantado. Mas a solução passa por aí, e também pela reabilitação do jogo de Robinho e de Rafael Marques. Vencer era fundamental, agora a missão é arrumar a casa.

PROFISSONAIS

Os árbitros não são as estrelas do espetáculo, mas são necessários ao futebol. Não é justo que o destino de uma partida esteja nas mãos e no sopro do apito de um amador.

O protesto antes dos jogos, na semana passada, é curioso. Surgiu por causa do veto de artigo na MP do Futebol, que destinaria 0,5% do dinheiro arrecadado com a venda de direitos de televisão para a categoria. A justificativa do governo é que não havia clareza na forma de distribuição do dinheiro.

Apitar um jogo de futebol não pode ser um bico. Vários países já profissionalizaram a atividade. Cabe à CBF seguir o mesmo caminho. Mas e a coragem de peitar a entidade, que faz as escalas de trabalho? E o medo de parar na geladeira?

Em 2013, no auge das manifestações comandadas pelo Bom Senso, a Confederação determinou ao árbitro de São Paulo e Flamengo que distribuísse cartões amarelos se houvesse algo estranho no campo. 

É proibido aos jogadores qualquer tipo de ação com menção política. Até a faixa de um torcedor corintiano, relembrando o caso Amarilla, o paraguaio que operou o time contra o Boca Juniors, foi proibida.

Durante seu momento de luta, árbitros e auxiliares inscreveram 0,5 nas placas de substituição. Em duas partidas o número 671, da MP do Futebol, foi usado. Isso não é manifestação política? Que fique bem claro: os árbitros devem ter garantido o direito se manifestar garantido. O que não pega bem é serem usados como marionetes pela CBF, a quem cabe profissionalizá-los.


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