Hora do bote

Os mais novos talvez não saibam quem foi, porém a turma de veteranos lembra de Oswaldo Brandão, lenda do futebol brasileiro. O treinador que conseguiu ser ídolo tanto de corintianos quanto de palmeirenses costumava dizer que títulos se ganhavam em cima dos pequenos. Isso na época em que os Estaduais eram os principais campeonatos do calendário.

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

26 de julho de 2015 | 03h00

No raciocínio do Velho Mestre, os pontos desperdiçados diante de equipes fracas eram irrecuperáveis e a se lamentar. Enquanto aqueles conquistados ou perdidos nos duelos com competidores fortes não contavam muito, porque uns “roubariam” pontos dos outros e no final fariam pouco diferença para apontar o campeão.

A lição de Brandão continua válida e atual. Como assim? Se no Brasileiro de hoje considerarmos que os concorrentes, de certa forma, se equivalem, como distinguir os pequenos dos grandes? Simples. Os “pequenos” seriam as equipes em má fase e que lutam para não cair. Por extensão, “grandes” são as que vivem período de alta e despontam como candidatas à taça. 

Por essa lógica, Corinthians e Palmeiras entram em campo com obrigação de vitória hoje, porque enfrentam Coritiba e Vasco, respectivamente, ambos frequentadores há algum tempo da zona de descenso e pressionados à medida que se aproxima a virada de turno. Mesmo na condição de visitantes, a dupla paulista atravessa momento de ascensão, é a única que não perdeu nas últimas seis rodadas e tem pretensões justas de hegemonia.

Claro que é ótimo estar no topo; constatação óbvia, que só para os pessimistas juramentados poderia acarretar algum problema. A contrapartida está na cobrança de torcida, crítica e dos próprios técnicos e jogadores. Preço que se paga pela fama, ora bolas.

O Corinthians recuperou o equilíbrio, depois do abalo com a saída de Sheik, Guerrero, Petros, Fábio Santos. Mesmo sem exibições impecáveis - a melhor, mais recentemente, foi nos 3 a 0 sobre o Fla -, os resultados animadores reapareceram e o sistema defensivo se tornou de novo ponto alto. Tite não terá Gil, suspenso, porém aposta em Cássio, recuperado de contusão. Jadson volta ao meio, e assim é quase com força máxima que vai a Curitiba.

A confiança foi resgatada, a briga pelo primeiro lugar se mantém firme com o Atlético-MG, mas Tite não pode insistir numa forma, apenas, de jogar. O Corinthians precisa atacar com mais insistência - e talvez aí se toque numa ferida mal cicatrizada. Vagner Love melhorou em relação aos primeiros meses do ano; no entanto, está distante de superar Guerrero. E o time se ressente de um finalizador como o peruano. A discrepância não sobressai porque meio-campo e defesa dão conta do recado e compensam a falha. 

O Palmeiras mantém a subida desde a chegada de Marcelo Oliveira. Após meses de testes, na época de montagem sob supervisão de Oswaldo Oliveira, agora tem cara, jeito e cacoete de equipe estável. Passou por boa prova no clássico com o Santos, domingo passado, em casa. Sofreu alguma pressão, sem se alterar, fez 1 a 0 e manteve a situação sob controle. 

Eis o desafio para a visita ao Vasco, que recobrou fôlego, venceu o clássico com o Flu e na quarta-feira avançou na Copa do Brasil. Aspectos a considerar, para não achar que se trata de moleza a tarefa em São Januário. Ok. Mas, se quiserem continuar na toada rumo ao sucesso, Dudu e companheiros devem ignorar o surto de eficiência do Vasco e ganhar. Ou restará a dúvida...

INTERROGAÇÃO

A propósito de enigma: qual São Paulo recebe o Cruzeiro? Aquele leve e solto de algumas rodadas atrás ou o instável que perdeu para o Sport, em Recife? Ganso e Luís Fabiano ficam fora, por suspensão. E se Juan Carlos Osorio encontrar alternativa e o time se der sem ambos? Excelente para o São Paulo e motivo adicional para encontrar um destino para os dois jogadores mais contestados do elenco.

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