Hospital defende tratamento dado ao torcedor

A direção do Hospital Álvaro Dino de Almeida afirma que foi "totalmente correto" o procedimento adotado pelo cirurgião geral Paulo Shigeru Ishikawa, que atendeu o adolescente Marcos Gabriel Cardoso Soares, 16 anos, e o liberou sem que ele ficasse em observação, na tarde do domingo. O rapaz acabou morrendo, em conseqüência das pancadas que levou numa briga das torcidas de Palmeiras e Corinthians.De acordo com a diretora do hospital, Castálide Benetom de Campos Lopes, o médico sentiu-se seguro em liberar o adolescente e realizou os exames necessários para o primeiro atendimento do rapaz. "Ele respondeu muito bem ao exame neurológico, passou por raio-x que deu negativo para possíveis fraturas na cabeça e foi liberado. Não houve negligência e muito menos descaso por parte do profissional. Além disso, pedimos para ele ficar em repouso, tomar os remédios, e não retornar para assistir ao jogo", revelou.Quando deu entrada no hospital, às 16h30, Marcos apresentava cortes no couro cabeludo, na face, ferimentos no queixo e hematomas de pontapés no corpo inteiro. Menos de trinta minutos depois, seguiu para casa.A diretora do hospital disse que a conduta do cirurgião de plantão é corriqueira na medicina. "É comum um paciente ter traumatismo craniano, passar por um hospital, ser liberado e ir trabalhar no dia seguinte. Somente depois os problemas, como as dores de cabeça, começam a se manifestar", explicou a médica.De acordo com o hospital, outro paciente que também foi espancado na mesma briga foi orientado a ficar em observação, pois apresentava tontura. "O Marcos disse que não sentia dor de cabeça e nem tontura. Ele estava consciente. Também não havia nenhum comprometimento neurológico. Além disso, os exames não evidenciavam nenhuma alteração. Por isso, o cirurgião decidiu somente medicá-lo. Infelizmente, na medicina não temos como prever esse tipo de acontecimento. Talvez, se ele tivesse sentido tontura naquele momento, hoje estaria vivo", disse Castálide Benetom de Campos Lopes.

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