Hostilizados pela torcida, Edson e Rosinei podem sair

Porém, diretoria do clube já garantiu que o meia e o lateal-direito não terão seus contratos reincididos

Fábio Hecico, Estadão

01 de outubro de 2007 | 18h59

O barril de pólvora chamado Corinthians está cada vez mais perto de explodir. Além da enxurrada de escutas envolvendo dirigentes na investigação da Polícia Federal, da possibilidade de rebaixamento no Brasileiro e da disputa política, agora a guerra atingiu jogadores e torcida. Após os protestos de domingo, o grupo assumiu: está com muito medo de represálias. Edson e Rosinei, os mais visados, chegaram a cogitar o pedido de rescisão de contrato. O lateral ganhou dois dias para pensar no que fazer, enquanto o meia desapareceu. O contra-ataque da diretoria em relação à torcida veio imediatamente. Em reunião com o empresário de Edson, Nick Arcuri, os cartolas asseguraram total segurança ao jogador para que ele possa cumprir seu contrato, até dezembro. A garantia vale para os outros jogadores. "O Edson pediu dois dias para resolver problemas particulares e não vimos problemas em liberá-lo. Já o Rosinei não ligou para dar justificativas e, a princípio, terá o dia de trabalho descontado", afirmou o supervisor de Futebol, João Roberto de Souza. "Mas nada de rescisão, vamos dar total respaldo." Os dirigentes não estão dispostos a ficar reféns dos torcedores. No dia 16 de fevereiro de 2005, após um jogo com o Sampaio Corrêa, pela Copa do Brasil, o lateral Vinícius, o Fininho, teve de deixar o clube após se desentender com a torcida. Em fevereiro deste ano, o zagueiro Marquinhos recebeu ameaças de morte após derrota para o São Paulo e não agüentou. Pediu o boné. Fininho e Marquinhos eram formados no clube, como Edson e Rosinei. O lateral passou o dia com os pais, no ABC, tentando convencê-los de que nada de ruim pode acontecer com ele. "Os pais do Edson, assim como ele, estão bastante assustados. Mas ele não vai desistir, sabe que a pressão faz parte do Corinthians. E garante que se o Nelsinho precisar, vai jogar", afirmou Nick Arcuri. "O Edson garantiu que em nenhum momento mandou beijinhos para o torcedor, apenas olhou para ver quem o estava xingando. Estão querendo colocá-lo contra toda a torcida e contra o clube. Não vão conseguir." Arcuri ainda usou o mercado fechado para dizer que não tem lógica uma saída agora. "Não tem um clube para onde ir, então, termina o contrato. Ele sabe dos riscos da profissão, mas o clube deu total respaldo e segurança."  O ex-volante Bernardo, agora empresário, ficou surpreso ao saber que Rosinei, seu cliente, não apareceu no Parque São Jorge nesta segunda-feira. "Vou tentar conversar com ele, ver o que aconteceu, afinal, o momento não é bom. Ele não vem jogando e sofrendo com a pressão. Precisamos pensar no que fazer", enfatizou. O vice-presidente de Futebol, Antoine Gebran vai conversar com o técnico Nelsinho na viagem para o Rio, nesta quarta-feira, para saber qual atitude tomar com a dupla. A princípio, eles devem seguir treinando com o grupo.

Tudo o que sabemos sobre:
Corinthians

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.