Hannah McKay/Reuters
Hannah McKay/Reuters

Hotéis em cidades-sede da Copa são alvos de falsos alertas de bomba

Segundo funcionário do Comitê Organizador, 'atitude tem sido frequente desde o início do Mundial e está atingindo praticamente todas as cidades'

Jamil Chade, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

27 Junho 2018 | 06h30

Os organizadores da Copa do Mundo estão sendo inundados por ligações telefônicas em hotéis das seleções e em cidades-sede com falsos alertas de bomba, no que é conhecido como "terrorismo telefônico". Ao Estado, um funcionário de alto escalão do Comitê Organizador Local do Mundial (COL) explicou com exclusividade que essa atitude tem sido "frequente" desde o início da Copa e está atingindo "praticamente todas as cidades".

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A onda de falsos alerta repete uma prática que foi identificada no final de 2017, quando Moscou foi tomada por dezenas de chamadas com anúncios de que bombas teriam sido colocadas em diversas partes da cidade. 

Nesta terça-feira, a polícia russa esvaziou um hotel na cidade de Rostov, uma das sedes da Copa do Mundo. Em apenas um dia, foram mais de 15 ligações com ameaças pela cidade. O Topos Congress foi evacuado por causa de uma ameaça de bomba e todos os 210 hospedes que estavam no local foram obrigados a deixar seus quartos.

 

"Isso ocorreu em vários outros lugares. Mas chamou a atenção quando atingiu um dos hotéis credenciados", disse um representante do COL.

No caso de Rostov, de acordo com um comunicado da Polícia, as investigações provaram que não existiam itens perigosos no hotel, depois que "várias ligações foram recebidas". "Uma serie de medidas estão sendo adotadas para identificar as pessoas envolvidas com alertas falsas e decisões serão tomadas com base nas leis", completou a polícia.

"Isso é terrorismo telefônico", indicou um representante do COL, evitando quantificar o número de incidentes. "Nosso maior problema é a dificuldade em detectar de onde vem essas ligações, diante da tecnologia que está sendo usada", explicou. Os casos não têm sido divulgados para não criar pânico.

 

 

A segurança da Copa tem sido um dos assuntos de maior prioridade para as autoridades russas, principalmente diante das ameaças feitas por grupos terroristas antes do início da Copa do Mundo. Envolvida na guerra na Síria, a Rússia tem sido um dos alvos prioritários de grupos como o Estado Islâmico.

Segundo informaram funcionários do Topos Congress e testemunhas à agência de notícias Reuters, o local está na lista da Fifa de hotéis oficiais do Mundial da Rússia, mas nenhuma seleção estava hospedada lá no momento.

Ao menos uma viatura dos bombeiros estava do lado de fora do hotel, disse uma testemunha, e a polícia foi vista interrogando funcionários e hóspedes na rua. O Estado apurou que ambulâncias foram enviadas para a região do hotel, para preparar uma eventual operação de socorro.

Cães farejadores foram deslocados para o hotel, na esperança de identificar se a ameaça era real. A Rússia, cada vez mais isolada no cenário mundial, está determinada em usar a Copa do Mundo para projetar uma imagem de estabilidade e força no país. Autoridades se comprometeram a sediar um evento seguro e quaisquer incidentes de segurança envolvendo torcedores ameaçariam os esforços russos.

A cidade de Rostov, porém, foi o local da partida nesta terça-feira entre Croácia e Islândia. Situada a menos 70 quilômetros da fronteira com a Ucrânia, a cidade é vista como um eventual alvo de um ataque diante de sua proximidade com um dos principais confrontos por territórios hoje na Europa.

 

 

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