Hotéis reclamam calote de Onaireves e CBF

O fiasco da seleção brasileira em Curitiba, em 19 de novembro, quando um empate por 3 a 3 caiu do céu no finalzinho do jogo contra a seleção uruguaia pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, também se estende ao setor financeiro. Até agora, apenas o Hotel Four Points Sheraton recebeu os valores devidos pelos uruguaios, que se hospedaram naquele local. "Uma hora antes do jogo, foi tudo acertado", afirmou nesta quarta-feira um dos funcionários do hotel.Os hotéis que abrigaram os brasileiros ainda reclamam o pagamento. O Hotel Rayon, onde ficaram dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), ainda tem parte a receber. "Depois de muita batalha, um tanto foi pago", disse uma funcionária. Mas o Hotel Paraná Golf Inn, onde a seleção brasileira esteve hospedada, não viu nenhum tostão. A responsabilidade é da Federação Paranaense de Futebol (FPF), que já assinou o boleto.O presidente da entidade, Onaireves Rolim de Moura, reconheceu a dívida. "A fatura venceu agora", afirmou. "No dia 19, quando voltarmos das férias, vamos pagar." Promessas não satisfazem o gerente do Paraná Golf, Bruno Putz. Ele diz ter procurado a federação várias vezes para a cobrança, mas agora nem os telefonemas são atendidos. Segundo o gerente, a hospedagem foi acertada diretamente com Moura. A pedido do presidente da FPF, algumas melhorias foram realizadas, como a construção de um muro para ajudar na segurança. Uma obra que custou R$ 8 mil ao Paraná Golf, mas que poderia ter sido adiada - o valor não é reivindicado, por ter-se incorporado ao patrimônio da empresa.Também foram contratados mais mensageiros e seguranças. Posteriormente, o próprio presidente da federação teria enviado um ofício propondo o pagamento antecipado de R$ 10 mil e o restante 15 a 20 dias após. Mas nem o adiantamento, nem um centavo da despesa total de R$ 24 mil - foi negociado um pacote com desconto - pela hospedagem de cerca de 40 pessoas, entre jogadores, comissão técnica e convidados, foram pagos até agora, 50 dias depois do jogo. "Eu não sei qual é o problema", afirmou Putz.O hotel já protestou a FPF e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no Serasa e agora está entrando com ação de execução. Na assessoria de imprensa da CBF ninguém atendeu ao telefone na tarde desta quarta-feira. O gerente disse que, antes de tomar essa atitude, o Departamento Financeiro da FPF foi avisado. "Disseram que já tinham 80 protestos e um a mais não faria diferença", revoltou-se o gerente. "Não achávamos que íamos levar calote, apesar de estarmos lidando com caloteiros."Em 2000, Moura chegou a ficar preso por 30 dias na Colônia Penal de Piraquara, na região metropolitana de Curitiba, sob acusação de ter sonegado pagamento ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O juiz que lhe concedeu o habeas corpus na época também determinou a extinção da ação penal, considerando que a dívida havia sido parcelada.

Agencia Estado,

07 de janeiro de 2004 | 16h37

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