Hulk diz ter sofrido ofensa racista de árbitro na Rússia

Hulk diz ter sofrido ofensa racista de árbitro na Rússia

Juiz de partida pelo Campeonato Russo teria dito para o atacante que "não gosta de preto"; racismo é recorrente na liga do país

PEDRO FONSECA, REUTERS

30 de novembro de 2014 | 16h30

O atacante brasileiro Hulk, do Zenit, afirmou neste domingo que foi alvo de ofensa racial por parte do árbitro em uma partida do Campeonato Russo, no sábado, em mais um caso de denúncia de racismo no futebol do país que será sede da próxima Copa do Mundo.

O jogador de 28 anos afirmou em entrevista à Reuters - por telefone - que o árbitro Alexei Matyunin disse a ele, em uma discussão ocorrida em campo, que não gostava dele nem de negros. Hulk contou que foi reclamar com o árbitro da "cera" do time adversário e passou por uma situação "muito desagradável".

"Eu fui falar com o árbitro do jogo numa boa, com educação, toquei nele normalmente para falar, e ele virou e disse, com arrogância, para eu não encostar nele”, afirmou Hulk na entrevista. “Eu pedi calma, mas ele começou a ficar nervoso, e eu, na quentura do jogo, falei: Você é racista?". O árbitro, segundo o jogador, respondeu: "Sou, não gosto de você e não gosto de preto."


De acordo com Hulk, o incidente aconteceu no começo do segundo tempo da partida em que o Zenit perdeu fora de casa por 1 x 0 para o Mordóvia, no Start Stadium, pela liga russa.

"Houve uma situação em que um jogador do time adversário estava caído, o árbitro mandou a maca entrar em campo, e depois que a maca chegou para colocar o jogador em cima, o jogador disse que não precisava mais da maca. Ele mandou a maca sair e o jogador levantou", contou Hulk. "Eu fui falar normalmente com o árbitro, e ele até então estava normal, mas de repente ele passou a mudar comigo, ficou arrogante", acrescentou.

Hulk, que defendeu a seleção brasileira na Copa do Mundo deste ano, tem sido vítima de casos de racismo na Rússia desde que foi contratado pelo Zenit, em 2012. Em setembro, o jogador brasileiro disse a jornais russos que ouviu de dentro de campo gritos de “macaco” por parte de torcedores do Spartak Moscou durante partida de seu clube contra o time da capital russa.

Para Hulk, o racismo vindo de torcedores rivais pode até ser compreendido como uma forma de tentar desestabilizar um jogador adversário. Mas não se pode dizer o mesmo de ofensas proferidas por um árbitro.

"Sempre houve racismo de torcida adversária. Não é aceitável, não podemos aceitar racismo independentemente da forma que for, é uma coisa que não deveria existir, mas quando é da torcida adversária a gente não aceita, mas entende que é a torcida adversária, quer fazer com que o jogador rival não se concentre, é normal", disse. "Agora, o árbitro, que tem que implementar a lei do jogo, não pode se envolver nisso."

Além de Hulk, outros jogadores já foram vítimas de ofensas racistas no futebol russo recentemente. O comitê disciplinar da União Russa de Futebol impôs sanções ao Torpedo Moscou, em setembro, após torcedores do clube serem considerados culpados por cânticos racistas direcionados ao congolês Christopher Samba, do Dynamo Moscou.

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