Manu Fernandez/AP
Manu Fernandez/AP

Humilhado, PSG afunda em grave crise após 6 a 1

Técnico Unai Emery e líderes do elenco, como o capitão Thiago Silva, são questionados por imprensa e torcida depois da derrota para o Barcelona

Andrei Netto, correspondente em Paris, Estadão Conteudo

09 de março de 2017 | 17h54

A derrota histórica e a humilhação sofridas pelo Paris Saint-Germain frente ao Barcelona na Liga dos Campeões deixarão marcas profundas no clube. Um dia depois de ser arrasado por 6 a 1 e entregar a vaga quase garantida após uma vitória de 4 a 0, três semanas antes, a equipe francesa mergulhou nesta quinta-feira em uma das mais graves crises existenciais de sua história. As dúvidas vão da manutenção do técnico, Unai Emery, ao interesse do Catar de seguir investindo após o fiasco mundial. De quebra, o grupo de jogadores está na berlinda.

O choque causado pelo massacre do Camp Nou atordoou a direção do PSG e revoltou torcedores. Em Paris, a delegação foi recebida com hostilidade pelos "ultras", os membros de organizadas. Por ora, o momento é mais de dúvidas do que de certezas. Dentro de campo, Emery, trazido do Sevilha e tricampeão da Liga Europa, parece ter os dias contados. Em 2016, a direção pagou uma multa rescisória de 20 milhões de euros só para demitir Laurent Blanc, considerado responsável por uma simples eliminação na Liga dos Campeões frente ao Manchester City - 2 a 2 em casa e 1 a 0 em Manchester.

Só um pentacampeonato da França poderia começar a limpar a imagem do treinador espanhol, ainda que os próprios jogadores o tenham isentado do fiasco diante do Barcelona. O volante Rabiot, por exemplo, admitiu que a equipe desobedeceu o técnico nos 90 minutos do Camp Nou. "O jogo recém tinha começado e nós nos posicionamos atrás. Não era nada do que estava previsto, não era a instrução", admitiu.

Além do técnico, o futuro de astros contratados a peso de ouro também é incerto. A começar pelo de Thiago Silva, capitão da equipe em Barcelona. Se não cometeu falhas diretas no confronto de quarta-feira, o brasileiro foi acusado pela crônica esportiva e por torcedores de "fragilidade psicológica" e de incapacidade de liderar o time, que desmoronou nos minutos finais. Sua reação pós-jogo também foi criticada. "Como capitão, estou orgulhoso dos meus jogadores", disse ele. "Infelizmente, hoje nada funcionou, e nós não conseguimos aplicar o que tínhamos preparado."

Outro brasileiro, Marquinhos, também está no centro do turbilhão de críticas, assim como o goleiro Kevin Trapp, que falhou já no primeiro gol, e o lateral Thomas Meunier, destroçado por Neymar durante todo o jogo em que o Barcelona teve 71% de posse de bola, contra 29% do PSG.

Se dentro de campo as dúvidas são fartas, o que está claro é que os cofres do clube sofrerão um baque. Antes considerado um possível candidato ao título da Liga dos Campeões, o PSG calcula suas perdas. O certo é que é preciso esquecer as premiações por fases ultrapassadas - 7,5 milhões de euros para semifinalistas, 11 milhões para finalistas e 15,5 milhões para o vencedor, um total de 29,5 milhões. Além disso, a bilheteria e as vendas de produtos licenciados tendem a cair. Por fim, as cotas de TV, que em 2015 e 2016 chegaram a 40,4 milhões de euros, podem vir a sofrer um rebaixamento após o constrangimento de Barcelona.

Pior do que qualquer premiação, cota ou patrocínio, porém, seria a perda de seu principal investidor. Na quarta, a própria participação do fundo catariano que adquiriu o PSG foi colocada em questão. Depois de investir mais de 700 milhões de euros desde a compra do clube em 2012, o Qatar Sports Investments, fundo soberano do Catar e braço financeiro do xeque Tamim ben Hamad Al Thani, estaria disposto a rever seus planos.

Nos últimos cinco anos, a injeção de recursos transformou a equipe na sexta mais rica do mundo, mas só foi suficiente para conquistas nacionais - 13 no total -, e não para o maior objetivo: a conquista da Liga dos Campeões. Após a derrota, a pressão recaiu sobre o presidente do clube, Nasser Al-Khelaifi, principal responsável por levar adiante o projeto de transformar Paris em uma potência como Barcelona.

 

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