Humilhados, jogadores negam entrevistas

Os jogadores brasileiros saíram atordoados do Estádio Sausalito. Muitos passaram direto pelo corredor que ligava o vestiário ao local onde estava o ônibus, fazendo sinal de que não iam falar. E os que pararam não conseguiram encontrar explicação para o desastre que havia se consumado pouco antes.Um torcedor com a camisa da torcida Pavilhão Nove, do Corinthians, ficou ao lado do ônibus xingando todos os jogadores e cobrando raça, além de pedir para Ricardo Gomes deixar o Brasil e ir "treinar um time na Arábia". O único que reagiu foi o atacante Marcel - um dos que não deram entrevista. Ele encarou o torcedor e devolveu os insultos. Os outros entraram de cabeça baixa no ônibus.Robinho, que mais uma vez ficou devendo, respondeu apenas a uma pergunta, disse que o time tinha tentado fazer o melhor possível e foi correndo para o ônibus. Já Diego, que durante o jogo foi vaiado pelos torcedores brasileiros, não fugiu das entrevistas e foi o último a entrar no ônibus, que deixou o Sausalito às 19h50, horário chileno.Ele admitiu que não jogou bem, e justificou dizendo que estava muito cansado. "Eu pensava nas jogadas, tentava fazer, mas as pernas não iam. Estava com a musculatura muito dolorida e não consegui jogar." Mas é bom se preparar para continuar jogando, porque Leão já declarou que não pretende dar descanso aos seus jogadores que estiveram no Pré-Olímpico.Diego disse que o que aconteceu no Chile foi uma grande lição. "Saio daqui muito mais maduro, tanto profissionalmente quanto como pessoa." E ele garante que não teme ficar marcado pelo fracasso. "Quem sai na chuva é para se molhar. Viemos para buscar a vaga, mas sabíamos que tinha o risco de não conseguir. Foi realmente um fracasso, mas a vida continua."Branco saiu do vestiário com os olhos vermelhos. O chefe da delegação brasileira se esforçou para não criticar os jogadores, mas acabou deixando escapar uma alfinetada. "Hoje em dia, futebol não se ganha mais só com técnica nem na véspera. Se não houver vontade em campo, você está arriscado a perder. Se tivéssemos jogado com o mesmo espírito de luta que mostramos no segundo tempo da partida contra o Chile, certamente não estaríamos tristes agora. A verdade é que perdemos para nós mesmos."Ele não quis falar sobre o desempenho decepcionante de Diego e Robinho, as duas principais estrelas do grupo. "A decepção não é com A ou com B. O grupo todo perdeu. Mas todos os meninos que estiveram aqui são grandes talentos e com certeza terão um grande futuro."

Agencia Estado,

25 de janeiro de 2004 | 21h43

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.