Húngaro é atração no Atlético-PR

Um húngaro falador e brincalhão será atração no Campeonato Brasileiro, que começa sábado. Trata-se do atacante Roland Tüske, de 25 anos, que disputará a competição pelo Atlético-PR, com o qual assinou contrato de seis meses. Tüske chegou ao País há pouco mais de um mês, mas já se diz encantado com o Brasil. ?O povo é simpático, receptivo, amigo, e isso facilita bastante a adaptação, é bem diferente do que ocorre na Europa?, disse à Agência Estado. ?Para um brasileiro, é bem mais difícil a adaptação lá, porque o europeu é mais fechado, menos amigo.? Um aspecto o deixa assustado: as altas temperaturas. Saiu de Budapeste, sua cidade natal, com -5°C e chegou a Curitiba no fim do verão, com 30°C. O melhor amigo, por isso, é o ar condicionado instalado em seu apartamento. ?A vida aqui é bem diferente, o clima principalmente, mas Curitiba é uma cidade de estilo europeu.? Como Tüske foi parar no Paraná? O atacante estava atuando pelo Lombard Haladás e foi indicado por dois empresários brasileiros que representam o clube húngaro, Luiz Alberto Martins de Oliveira e Edenílson Franco ? que há dois anos trabalha no futebol húngaro. Dirigentes do Atlético foram, então, à Hungria para observá-lo e gostaram do que viram. Na última temporada, sua equipe participou da Copa da Uefa e Tüske teve boa participação. O jogador é o segundo da Hungria a jogar no Brasil. O primeiro foi Florian Albert, também atacante, que atuou pelo Flamengo. Albert defendeu a seleção de seu país no Mundial de 1966. Por enquanto, mora com Alexandre da Costa Rosa, que trabalha com os empresários Luiz Alberto e Edenílson. Alexandre foi jogador de futebol e atuou na Hungria, onde ficou amigo de Tüske. A família só se mudará para o Brasil caso seu contrato seja prorrogado. SONHO ? O húngaro conta que a transferência para o Brasil significa a realização de um sonho. Sempre admirou o futebol cinco vezes campeão do mundo e tem como ídolo o meia Rivaldo, atualmente no Milan, da Itália. ?É o futebol número 1.? Tüske está admirado com a paixão do povo pelo futebol. ?Na Hungria, as pessoas gostam de futebol, mas não tanto quanto aqui.? De acordo com o atacante, os estádios de seu país dificilmente recebem mais do que 10 mil pessoas por jogo. Lamenta, por exemplo, o fato de haver pouco investimento no esporte. Mesmo assim, acredita que o futebol está evoluindo e aposta que a Hungria tem boas chances de conquistar uma vaga na Copa de 2006. ?Apesar do pouco investimento, há uma boa geração de jovens, a média de idade da seleção não passa dos 25 anos.? Os salários na Hungria, onde há aproximadamente dez brasileiros atuando, são inexpressivos se comparados aos dos centros mais evoluídos no futebol, variam de US$ 5 mil a US$ 10 mil nas principais equipes. Os garotos, em sua maioria, não crescem com aquele sonho de seguir carreira no futebol, ao contrário do que ocorre no Brasil, mas Tüske foi exceção. ?Desde pequeno via futebol pela televisão, jogava com os amigos.? Agora, seu objetivo é ganhar experiência e prestígio no Brasil para voltar a ser convocado para a seleção húngara. Já sentiu como os treinos são puxados ? bem mais que na Europa. Por isso, quase não teve tempo de conhecer as maravilhas do País. ?Quase não saí de Curitiba, fui ao shopping, gostei.? Mas, é claro, já experimentou uma boa feijoada. Só que, pelo jeito, não se entusiasmou com o prato tipicamente brasileiro. ?Até que gostei, mas não estou acostumado a comer muita carne. Na Hungria, comemos frango, massa.?

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