Iarley é recebido como rei em Fortaleza

O atacante cearense Iarley, de 29 anos, foi recebido, hoje, em Fortaleza, como "rei" por torcedores e familiares. Um dos destaques da conquista do título mundial interclubes pelo Boca Juniors, da Argentina, ele descansa no Ceará até o dia oito do próximo mês. Depois, volta para o Boca para disputar o Campeonato da Clausura e a Taça Libertadores. Ele tem contrato com o time argentino até junho do próximo ano. Sonho de ir para a Seleção Brasileira? "Sou consciente. Eu sei que é muito difícil. É uma meta muito complicada. Vou devagarzinho onde posso chegar, conquistando título...", respondeu mantendo a humilde. Na Argentina, ele é dono da camisa 10 do Boca, a mesma que já foi de Maradona. E, agora, depois da conquista do título, é tido como "o novo Pelé". Ex-jogador do Paysandu, Iarley foi para o Boca depois de jogar contra o time argentino pela Libertadores. Ao desembarcar no Aeroporto Internacional Pinto Martins, Iarley fez questão de exibir a medalha. "Esta é cearense!", gritou. Os admiradores do atleta retribuíram com: "Eu já falei, o Iarley agora é rei". "Deus te abençoe, meu amor", disse-lhe a mãe, Alice Dantas, a primeira a abraçar o jogador, sendo seguida pela mulher dele, Karísia. A conquista do mundial, no Japão, foi definida por ele como "um sonho realizado". "Acho que todo jogador gostaria de jogar uma final dessas", comentou. "A sensação é inexplicável. A gente só pensa no pessoal daqui (do Ceará), nos familiares, nos amigos". Ele ainda não sabe o que vai fazer com o Toyota que ganhou na competição. Mas, adiantou: "O que a gente ganhou vai ser repartido com todo o Boca". Em 2004, Iarley quer disputar mais campeonatos e, é claro, "vencê-los". Só quando estiver mais perto de encerrar o contrato com o clube argentino é que vai pensar em renovar ou não. Sobre a experiência de jogar na Argentina - tradicional adversário dos brasileiros no futebol -, ele disse que no início foi difícil devido à rivalidade. "Mas, a gente foi conquistando a torcida. Foi entrando no coração deles. E, agora, eles não me tratam como brasileiro. Sou um deles", disse. Comparações entre os estilos dos dois países (Argentina e Brasil), segundo ele, acabam sendo inevitáveis. Para Iarley, lá o torcedor é mais fanático. "Você não consegue nem caminhar nas ruas", comentou. A forma de jogar também é bem diferente. "Eles jogam mais na marcação. O brasileiro é mais de toque, de habilidade", analisou. Na Argentina, Bianchi, o treinador do Boca, de acordo com Iarley, "manda mais que o presidente". "Em termos de nacionalidade, a torcida do Boca tem ele (Bianchi) como um Deus", disse. Para Iarley, o técnico recordista de títulos intercontinentais foi uma pessoa fundamental. "Foi ele que me levou, que me segurou no time, confiou em mim e me deu todo o apoio". Se Bianchi é muito exigente e passa muito treino tático? "O suficiente. Não é nenhum especialista. Mas o suficiente para dar tudo certo", respondeu. Natural de Quixeramobim, cidade localizada no Sertão Central do Ceará, Iarley foi descoberto como jogador por um primo que o levou para a capital para treinar no Ferroviário. Clube este que, segundo revelou a mãe dele Alice Dantas, Iarley torcia quando criança. Mas, foi no Ceará Sporting que ele começou a se destacar. O sogro do jogador, Tácito Correa Andrade, está organizando uma grande homenagem para ele na sua cidade natal. A data ainda não está definida. Mas, sabe-se que Iarley terá direito a desfile em carro aberto e tudo o mais. "Afinal, ele merece. É o primeiro cearense campeão mundial. Estou morto de satisfeito", justificou Andrade.

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